Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Wanderson Willian Agassis Guerra Peixe
História de vida
Wanderson Willian Agassis Guerra Peixe, conhecido como Willian Assis, nasceu em Petrópolis e tem 34 anos. Membro de uma família com profunda tradição musical na região serrana, é neto do maestro e pianista Eliel Agassis, que foi pioneiro ao formar grupos de sanfoneiras na década de 1960. Irmão do músico Andynho e parente do mestre Guerra-Peixe, Willian iniciou seus estudos de violão aos 4 anos de idade. Além da formação musical hereditária, dedicou seis anos ao estudo da dança de salão, obtendo registro profissional (DRT) como bailarino. Em 2016, fundou o Núcleo Sofrozeiro, um projeto social em Petrópolis dedicado ao ensino gratuito de forró para combater a depressão e promover a interação social. Em 2018, criou a banda Os Improváveis, com a qual realizou turnês internacionais em países como Alemanha e Itália, além de workshops de dança e musicalidade no Uruguai e Argentina. Atualmente, concilia a carreira artística com o trabalho na área da saúde.
Além dessa trajetória, sua relação com a música sempre esteve muito ligada ao ambiente familiar. Criado em um contexto em que a música fazia parte do cotidiano, Willian cresceu ouvindo referências da música brasileira e acompanhando de perto o trabalho do avô e de outros familiares. Seu irmão também seguiu o mesmo caminho, e os dois começaram juntos no violão ainda crianças, incentivados pelo pai, que colocou ambos para aprender desde cedo.
A ligação com o forró surgiu de forma natural, tanto pela vivência musical quanto pela dança. Ao longo dos anos, Willian passou a frequentar e participar do cenário local, primeiro como dançarino e depois também como músico. A experiência ensinando amigos a dançar foi o ponto de partida para que começasse a dar aulas e a se envolver mais diretamente com a formação de pessoas dentro do movimento do forró.
O Núcleo Sofrozeiro nasceu nesse contexto, de forma simples, ocupando espaços públicos e reunindo pessoas interessadas em aprender. Com o tempo, o projeto cresceu e passou a reunir participantes de diferentes idades e origens, mantendo sempre o caráter gratuito. Mais do que aulas, o espaço se consolidou como um ponto de encontro, com forte impacto na convivência e na socialização, especialmente para pessoas que buscavam no forró uma forma de lidar com momentos difíceis.
A partir desse trabalho, também surgiram iniciativas musicais. Willian começou a formar músicos dentro do próprio projeto, ensinando instrumentos e incentivando a criação de bandas. Foi nesse cenário que nasceu Os Improváveis, grupo que surgiu de forma espontânea, com propostas musicais diversas e que rapidamente ganhou identidade própria.
Com a banda, participou de festivais no Brasil e no exterior, incluindo apresentações na Alemanha e experiências em outros países, que ampliaram sua visão sobre o forró e sua circulação fora do Brasil. Essas vivências reforçaram a percepção do forró como uma linguagem viva, em constante transformação, mas ainda profundamente conectada à cultura brasileira.
Mesmo diante das dificuldades da pandemia, que interrompeu projetos e agendas internacionais, Willian manteve suas atividades ligadas à música, à dança e à formação de público. O Núcleo Sofrozeiro continuou ativo, adaptando-se às circunstâncias e preservando sua proposta original.
Ao longo de sua trajetória, Willian construiu uma atuação que articula arte, educação e ação social, utilizando o forró como meio de encontro, troca e fortalecimento das relações entre as pessoas, especialmente no contexto cultural de Petrópolis.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede no trabalho desenvolvido por Willian Assis acontece de forma contínua e colaborativa, envolvendo músicos, dançarinos, produtores e participantes dos projetos que ele conduz. Mantém uma rede ativa com músicos e produtores locais (como a Tribo de Gonzaga e o músico Tião) e também estabelece conexões internacionais com a cena do forró na Europa e na América do Sul. Colaborou na produção de grandes eventos, como o festival "Farol a Festa", em Juiz de Fora, em parceria com a produtora Andréia.
A partir dessa rede, as atividades são construídas de forma coletiva, incluindo a formação de bandas, a realização de eventos e a ocupação de espaços culturais, muitas vezes cedidos por integrantes do próprio grupo. Há troca constante entre os participantes, que podem atuar como alunos, organizadores ou músicos, fortalecendo a circulação do forró e criando oportunidades de apresentação e visibilidade. Mesmo sem uma divisão formal de ganhos econômicos, a rede compartilha benefícios como acesso a eventos, ampliação de contatos e desenvolvimento artístico, sustentando o trabalho cultural de forma colaborativa.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Músico instrumentista (violão, percussão, sanfona), bailarino profissional, professor de dança, compositor e produtor cultural.
Aprendizado do bem
Iniciou o aprendizado prático e intuitivo na infância com a família. Possui formação técnica em dança de salão (linhagem de salsa, samba e forró) e é autodidata em diversos instrumentos.
O contato com a música começou dentro de casa, ao lado do irmão e incentivado pelo pai, que colocou os dois desde cedo para aprender violão. Esse início familiar foi fundamental para o desenvolvimento musical, já que o aprendizado acontecia de forma contínua, baseado na prática e na convivência. Com o tempo, foi ampliando esse conhecimento de forma autônoma, explorando outros instrumentos e aprofundando sua escuta dentro da música brasileira.
Já na dança, o aprendizado aconteceu de maneira mais estruturada, ao longo de alguns anos de formação em dança de salão, passando por diferentes estilos até consolidar sua atuação no forró. A partir dessa combinação entre música e dança, construiu uma prática própria, que depois passou a ser transmitida para outras pessoas, principalmente por meio das aulas e projetos que desenvolve.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Willian utiliza o forró como ferramenta de resistência e inclusão social em Petrópolis, cidade que considera um celeiro cultural, mas onde busca romper “bolhas” para democratizar o acesso ao gênero.
Sua relação com a cidade aparece muito na forma como ele conduz o próprio trabalho: ocupando espaços, reunindo pessoas de diferentes realidades e criando um ambiente mais aberto dentro de um contexto que ele reconhece como, muitas vezes, fechado. A prática do forró, nesse sentido, acaba funcionando também como um meio de aproximar pessoas que normalmente não estariam nos mesmos espaços.
As atividades que desenvolve, sobretudo a partir do Núcleo Sofrozeiro, acontecem em diferentes locais da cidade, muitas vezes em espaços cedidos por participantes ou instituições, o que cria uma rede ativa dentro do próprio território. Isso também ajuda a espalhar o forró por lugares diversos de Petrópolis, fortalecendo a cena local e dando continuidade a um movimento cultural que ele mesmo ajudou a construir e manter ao longo dos anos.
Transmissão de saberes
A transmissão de saberes acontece principalmente na prática, a partir da convivência coletiva e do contato direto com a música e a dança. As aulas não seguem um modelo rígido, sendo construídas no dia a dia, com base na troca entre os participantes. Muitos iniciam como alunos e, com o tempo, passam a desenvolver autonomia, chegando a integrar grupos musicais ou a colaborar na condução das atividades.
Além do ensino da dança, também incentiva a formação de músicos, ensinando instrumentos básicos do forró e estimulando a criação de bandas a partir dos próprios participantes. Esse processo contribui tanto para a continuidade da prática quanto para a formação de público, já que os envolvidos passam a atuar em diferentes frentes dentro do próprio circuito cultural.
Nos festivais e workshops que realiza fora do país, essa transmissão também acontece com públicos de diferentes contextos culturais, ampliando o alcance do aprendizado e promovendo a difusão do forró para além do Brasil, sempre mantendo a dimensão prática como principal forma de ensino.
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo




