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Mestra Vânia (Vânia Oliveira)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Vânia Maria de Oliveira Santos
Data de nascimento
17 de maio de 1957
História de vida
Vânia Maria de Oliveira Santos, conhecida como Mestra Vânia, é artesã e Mestra do Patrimônio Vivo de Alagoas de 67 anos.
Criada na rua Clementina do Monte (Morou Bebeu), no Farol, estudou 14 anos no CEPA e integrou a pioneira seleção estadual de basquete feminino. Ela descobriu seu dom artístico ao confeccionar lembrancinhas para o aniversário da filha, atuando em Arapiraca com arte em sucata. Após sua separação, transformou o artesanato em sua fonte de renda e subsistência exclusiva. Especializou-se na produção de bois, Reisados, Pastoril e chapéus de Guerreiro em papietagem, biscuit e fibras, imprimindo sentimentos e narrativas em cada peça para salvar a identidade local.
Profundamente vinculada ao Farol, Jardim Acácia e Bebedouro, ela testemunhou com tristeza a desocupação forçada pela mineração. A mestra relata o forte impacto sobre o trabalho de colegas, além do fim de festejos históricos nas praças da região.
Como resposta ao êxodo, Vânia lidera desde 2019 uma mobilização pela criação de um Centro de Referência Cultural definitivo. Para o futuro, ela almeja um espaço público permanente para comercialização digna do artesanato e oficinas efervescentes. Seu sonho é introduzir a arte popular nas escolas como ferramenta pedagógica e incentivar os jovens a manterem a resistência cultural viva.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas nos Questionários 1 e 2, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio da entrevista em vídeo, realizada com uma amostragem específica de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
O registro audiovisual permite conhecer, por meio da imagem e do som, aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Também possibilita documentar narrativas, expressões, gestos e demonstrações de práticas culturais, complementando as informações produzidas nas etapas anteriores e ampliando as possibilidades de registro, preservação e difusão do patrimônio cultural imaterial.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Trabalhos artesanais variados foram identificados no território objeto do estudo.
Foram identificados trabalhos artesanais em palha, barro, linhas e bordados, materiais reciclados, ferro, tecido. Alguns desses trabalhos artesanais estão diretamente relacionados aos ofícios da pesca e da mariscagem, realizados na Laguna Mundaú e aos adereços dos folguedos populares, com grupos de ocorrência no território, a exemplo do Guerreiro Alagoano.Localização
Relação com o bem cultural
MestraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Farol – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
"Reunindo música, poesia e dança, o coco apresenta-se vinculado a um só tempo às ações de trabalho, à festa, à criatividade e à manifestação artística, coadunando diferentes funções sociais.” (CÉSAR, Telma, O Coco Alagoano - Memória em Movimento, In Rede Sociocriativa do Coco de Roda, Catálogo, 2017, p. 55)
Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Farol – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
O Bumba meu Boi em Alagoas é também conhecido como Boi de Carnaval. Trata-se de um boi de armação de madeira recoberto com tecidos vistosos, enfeites e adereções. Sai ás ruas especialmente durante o carnaval, fazendo pedido de dinheiro ou bebida às pessoas nas casas, “vendendo o boi”.
Apesar de algumas semelhanças à primeira vista, o Boi de Carnaval e o Bumba meu Boi tem distinções quanto ao enredo, embora o Boi de Carnaval, também narre a morte e a ressurreição do boi.
Há relatos de que alguns Bois costumavam sair acompanhados do Jaraguá, bicho de armação, recoberto de tecido vistoso, com queixada de cavalo, ou boi, pintada.
O Boi de Carnaval, dança ao som de grupo percussivo e é guiado pela figura do vaqueiro que dança junto com o “animal”, com apito e baliza em uma das mãos.
Na capital, Maceió, o folguedo é considerado como uma das expressões mais significativas do período carnavalesco.Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Farol – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Grupo multicolorido de dançadores e cantadores, semelhantes aos Reisados, mas com maior número de figurantes e episódios, maior riqueza nos trajes e enfeites e maior variedade temática nas músicas.
Folguedo natalino surgido em Alagoas entre os anos de 1927 a 1929, sendo o resultado da fusão do Reisado Alagoano, da Chegança, dos Pastoris e do Auto das Caboclinhas.
Rico em cores e enredo é um folguedo bastante frequente nas festas populares, possuindo vários personagens, tais como: Rei, Rainha, Contra-Mestre, Embaixadores, General, Lira, Vassalos, Mateus, Palhaços, às vezes uma Catirina, Sereia, Estrele de Ouro, Estrele Brilhante, Estrela Republicana, Banda da Lua, Índio Peri e as “figuras” ou “figural”.
Os trajes são multicoloridos, imitação dos antigos trajes nobres, adaptados ao gosto e às possibilidades econômicas. Usam fitas, espelhos, contas de aljôfar, enfeites de árvores de natal nos chapéus que aparecem em formas de igrejas, palácios, catedrais, diademas, coroas, quadra-peitos, calções e mantos.
O Mestre é responsável por todos os componentes do grupo, tem o dom do canto, do trupé, ensina e coordena as partes.
O Guerreiro possui ainda uma série de entremeios como o doido, o Javali, o morto vivo, o lobisomem, o diabo e a alma, o capitão piloto, o mascote, a mãe velha, o messias, o mata-mosquito, e o boi que aparece mais simplificado e modernizado que nos Reisados, não havendo nem morte, nem repartição, nem ressureição do mesmo.
Consta de uma sequência de cantigas dançadas, denominadas de “peças”, intercaladas de “marchas” e representações constituídas de entremeio e partes: marcha de rua, cantos e danças de abrição de portas, entrada de sala, adoração ao divino, despedida.
No ano de 2019, o Guerreiro recebe do Estado de Alagoas o título de Patrimônio Imaterial de Alagoas. (ALAGOAS. Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. Cartilha – Alagoas, seus folguedos e suas danças. 2. ed. Maceió: Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, 2024.)
Dentre os bairros estudados no Inventário, Bebedouro e seu bairro adjacente, Chã de Bebedouro, merecem destaque na prática do Guerreiro, pois são referências importantes para essa manifestação cultural, uma vez que lá viveram (e vivem) alguns dos mestre de Guerreiro mais conhecidos do Estado, sendo este um folguedo bem popular entre essas comunidades. A praça central do bairro de Bebedouro, Lucena Maranhão, também é uma referência importante para o Guerreiro, tendo sido palco de inúmeras apresentações e encontro de grupos ao longo de décadas.Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteAprendizado do bem
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Farol – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Remuneração
Regularmente


