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Márcia Cavalcante
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Márcia Cavalcante da Silva
Data de nascimento
18 de março de 1980
História de vida
Marcia Cavalcante da Silva, nascida em 1980, construiu sua trajetória de vida vinculada à pesca artesanal e à mariscagem, atividades que exerceu por mais de 20 anos. Atualmente aposentada e residente na Chã da Jaqueira, foi moradora do bairro de Bebedouro, na Rua Augusto Barreto, Vila do Rogildo, localidade próxima ao conhecido Bar do Rogildo. Seu contato com os saberes da pesca começou ainda na infância, a partir da convivência com seu ex-padrasto, Tonho Bujão, pescador que passou a fazer parte da família quando Marcia tinha cerca de três anos.
A pesca integrava diretamente a rotina e a organização do trabalho familiar. Tonho Bujão retornava diariamente das pescarias trazendo grandes quantidades de peixe, que eram recebidas e tratadas por sua mãe e pelos demais integrantes da família. Desde pequena, Marcia acompanhou esse cotidiano e foi aprendendo, pela observação e pela prática, os conhecimentos relacionados à pesca e ao beneficiamento dos pescados, saberes que posteriormente passaram a fazer parte de sua própria trajetória como marisqueira.
Ao longo de mais de duas décadas, Marcia manteve sua relação com a mariscagem, dando continuidade à conhecimentos aprendidos no ambiente familiar e associados aos modos de vida das comunidades ligadas à pesca artesanal. Sua trajetória evidencia a relação entre trabalho, transmissão familiar e território, preservando memórias e saberes construídos em torno da pesca e dos recursos provenientes das águas, que durante muitos anos fizeram parte de sua vida no bairro de Bebedouro.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Saber tradicional, ligado às comunidades pesqueira e ao uso sustentável de recursos naturais e à cultura local. Neste caso nos referimos especialmente a pesca realizada na Laguna Mundaú, que margeia os bairros de Bebedouro, Bom Parto e Mutange em Maceió e diretamente afetados pela mineração, tendo grande parte ou a totalidade de seus territórios desocupados e demolidos por determinação da defesa civil da cidade de Maceió, desterritorializando pescadores, marisqueiras e catadores(as) de Sururu.
Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
O Ofício das Despinicadeiras de Sururu constitui uma prática cultural profundamente enraizada no cotidiano das comunidades ribeirinhas de Maceió, onde o sururu — fruto do mar amplamente apreciado e valorizado na culinária local — ocupa lugar de destaque nas tradições alimentares da cidade. Associado à cadeia produtiva desse molusco, abundante na Lagoa Mundaú, o ofício é exercido majoritariamente por mulheres marisqueiras, responsáveis por etapas fundamentais após a coleta, como a limpeza, a separação e a retirada do fiapo do sururu.
Trata-se de um trabalho manual, minucioso e exaustivo, que exige destreza, conhecimento prático e resistência, sendo transmitido entre gerações como parte dos saberes tradicionais locais. Para além de assegurar a qualidade do produto destinado à comercialização em feiras, mercados e bancas informais, o ofício das despinicadeiras expressa modos de vida, relações de trabalho e formas de pertencimento territorial, configurando-se como um importante bem cultural imaterial vinculado à identidade e à economia popular da região.Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino Fundamental Incompleto
Remuneração
Não é remunerado


