Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Armando Sirieco da Silva Filho
História de vida
Armando Sirieco da Silva Filho, conhecido como Suquinha, é natural de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro. Filho de Armando Sirieco da Silva e Durvaldina da Silva Sirieco, traz na sua origem referências indígenas, portuguesas e negras, identidade com a qual se reconhece. Sua relação com a música começou ainda na infância, quando aos nove anos já tocava bongô e pandeiro nos bailes de barraca realizados em casas de família, especialmente em festas juninas, casamentos e aniversários da região.
Na juventude, também trabalhou no mercadinho municipal de Miguel Pereira, na barraca de verduras e frutas do tio, convivendo de perto com músicos e com a presença marcante de Luiz Gonzaga na cidade. Mais tarde, atuou como ritmista em escola de samba e, por volta dos dezenove anos, passou a tocar na Orquestra Universo, onde recebeu seus primeiros pagamentos como músico. Paralelamente, construiu sua vida profissional no porto, trabalhando com operação de máquinas, empilhadeiras e equipamentos de carga e descarga de navios, atividade que exerceu até a aposentadoria em 2016.
Mesmo durante os anos de trabalho no porto, manteve a música presente em sua rotina, conciliando viagens, trabalho e apresentações. A partir dos anos 1990, intensificou sua dedicação musical e, já aposentado, passou a se dedicar de forma mais constante à percussão. Ao longo da trajetória, participou de grupos e apresentações na região, tocou com diferentes músicos locais e permaneceu ligado ao forró, ao calango e a outras expressões musicais que marcaram sua formação. O apelido “Suquinha” veio da infância, dado por sua mãe, em referência ao antigo saco azul de açúcar que ele costumava abrir em casa.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
O trabalho em rede de Suquinha se organiza a partir de relações construídas com músicos, grupos e espaços de apresentação em Miguel Pereira e região. Nos antigos bailes de barraca, realizados em casas de família durante festas juninas, casamentos e aniversários, a organização era coletiva: cada pessoa colaborava com comida e com a preparação da festa, enquanto a música era feita em conjunto com sanfoneiros e tocadores da região. Nesse circuito aparecem nomes como seu Adolfo, Zé Chico, Vantuil e Sambará, ligados à continuidade do forró e do calango no lugar.
Ao longo do tempo, essa rede passou a incluir formações musicais mais estruturadas e parcerias profissionais. Paulinho Nunes teve papel importante ao chamar Suquinha para tocar percussão na Orquestra Universo, onde ele passou a receber cachê. Também fazem parte dessa articulação músicos como Paulinho Ataíde, Guilherme e Paulo Ávila, com quem teve contato em trabalhos ligados à música regional e ao grupo caipira em Paty do Alferes. Além disso, Suquinha atua com diferentes músicos da região, sendo frequentemente chamado para fazer percussão em apresentações com Bruno e Cláudio.
Essa rede também envolve grupos e iniciativas atuais voltadas à circulação do forró na região. As Sebastianas aparecem como grupo de mulheres dedicado ao forró tradicional, enquanto Susi Pérez mantém apresentações em hotéis e atividades ligadas ao São João. Há ainda o trabalho com Oswaldo Celedon no jazz trio, mostrando uma circulação entre diferentes formações musicais. No plano material, o texto mostra que nos bailes antigos a colaboração era feita com partilha de comida e trabalho, e nas apresentações mais recentes há remuneração por cachê, como nas festas públicas e eventos locais.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Suquinha é percussionista e atua diretamente no forró tocando bongô, pandeiro, triângulo e outros instrumentos de base rítmica. Sua relação com o bem cultural vem desde a infância, quando começou a tocar nos bailes de barraca em festas juninas, casamentos e comemorações familiares em Miguel Pereira. Ao longo da vida, manteve essa atuação em apresentações de forró na região, em festas de São João, hotéis e eventos locais, além de participar de grupos e formações musicais ligadas à música popular e regional.
No forró, sua função principal é a percussão, fazendo a sustentação rítmica das apresentações e acompanhando diferentes músicos e grupos da região. Também participa de rodas, shows e encontros em que o repertório de Luiz Gonzaga e o forró tradicional seguem presentes. Além da atuação como instrumentista, sua trajetória também se liga à continuidade dessa prática cultural, tanto por permanecer ativo nas apresentações quanto por incentivar a aproximação de novas gerações com a percussão e com o universo do forró.
Data em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Começou a exercer a prática do bem cultural aos 9 anos de idade.
Aprendizado do bem
Sua formação no forró começou ainda menino, nos bailes de barraca realizados nas casas das famílias de Miguel Pereira, especialmente em festas juninas, casamentos e aniversários. Aos 9 anos, já tocava bongô e pandeiro nesses encontros, com autorização do pai. Esse contato foi acontecendo dentro das próprias festas, ao lado de sanfoneiros da região, como seu Adolfo, e num ambiente muito marcado pela presença de Luiz Gonzaga, referência forte para os músicos locais. Mais tarde, a prática contínua com a percussão ampliou esse aprendizado e consolidou sua atuação no forró e em outras manifestações musicais da região.
Relação do bem cultural com o lugar
O forró aparece ligado de forma direta aos espaços de sociabilidade de Miguel Pereira, onde Suquinha viveu sua formação musical e manteve sua atuação ao longo da vida. As primeiras experiências aconteceram nos bailes de barraca realizados nas casas das famílias, especialmente em festas juninas, casamentos e aniversários. Eram encontros feitos nos quintais e terreiros, com barracas montadas de forma simples, onde a música acontecia junto da convivência entre vizinhos, parentes e convidados. Nesses ambientes, o forró e o calango faziam parte da própria vida social da região.
Além desses bailes, o mercadinho municipal de Miguel Pereira aparece como outro lugar importante nessa relação, porque era um ponto de encontro entre músicos, trabalhadores e moradores, além de ter sido um espaço de convivência com a memória da passagem de Luiz Gonzaga pela cidade. A festa de São João também surge como referência central, tanto pelas lembranças antigas dos shows e encontros ligados ao forró quanto pelas apresentações mais recentes. Já na continuidade dessa prática, os hotéis da região aparecem como espaços atuais de circulação do bem cultural, ao lado das festas locais e eventos públicos.
Transmissão de saberes
A transmissão desses saberes acontece principalmente pela prática e pela convivência com outros músicos, e não por ensino formal. Desde menino, Suquinha se formou nos bailes de barraca realizados nas casas das famílias em Miguel Pereira, observando os sanfoneiros, participando das festas e tocando instrumentos de percussão. Esse modo de aprender continuou ao longo da vida nas apresentações, nos convites para tocar e na troca com músicos da região.
Esse conhecimento também circula no ambiente familiar e entre os grupos atuais ligados ao forró. Sua filha toca bateria, violão e gosta de percussão, mantendo proximidade com esse universo, além de acompanhar grupos da região como a Maloca e as Sebastianas. Ao mesmo tempo, Suquinha segue sendo chamado para tocar com diferentes músicos, o que mostra que sua experiência continua sendo partilhada na vivência cotidiana da música.




