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Aparecida (Maria Aparecida)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Maria Aparecida da Conceição
Data de nascimento
16 de abril de 1960
História de vida
Aparecida (Maria Aparecida da Conceição), nascida em 1960, construiu sua trajetória de vida diretamente vinculada à pesca artesanal e à mariscagem, atividades que exerce há mais de 20 anos e que se tornaram fundamentais para o sustento de sua família. Moradora da Chã de Bebedouro, viveu anteriormente na Rua Faustino Silveira, no Flexal de Cima, em Bebedouro. Sua entrada na atividade ocorreu em 1993, em um período de dificuldades financeiras após o desemprego do marido. Com quatro filhos pequenos para sustentar, passou a capturar caranguejos, pescar e comercializar pescados, conciliando essas atividades com o trabalho de lavadeira.
A experiência que já possuía com o comércio contribuiu para que transformasse os recursos obtidos pela pesca em fonte de renda familiar. Ao longo dos anos, os conhecimentos relacionados à captura, ao tratamento e à comercialização dos pescados passaram a integrar seu cotidiano e seus modos de sobrevivência. A relação familiar com esse saber também alcançou a geração seguinte, uma vez que seu filho mais velho se tornou pescador. Para Aparecida, portanto, a pesca não se restringe a uma atividade profissional, mas está associada às experiências de trabalho, às estratégias de sustento e às memórias construídas ao longo de sua vida.
Aparecida também integra a Colônia de Pescadores Z4, organização vinculada aos trabalhadores da pesca e à busca por melhorias para aqueles que exercem a atividade na região de Bebedouro e dos Flexais. Sua trajetória evidencia a importância da mariscagem e da pesca artesanal como saberes associados às águas e aos modos de vida locais, articulando trabalho, transmissão de conhecimentos e organização coletiva. Por meio dessa prática, construiu as condições de sustento de sua família e mantém uma relação de longa duração com um saber tradicional presente na história das comunidades de Bebedouro e dos Flexais.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Saber tradicional, ligado às comunidades pesqueira e ao uso sustentável de recursos naturais e à cultura local. Neste caso nos referimos especialmente a pesca realizada na Laguna Mundaú, que margeia os bairros de Bebedouro, Bom Parto e Mutange em Maceió e diretamente afetados pela mineração, tendo grande parte ou a totalidade de seus territórios desocupados e demolidos por determinação da defesa civil da cidade de Maceió, desterritorializando pescadores, marisqueiras e catadores(as) de Sururu.
Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
O Ofício das Despinicadeiras de Sururu constitui uma prática cultural profundamente enraizada no cotidiano das comunidades ribeirinhas de Maceió, onde o sururu — fruto do mar amplamente apreciado e valorizado na culinária local — ocupa lugar de destaque nas tradições alimentares da cidade. Associado à cadeia produtiva desse molusco, abundante na Lagoa Mundaú, o ofício é exercido majoritariamente por mulheres marisqueiras, responsáveis por etapas fundamentais após a coleta, como a limpeza, a separação e a retirada do fiapo do sururu.
Trata-se de um trabalho manual, minucioso e exaustivo, que exige destreza, conhecimento prático e resistência, sendo transmitido entre gerações como parte dos saberes tradicionais locais. Para além de assegurar a qualidade do produto destinado à comercialização em feiras, mercados e bancas informais, o ofício das despinicadeiras expressa modos de vida, relações de trabalho e formas de pertencimento territorial, configurando-se como um importante bem cultural imaterial vinculado à identidade e à economia popular da região.Localização
Relação com o bem cultural
MarisqueiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Não-alfabetizado
Remuneração
Regularmente


