Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Marco Aurêh
História de vida
Nascido em Petrópolis, Marco Aurêh iniciou sua jornada musical com a flauta doce, pífanos e flautas de bambu. Sua carreira começou com forte influência do rock, gênero muito presente na atmosfera de sua cidade natal. Nos anos 80, ao trabalhar com trilhas sonoras para teatro, começou a pesquisar a música nordestina devido às temáticas dos espetáculos. Essa pesquisa o levou a mergulhar profundamente no universo do forró, compondo xotes e baiões e explorando a música armorial. Liderou bandas como Brasilino e Zé Vagão, e dirigiu musicalmente espetáculos de grande relevância, como o musical de João do Vale. Atualmente, além de compositor e músico, atua como gestor público (gerente de políticas públicas de cultura em Petrópolis) e rege a orquestra de câmara Camerata de Charbel, focada em arte-educação.
Ao longo de sua trajetória, sua formação musical sempre transitou entre diferentes universos. A flauta, seu principal instrumento, o aproximou tanto da música popular quanto da música erudita, criando uma linguagem que dialoga com essas duas vertentes. O interesse pela música nordestina também se conectou com essa base, especialmente a partir da música armorial, onde encontrou um ponto de encontro entre tradição popular e construção mais erudita.
O trabalho com teatro teve um papel central nesse processo de formação. Ao compor trilhas para espetáculos com temáticas nordestinas, foi levado a pesquisar profundamente ritmos, repertórios e referências desse universo, o que acabou consolidando sua atuação como compositor de música nordestina. Entre esses trabalhos, destacam-se produções como “O Pássaro do Limo Verde”, que teve grande repercussão e lhe rendeu indicações a premiações importantes na época.
Também desenvolveu projetos musicais próprios com forte identidade autoral. A banda Brasilino marcou um primeiro momento de atuação mais voltado ao forró tradicional, enquanto o grupo Zé Vagão ampliou esse repertório, incluindo trabalhos ligados ao teatro, como o espetáculo “Cantando Sylvia Orthof”, com circulação por diferentes regiões do país.
Na área teatral, sua atuação como diretor musical se consolidou com projetos de grande relevância, como o musical “João do Vale – O Poeta do Povo”, dirigido por Maria Helena Kühner e baseado na biografia escrita por Márcio Pascoal. O espetáculo contou com participação da família do artista homenageado e teve temporadas em diferentes espaços, incluindo a Academia Brasileira de Letras, evidenciando o alcance e a importância cultural do trabalho.
Ao longo dos anos, manteve uma atuação constante como compositor de trilhas sonoras, com trabalhos realizados principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Mesmo com a diminuição da atuação em grupos fixos, continua produzindo música e desenvolvendo projetos autorais, conciliando essa atividade com funções na gestão cultural e em iniciativas de formação, como a Camerata de Charbel, projeto voltado à educação musical e à inclusão por meio da arte.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Liderou grupos como Brasilino e Zé Vagão, e colabora frequentemente com outros artistas em espetáculos teatrais e musicais. Articula-se com diversos agentes culturais da Região Serrana e do Rio de Janeiro, incluindo parcerias com o músico Léo Rugero, a produtora Márcia Ganen e membros da Tribo de Gonzaga. Também atua em instâncias de decisão cultural, como o Conselho de Cultura de Petrópolis.
Essa atuação em rede se dá de forma contínua e integrada às diferentes etapas da produção cultural, envolvendo desde a criação artística até a circulação dos espetáculos. Nos projetos teatrais e musicais, o trabalho é construído de maneira coletiva, reunindo músicos, atores, diretores e produtores, cada um contribuindo com sua especialidade. A composição de trilhas, os arranjos musicais, os ensaios e a montagem dos espetáculos são processos compartilhados, que dependem diretamente dessa articulação entre diferentes profissionais.
No campo da produção cultural, essa rede também se manifesta na organização de eventos, festivais e apresentações, que demandam parcerias com produtores, espaços culturais e instituições. A articulação com agentes como Márcia Ganen, por exemplo, viabiliza a realização de encontros e festivais na região, enquanto o diálogo com músicos e grupos locais, como a Tribo de Gonzaga, fortalece a circulação do forró e da música nordestina em Petrópolis e arredores.
Além da criação e produção, há também uma dimensão de troca e fortalecimento coletivo. Os projetos desenvolvidos ao longo da trajetória contribuem para a formação de público, para a circulação de artistas e para a consolidação de uma cena cultural na região serrana. Ainda que não haja necessariamente uma divisão formal de recursos financeiros, a rede compartilha benefícios importantes, como visibilidade, oportunidades de trabalho, acesso a espaços e continuidade das atividades culturais.
A participação em instâncias como o Conselho de Cultura amplia essa atuação para o campo das políticas públicas, permitindo que essa rede dialogue também com o poder público e contribua para a construção de estratégias de valorização e salvaguarda do bem cultural. Dessa forma, seu trabalho em rede articula criação, produção e gestão cultural, conectando diferentes agentes em torno da manutenção e desenvolvimento da música e das práticas associadas ao forró.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Músico (flautista e pífano), compositor de trilhas sonoras e canções, diretor musical, arranjador e gestor cultural, Marco Aurêh construiu sua relação com o bem cultural de forma profunda e contínua ao longo de toda a sua trajetória. O forró e a música nordestina, em especial, não aparecem apenas como um campo de atuação, mas como um eixo estruturante de sua identidade artística, desenvolvido a partir da pesquisa, da prática musical e do trabalho com o teatro.
Essa relação se consolidou principalmente a partir da necessidade de criação para espetáculos teatrais, que o levou a mergulhar no universo da música nordestina. A partir desse contato, passou a incorporar o forró e suas vertentes em suas composições, arranjos e projetos, estabelecendo um diálogo constante entre tradição popular e construção musical mais elaborada.
Ao longo do tempo, o bem cultural passou a ser também um campo de atuação profissional e intelectual, presente tanto em suas composições quanto na direção musical de espetáculos e na formação de grupos. Além disso, sua atuação como gestor público reforça esse vínculo, ao ampliar sua participação para o campo das políticas culturais, contribuindo para a valorização, difusão e preservação dessas práticas no contexto de Petrópolis.
Dessa forma, sua identidade artística e profissional está diretamente ligada ao desenvolvimento, à reflexão e à continuidade do bem cultural, articulando criação, pesquisa e atuação institucional em torno da música nordestina e do forró.
Aprendizado do bem
Deu-se de forma prática e através de pesquisa intensa para trilhas sonoras teatrais, além de uma base inicial autodidata com flautas e violão.
A partir do trabalho com o teatro, seu aprendizado foi se aprofundando conforme surgiam as demandas de criação para espetáculos, o que o levou a pesquisar com mais atenção diferentes estilos, ritmos e referências, especialmente da música nordestina. Esse contato direto com a prática fez com que o desenvolvimento musical acontecesse junto com o próprio fazer artístico.
Ao mesmo tempo, a formação autodidata contribuiu para uma relação mais livre com os instrumentos, favorecendo a experimentação e a construção de uma linguagem própria. O aprendizado, nesse sentido, se deu de forma contínua, combinando prática, escuta e pesquisa, sempre ligado às experiências vividas no cotidiano da criação musical.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Marco destaca que Petrópolis, apesar de suas raízes europeias, abraçou o forró de forma abrangente, tornando-o patrimônio cultural municipal.
Essa relação com o território se reflete diretamente em sua trajetória, já que grande parte de suas atividades artísticas e culturais se desenvolveu na própria cidade. Ao longo dos anos, acompanhou e também contribuiu para a consolidação do forró em Petrópolis, especialmente a partir do crescimento da cena local desde os anos 1990, envolvendo bandas, festivais e projetos culturais.
Sua atuação dialoga com essa dinâmica urbana específica, em que uma cidade tradicionalmente associada a referências europeias passa a incorporar a música nordestina como parte de sua identidade cultural. Nesse contexto, o forró deixa de ser apenas uma manifestação importada e passa a fazer parte do cotidiano cultural, sendo apresentado em espetáculos, festivais e ações formativas.
Além disso, há uma relação direta com os espaços onde essas práticas acontecem, como teatros, centros culturais e projetos comunitários, incluindo iniciativas como a Camerata de Charbel, que integra repertórios da música nordestina em atividades de educação musical. Dessa forma, o bem cultural se insere no território não apenas como expressão artística, mas como prática viva, conectada à realidade social e cultural de Petrópolis e à sua transformação ao longo do tempo.
Transmissão de saberes
Atua como educador musical e regente em projetos sociais como a Camerata de Charbel e o Música Livre, ensinando instrumentos e ritmos nordestinos para jovens da comunidade.
A transmissão de saberes acontece principalmente na prática, por meio de ensaios, aulas e apresentações coletivas. Os participantes aprendem tocando, convivendo e participando das atividades, o que permite um desenvolvimento gradual, desde níveis iniciais até formações mais estruturadas.
Ao trabalhar com repertórios da música nordestina, o ensino também contribui para aproximar os alunos desse universo cultural, muitas vezes pouco presente em seu cotidiano. Dessa forma, o aprendizado não se limita à técnica musical, mas envolve a vivência e a continuidade das práticas culturais.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Participação em editais, prêmios de cultura (como o prêmio Coca-Cola) e projetos financiados por empresas e leis de incentivo (como a GE Celma e a Lei Aldir Blanc).
Esses apoios aparecem principalmente ligados aos trabalhos no teatro e à produção de trilhas sonoras, como no caso de espetáculos que tiveram repercussão e reconhecimento. Também participa de projetos estruturados, como a Camerata de Charbel, viabilizada com apoio da GE Celma, o que permite a realização de atividades de formação musical com a comunidade.




