Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Marcus Antônio de Queiroz Lucena
Data de nascimento
31 de outubro de 1959
História de vida
Marcus Antônio de Queiroz Lucena, artisticamente identificado como Marcus Lucenna, nasceu em 31 de dezembro de 1959. A adoção da grafia com duplo "N" constitui uma estratégia de agenciamento de marca e indexação digital, visando distinguir sua produção de outros homônimos e consolidar sua presença em plataformas de busca.
Natural de Mossoró (RN), centro econômico de produção salineira e petrolífera, Lucenna possui uma genealogia vinculada à diáspora judaica sefardita. Conforme o relato do detentor, suas raízes remetem a famílias que migraram da Holanda para o Nordeste brasileiro em busca de fomento à pecuária, estabelecendo uma síntese étnica com matrizes indígenas e negras. Lucenna utiliza a narrativa histórica da fundação de Nova York por judeus egressos do Nordeste (via Recife e Caribe) como um marcador de "potência nordestina" em sua interlocução cultural. Sua trajetória migratória compreende passagens por Recife (1970) e a fixação definitiva no Rio de Janeiro em 1977.
A autoridade cultural de Lucenna é forjada na convivência direta com as matrizes tradicionais. Filho de poeta e repentista, ele cresceu inserido no universo das cantorias itinerantes e da literatura de cordel.
O Conflito dos "Dois Reis": A formação estética de Lucenna é marcada pelo hibridismo entre o Baião de Luiz Gonzaga e o movimento da Jovem Guarda (Roberto Carlos) na década de 1960. Embora tenha adotado a estética cabeluda da Jovem Guarda, sua identidade ideológica vinculou-se ao legado de Gonzaga.
O Encontro de 1968: Um marco fundante de sua vocação ocorreu em 1968, em Mossoró. Durante um comício político, seu avô o levou clandestinamente (para não ser visto por rivais políticos) para assistir Luiz Gonzaga. A carga carismática e ideológica de Gonzaga naquele evento sedimentou o desejo de Lucenna em tornar-se cantador.
Fase de Sobrevivência em Copacabana: Ao chegar ao Rio em 1977, atuou como cantor de rua entre o Leme e o Posto 6. Para atrair turistas, intercalava temas nordestinos com canções internacionais (como "Oh, Susanna"), demonstrando versatilidade e estratégias de sustentabilidade urbana.
Consolidação do Legado: O detentor estabeleceu vínculos estreitos com a família Gonzaga, sendo atualmente produzido por Daniel Gonzaga (neto de Luiz) e interpretando o "Rei do Baião" na peça teatral "O Menino Que Virou Rei"
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Organizações representativas
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede acontece por meio da articulação entre artistas, feirantes, cordelistas, repentistas, produtores culturais e organizações ligadas à cultura nordestina, principalmente na Feira de São Cristóvão. Essa rede atua coletivamente na realização de eventos, apresentações musicais, oficinas e ações de defesa e valorização da cultura nordestina no Rio de Janeiro.
Marcus Lucenna destaca que a mobilização para garantir a permanência da Feira envolveu feirantes, artistas, movimentos culturais, jornalistas, organizações e representantes políticos. A produção cultural depende do trabalho coletivo entre músicos, técnicos, comerciantes e gestores culturais, gerando benefícios econômicos compartilhados, especialmente por meio da circulação de público e da realização de eventos culturais.
A transmissão dos saberes também acontece em rede, por meio da convivência entre gerações, oficinas, apresentações e atividades culturais ligadas ao cordel, ao repente e ao forró.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Literatura de Cordel: Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), produziu 17 álbuns e obras antológicas como "A Peleja do Cérebro com o Coração" . Domina tecnicamente o "mote glosado" e rigorosas métricas (sextilhas, setilhas, martelo agalopado), mantendo a distinção fonética nordestina nas rimas (como a diferenciação entre terminações em U e L, ex: Menelau e Natal) .
Repente e Cantoria: Detém o domínio do improviso, herdado da convivência com mestres do Pajeú como Severino Pinto e os irmãos Dimas .
Data em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
1968
Aprendizado do bem
O aprendizado das práticas culturais ocorreu desde a infância, em contato direto com o pai, que era cantador, repentista e poeta cordelista, acompanhando-o em cantorias e vivências com poetas populares e violeiros do Nordeste. Também foi influenciado por grandes referências da música nordestina, como Luiz Gonzaga, além da convivência com mestres da cantoria, do cordel e do forró ao longo da vida.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O bem cultural tem forte relação com a Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, que se consolidou como um importante espaço de preservação e difusão da cultura nordestina fora do Nordeste. É nesse território que se articulam apresentações de forró, cantoria, repente e literatura de cordel, reunindo artistas, feirantes e público em um ambiente de encontro cultural. A feira funciona como um ponto de referência simbólico e prático para a manutenção dessas tradições, conectando migrantes nordestinos e suas expressões culturais ao espaço urbano carioca.
Transmissão de saberes
O processo de aquisição e repasse de conhecimento de Lucenna é caracterizado pela observação participativa e pela educação patrimonial formal.
Aprendizado "de Janela": Sua alfabetização foi autodidata e observacional, aprendendo a combinar letras ao observar as aulas da professora Maria Bilal através de uma janela, enquanto acompanhava as cantorias de seu pai.
Métodos Formais de Transmissão: Por meio da Associação Brasileira de Arte e Cultura Nordestina (ABRACNE), implementou Pontos de Cultura oferecendo oficinas de xilogravura, viola, cordel e cerâmica (Bonecos de Vitalino).
Aulas-Show: Realiza atividades pedagógicas em instituições de ensino da Zona Sul carioca, utilizando o Cordel para desconstruir preconceitos e ensinar a história do Nordeste sob uma perspectiva de resistência e intelectualidade.
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Execução de obras fonográficas e apresentações musicais em circuitos nacionais e internacionais.Exercício de cargos técnicos no Pavilhão de São Cristóvão.Projetos via Lei Rouanet (ex: "Som do Cordel") executados através da ONG ABRACNE





