Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Rafael dos Santos Longo
Data de nascimento
21 de fevereiro de 1976
História de vida
Nascido no Rio de Janeiro, Rafael cresceu em um ambiente marcado pela presença do acordeon. Seu pai, Romeo, gaúcho de Bento Gonçalves, foi afinador e técnico em importantes fábricas, como a Veronese, em Porto Alegre, e a Rampazzo, em São Paulo, antes de se estabelecer na capital fluminense, na década de 1960. No Rio, passou a atuar como referência no conserto de acordeons, atendendo músicos consagrados e estudantes. No começo da década de 1990, pouco antes de completar 16 anos, Rafael começou a auxiliar o pai em tarefas de rotina, como a limpeza dos instrumentos para a afinação. Seguiu aprendendo suas técnicas artesanais ao longo de 15 anos. Após o falecimento do pai, em 2007, Rafael assumiu integralmente a oficina, mantendo viva a tradição familiar e registrando a marca “Acordeons Romeo” como homenagem. Além da manutenção, também realiza a compra, restauração e revenda de instrumentos, participa da adaptação de sistemas de captação sonora modernos e acompanha as transformações tecnológicas do setor.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Rafael trabalha diretamente com centenas de forrozeiros que buscam sua oficina para a manutenção de acordeons – inclusive, clientes que eram do seu pai. Ele atende músicos de diferentes gerações, não só do forró, como também de outras cenas – tais quais integrantes de Folias de Reis, músicos sertanejos e membros de centros portugueses e italianos. Alguns dos artistas que passaram pela oficina são Zé Calixto, Chiquinho do Acordeon, Kiko Horta e tantos mais. Atualmente, conta com apenas um ajudante, que cuida da afinação dos instrumentos, para que o trabalho continue a ser realizado de modo artesanal.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Sua atuação sempre se deu nos bastidores, realizando a manutenção dos acordeons que sustentam as práticas de inúmeros artistas. Seu trabalho garante a qualidade sonora e a durabilidade dos instrumentos que são manuseados durante longas jornadas de apresentações. Rafael explica que seu empenho busca assegurar a afinação adequada (como as regulagens em 440 ou 442 Hz para o forró), a vedação correta do fole e o bom funcionamento de teclas e registros – o que contribui diretamente para a excelência das apresentações. Nesse sentido, seu trabalho é parte fundamental da cadeia do forró fluminense.
Aprendizado do bem
O aprendizado de Rafael foi integralmente transmitido pelo pai. Essa formação ocorreu a partir do acompanhamento e da prática diária, sem cursos formais, em uma relação de mestre e aprendiz. Seus conhecimentos foram complementados por visitas às fábricas italianas em 2012. Esse arcabouço permite o manuseio de instrumentos raros, como acordeões cromáticos de botão.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Rafael percebe que, na década de 1990, os sanfoneiros eram alvo de visões pejorativas vinculadas ao instrumento. Entretanto, com o apoio de novas gerações de músicos, atualmente, o acordeon é valorizado e adquiriu visibilidade – o que, inclusive, eleva o preço dos exemplares de boa qualidade. Ele indica que há um aumento da demanda (tanto por instrumentos, quanto por manutenção), além de uma ampliação dessa rede, que inclui municípios do interior fluminense e conexões com estados vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais.
Transmissão de saberes
A transmissão de seus saberes familiares ocorre de maneira cuidadosa. Rafael compartilha essas técnicas com poucos colaboradores para que o aprendizado se mantenha aprofundado, prezando pela qualidade do trabalho a ser desenvolvido.




