Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
José Matias de Lima
Data de nascimento
19 de dezembro de 1943
História de vida
Filho de cantadores de coco de improviso, nascido em Fortaleza, chegou ainda muito pequeno à cidade de Campina Grande, onde foi criado e construiu suas primeiras memórias musicais. Embora registrado como cearense, considera-se também formado por raízes paraibanas, especialmente pelas experiências da zona rural, onde o forró, o coco e a embolada eram práticas comunitárias recorrentes. O pai tocava zabumba e improvisava versos. Já a mãe, respondia no canto. Ainda criança, começou a cantar influenciado diretamente por esse convívio familiar e pelo rádio. Tornou-se admirador de Jackson do Pandeiro, cuja obra aprendeu “de ouvido”. Aos onze anos, já viajava com sanfoneiros pelo interior do Nordeste, apresentando-se em festas, casamentos e batizados. Migrou para o Rio de Janeiro ao final da década de 1960, em uma viagem de dezesseis dias realizada um caminhão pau-de-arara. Ao chegar, enfrentou uma série de entraves, como a repressão policial e a ausência de trabalho fixo, o que o levou a retornar ao Nordeste. Poucos anos depois, em 1970, voltou definitivamente para o Rio. Residiu em espaços improvisados e passou a se estabelecer na Feira de São Cristóvão, onde cantava, inicialmente, de forma informal e sem cachê fixo. Neste período, se aproximou de Jackson do Pandeiro e teve sua trajetória transformada: passou a abrir shows, atuar como motorista e integrar a equipe de viagem de uma das maiores referências nacionais do forró. Durante alguns meses, também foi motorista de Luiz Gonzaga. A partir dessa convivência, ampliou seu círculo de relações, conhecendo músicos, produtores e radialistas. Com o passar dos anos, se articulou com demais forrozeiros do estado e consolidou sua carreira. Integrou formações como o Trio Xodó, participou de diversas gravações fonográficas com demais artistas, tais quais o acordeonista Abdias dos Oito Baixos.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Ao longo da carreira, dividiu palcos e gravações com grandes artistas, como Marinês, Trio Nordestino, Anastácia, Wagner Montes, Falamansa, Roberta Miranda e outros intérpretes. Atualmente, segue em contato com diversos atores dessa rede, circulando entre casas de show, eventos privados e apresentações na Feira de São Cristóvão. Seus vínculos incluem demais músicos, instrumentistas e produtores espalhados pelos municípios fluminenses.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Zé Matias acumula mais de cinco décadas de trabalho no Rio de Janeiro. Nesse sentido, se define como cantor de pé-de-serra e defensor das “raízes” do forró. Seu repertório segue referências tradicionais e as apresentações são fieis ao formato de trio — sanfona, zabumba e triângulo. Sua atuação não se limita à Região Metropolitana, mas estende-se também para cidades como Petrópolis, Teresópolis, Maricá, Angra dos Reis e Itaipava.
Aprendizado do bem
Zé Matias aprendeu a cantar ao observar seus pais e ouvir referências pelo rádio. Ao longo da juventude, entrando em contato com artistas mais experientes na cena do forró, foi aprimorando as suas habilidades.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O cantor destaca que, no Rio de Janeiro, são encontradas mais oportunidades de trabalho com o forró. Ele aponta que, no Nordeste, a oferta se concentra nos meses de ciclo junino. Todavia, ressalta que ainda há fragilidades a serem melhoradas, sobretudo uma necessidade de melhor articulação e cooperação entre os forrozeiros do estado.
Transmissão de saberes
A transmissão de seus saberes ocorre principalmente pela prática cotidiana. O cantor busca compartilhar referências e saberes relacionados às suas memórias com aqueles que convive, sobretudo gerações mais novas. Seu filho mais velho, Genivaldo, integra o Trio Xodó e adquiriu seus conhecimentos diretamente com Matias.




