Informações
Projeto
Equipe
Ana Carolina Antunes | Pedro Aspahan | Tainah Leite | Vanilza J Rodrigues | Leonardo Rosse | César Guimarães
Objeto
O projeto consistiu na realização de um conjunto de 25 retratos audiovisuais com mestras e mestres de capoeira, representando todas as 13 mesorregiões do Estado de Minas Gerais, valorizando, portanto, a transmissão oral dos saberes, bem como, a igualdade de importância entre a voz falada, a história de vida dos mestres, o canto e a expressão musical com os instrumentos, especialmente o berimbau. Os mestres foram indicados pelo Coletivo da Salvaguarda da Capoeira de Minas Gerais.
Justificativa
Em 2008 o Iphan registrou a Roda de Capoeira e o Ofício de Mestre de Capoeira como Patrimônios Culturais Brasileiros, inscritos respectivamente nos Livros de Registro das Formas de Expressão e dos Saberes. De acordo com as diretrizes determinadas para a Política de Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial em âmbito nacional, o requisito para o início de ações sistemáticas de apoio e fomento a uma prática cultural é a sua inscrição em um dos Livros de Registro do Iphan. A partir daí, Iphan, detentores e detentoras do bem cultural registrado, segmentos sociais e instituições envolvidas precisam estar mobilizados e articulados no sentido de planejar e executar ações que viabilizem a continuidade da prática objeto de Registro, em uma interlocução continuada entre Estado e sociedade.
A partir do Registro da Roda de Capoeira e do Ofício de Mestre de Capoeira, o Iphan realizou, em Minas Gerais, várias ações no sentido de sua divulgação, apoio e fomento, orientadas por um Plano de Salvaguarda com vistas à sustentabilidade dessas práticas culturais, constituindo-se um coletivo composto por mestres/as, praticantes, professores/as, alunos/as, pesquisadores/as e representantes de órgãos públicos que, reunindo-se periodicamente, é responsável pela definição dos rumos das ações que visam o apoio e fomento da prática no estado.
A partir desse esforço de constituição de uma memória da capoeira em Minas Gerais, o Iphan nos procurou, reconhecendo a qualidade do nosso trabalho e identificando uma estreita afinidade entre o trabalho audiovisual que vimos desenvolvendo junto ao Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG e os objetivos de documentação e divulgação dos saberes da Capoeira junto ao patrimônio imaterial brasileiro. Nesse sentido, o Iphan nos propôs a constituição de um TED (Termo de Execução Descentralizada), a ser firmado em parceria com a PROEX, com aporte de recursos geridos pela FUNDEP, para a execução de um conjunto de 20 retratos audiovisuais de mestres de capoeira de todo o estado de Minas Gerais. Além da edição de um retrato já filmado por eles e de um vídeo-síntese, reunindo todo o material captado. Os mestres serão indicados pelo coletivo, que deve acompanhar de perto nosso trabalho, indicando questões a serem feitas aos mestres, além de contribuir na formulação do roteiro e da edição final do video-síntese.
Em termos de metodologia, acreditamos que a parceria entre o IPHAN MG e a UFMG será extremamente profícua em função da afinidade entre os objetivos de defesa da memória imaterial de mestras e mestres de saberes tradicionais e os métodos e práticas desenvolvidos pelo Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG desde 2014, especialmente, no que diz respeito aos processos audiovisuais com os quais o Programa vem trabalhando na realização de retratos audiovisuais de mestras e mestres. Um conjunto de retratos pode ser acessado no link a seguir, como referência ao formato audiovisual que propomos:
https://www.saberestradicionais.org/category/video-retratos/
Também desenvolvemos uma elaboração conceitual sobre o processo de trabalho audiovisual com mestras e mestres dos saberes tradicionais no programa no texto:
ASPAHAN, Pedro; GUIMARÃES, César. A experiência audiovisual com os Saberes Tradicionais na UFMG. In: SILVA, Rubens Alves da. Patrimônio, informação e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2020. Disponível em: https://paisagemsonora.org/bibliografia_mata/experiencia-saberes-tradicionais.pdf
Objetivos
Além dos 20 retratos acordados inicialmente, o laboratório realizou mais 4 retratos com mestres que já tiveram participação nas aulas da Formação Transversal em Saberes Tradicionais da UFMG, além de um 25º retrato realizado a partir da edição de material captado e disponibilizado pelo Iphan com o mestre Toninho Cavalieri, em memória.
Por fim, realizamos ainda um filme de longametragem que ganhou o título de “Tudo que Capoeira Toca” (2026, 80′, César Guimarães e Pedro Aspahan), que está em processo de finalização e de distribuição para os festivais de cinema.
Sites, redes sociais e demais plataformas digitais vinculadas oficialmente ao projeto
Cronograma
Data inicial do projeto
1 de maio de 2023
Data final do projeto
25 de março de 2026
Atividades
teste
Procedimentos do processo de identificação
O projeto foi firmado por meio de um TED (Termo de Execução Descentralizada) entre o Iphan e a UFMG, executado através de um projeto de extensão com o mesmo nome, coordenado pelo prof. Pedro Aspahan, da Escola de Belas Artes, que também dirigiu a série audiovisual, juntamente com o prof. César Guimarães, do curso de Comunicação Social, Fafich, UFMG.
O Programa de Formação Transversal em Saberes Tradicionais foi criado na UFMG em caráter experimental em 2014. Este programa encontra-se em diálogo e se inspira na proposta do Encontro de Saberes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCTI) de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB). Ao conceder hospitalidade aos saberes das culturas afrodescendentes, indígenas e populares, o projeto procura abrir a universidade a experiências de ensino e pesquisa pluriepistêmicas. Os cursos são oferecidos às alunas e alunos de todas as graduações e pós-graduações da UFMG. O Laboratório Audiovisual Saberes Tradicionais vem atuando na realização de filmes documentários, retratos audiovisuais e videoaulas com mestras e mestres dos saberes tradicionais desde 2014.
Conheça mais produções em: www.play.saberestradicionais.org
A metodologia audiovisual desenvolvida pelos Saberes Tradicionais para a realização dos chamados Retratos Audiovisuais foi conceituado no artigo:
ASPAHAN, Pedro; GUIMARÃES, César. A experiência audiovisual com os Saberes Tradicionais na UFMG. In: SILVA, Rubens Alves da. Patrimônio, informação e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2020. Disponível em: https://paisagemsonora.org/bibliografia_mata/experiencia-saberes-tradicionais.pdf
Veja alguns retratos em
https://www.saberestradicionais.org/category/video-retratos
Consultas de interesse
O projeto responde especificamente a um esforço do Iphan em Minas Gerais de ampliação da identificação das metras e mestres da capoeira, demanda apresentada no Plano de Salvaguarda do bem cultural reconhecido pelo Iphan, desde 2008.
Anuência
A partir do Registro da Roda de Capoeira e do Ofício de Mestre de Capoeira, o Iphan realizou, em Minas Gerais, várias ações no sentido de sua divulgação, apoio e fomento, orientadas por um Plano de Salvaguarda com vistas à sustentabilidade dessas práticas culturais, constituindo-se um coletivo composto por mestres/as, praticantes, professores/as, alunos/as, pesquisadores/as e representantes de órgãos públicos que, reunindo-se periodicamente, é responsável pela definição dos rumos das ações que visam o apoio e fomento da prática no estado.
Participação nas atividades
Os mestres retratados foram indicados pelo coletivo, que acompanhou de perto nosso trabalho, indicando questões a serem feitas aos mestres, além de contribuir na formulação do roteiro e da edição final do video-síntese.
Mecanismos de consulta
Os mestres retratados foram indicados pelo coletivo, que acompanhou de perto nosso trabalho, indicando questões a serem feitas aos mestres, além de contribuir na formulação do roteiro e da edição final do video-síntese.
Formas de deliberação
As deliberações se deram sempre a partir da mediação dos coletivos de salvaguarda da capoeira no estado de Minas Gerais.
Devolutivas e validação de resultados
Os resultados finais do projeto doram sendo apresentados aos mestres e mestras que participaram de cada um dos retratos e, no dia 25/03/2026
Financiamento e formas de fomento
Direitos de autoria
“A rigor, o que fazemos quando construímos os chamados retratos das mestras e mestres não é bem uma entrevista, pois não se trata de simplesmente conduzir um jogo regulado de perguntas e respostas. Se permanecemos no fora-de-campo e elidimos nossas intervenções na montagem é porque elas se querem simplesmente indutoras de uma fala que permita aos mestres discorrer sobre sua formação e o processo de aquisição dos saberes do quais são portadores, o adensamento de suas experiências ao longo da vida, bem como as vinculações de sua história pessoal com a história mais longa das comunidades a que pertencem. Procuramos um desvio do regime da informação, sustentando uma mediação discreta (na qual predominam mais os comentários do que as perguntas) capaz de reforçar o valor de presença (contigencial, singular, não controlada) daquele que toma a palavra para si. Necessidade, portanto, de afirmação da auto-mise-en- scène na construção conjunta do retrato. Nesse sentido, convidamos o espectador a uma experiência de escuta paciente no encontro com a duração fabuladora e de rememoração da fala das mestras e dos mestres. Ao escutá-los, participamos, por um instante, de outra temporalidade, compartilhada conosco por meio do regime oral de transmissão dos saberes.
A composição do retrato audiovisual é aparentemente simples, mas o resultado para a experiência do espectador é bastante significativo. O que chamamos de retrato é a apresentação de uma conversa com as mestras e mestres, na qual escutamos um pouco de suas histórias de vida; abordamos sua relação com os ancestrais dos quais herdaram os saberes, atitudes e valores que definem sua mestria (bem como as condições atuais para a sua transmissão para os mais novos); pedimos que apresentem ao espectador a cosmovisão que orienta seu saber e os outros elementos a ele associados (as narrativas míticas, os cantos, as rezas, as práticas rituais, os jogos e as danças). Falamos também do que acharam da experiência pela qual passaram na universidade, na sua relação com os alunos, e das condições (com dificuldades e possibilidades) para a sustentação e a disseminação dos saberes tradicionais na sociedade brasileira atual.” (ASPAHAN, GUIMARÃES, 2020, p. 251-252).
Quase não editamos as falas, em busca de preservar a integridade do discurso dos mestres, utilizando apenas subtítulos para separar as sessões.
Direitos de imagem
teste


