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Celebrações da Paróquia Nossa Senhora do Bom Parto
Características do bem
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
No que se refere ao territórios estudados na cidade de Maceió, podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural no bairro do Bom Parto.
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Embora a data da edificação do templo seja incerta, existem registros de sua ocorrência desde 1859 em uma “Planta de nivelamento para encanamento das águas do riacho Bebedouro” (Arquivo da Biblioteca Nacional) e, em 1878, no Almanark da Província das Alagoas quando assim é citada: “Nossa Senhora do Bom Parto (pequena Capella na Cambona)”. Há também um outro registro no Jornal Cruzeiro do Norte (1892) que informa sobre a conclusão das obras do atual templo conforme encontra-se erguido até os dias atuais, esclarecendo assim ter havido a substituição do templo da
“antiga capella”. Em 1949 veio a ser ordenada à condição de Paróquia estendendo a sua ação litúrgica e assistencial. Sempre foi uma igreja marcada por uma programação religiosa animada com
muitos rituais no templo onde ocorriam missas bastante frequentadas aos domingos e, também, por atividades assistenciais à população dos arredores do bairro.
A semana de festividades comemorativas de exaltação à Padroeira (Nossa Senhora do Bom Parto) que ocorria no final do mês de janeiro, podendo ser em data variável, destacava-se por possuir noiteros, hasteamento de bandeiras, quermesses e a procissão com a imagem da santa adornada com rosas, em charola montada com muito empenho da comunidade, circulava por várias ruas do bairro.
Encerrou as atividades religiosas no bairro do nome da invocação em 31 de outubro de 2022, após a realização de uma grande missa. A partir de então os fiéis, ex-residentes e remanescentes no bairro, passaram, temporariamente, a se reunir na igreja do Bom Jesus dos Martírios – centro de Maceió.
Neste ano de 2025, após a construção de nova sede para a relocação do templo, no bairro do Farol (Rua José de Alencar), a data dessa tradicional festividade se deu entre 11 a 21 de setembro.
Contudo, o percurso da procissão se cumpriu a partir de uma formação na frente do anterior templo no bairro Bom Parto como também o seu percurso retomou trechos de ruas do
próprio bairro.
Podemos citar ocorrência de fazedores culturais relacionados a este bem cultural nos bairros de Bom Parto
Localização
Pessoas e Organizações Relacionadas ao Bem
Detentores do bem cultural
Espaços e territórios associados ao bem
Territórios associados ao bem
Espaços associados ao bem
Nome do espaço
Ameaças e Questões Internas
Riscos à transmissão
Baixo - há muitas pessoas transmitindo os conhecimentos
Ameaças externas
Desterritorialização compulsória, perda de territórios e vínculos comunitários
Descreva a ameaça externa
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificado na cidade de Maceió, ocorrido nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Após a desocupação, grande parte do território foi demolida, processo que permanece em curso, tendo os moradores, ex-moradores, fazedores de cultura e população da cidade, perdido espaços e territórios de referência cultural relacionados à práticas e saberes imateriais.
O estudo em questão procurou identificar os fazedores e detentores de saberes vinculados aos bairros atingidos e os bens culturais aos quais se relacionam, bem como a redistribuição desta população, dentro da cidade de Maceió e para além dela, buscando compreender, de modo ampliado, os desafios enfrentados por essa população para lidarem com as consequências do que é considerado o maior desastre socioambiental em área urbana do mundo e o impacto deste, sobre o campo da cultura.
De modo geral a perda dos territórios, dos espaços de socialização comunitária, a desmobilização de redes de manutenção das práticas e repasse dos saberes e a fragilização de vínculos comunitários representam, em maior ou menor medida, uma ameaça aos bens culturais identificados.
Acesso e uso do território
Todos os bens listados nesta plataforma, identificados pelo projeto IPCI, fazem parte de um contexto de desterritorialização e reterritorialização, de saberes, modos de fazer, ofícios e celebrações diversas, identificadas na cidade de Maceió, especificamente nos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Mutange, Pinheiro e Farol.
A população destes territórios, incluindo seus fazedores de cultura, foi forçada a desocupar de forma total ou parcial estes bairros, em virtude da subsidência do solo causada pela ação da mineração.
Boa parte do território já se encontra demolido por determinação da Defesa Civil da cidade de Maceió, processo que segue em curso e em constante processo de reavaliação. Outras partes do território estão desocupadas e seguem com acesso restrito.
Acesso à justiça e direitos humanos
Ao procurar identificar os bens culturais relacionados aos territórios desocupados na cidade de Maceió, em virtude da ação da mineração, a pesquisa do IPCI Maceió realizou ampla busca por fazedores culturais relacionados a diversos segmentos e saberes do patrimônio cultural imaterial.
Para identificação dos bens, foi preciso realizar ampla escuta junto aos fazedores culturais, processo que envolveu compreender também de que modo o deslocamento compulsório afetou as práticas culturais e quais desafios seus fazedores enfrentam, na atualidade, para seguirem atuantes.
A comunidade segue lutando por medidas de mitigação e reparação aos danos patrimoniais e extra patrimoniais decorrentes da desocupação compulsória e da consequente diáspora comunitária.
A realização deste Inventário é uma dessas medidas de reparação e atende à exigência do Acordo Socioambiental firmado pela Braskem e pelo Ministério Público Federal, juntamente com o Ministério Público Estadual, em resposta aos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela defesa civil.
Os resultados alcançados pelo IPCI Maceió são parte de uma resposta aos direitos da comunidade cultural atingida, reconhecendo que o campo da cultura foi fortemente impactado pela perda dos lugares de referência e desmobilização comunitária. Uma luta que dialoga com o direito à cidade, à história, à memória e a vida comunitária profundamente enraizada nos territórios e repletas de redes e vínculos de ordem material, imaterial e simbólica.


