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Suzane Werdt
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Suzana Berte
História de vida
Suzane nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para Petrópolis aos três anos de idade. Desde cedo, cresceu em um ambiente atravessado pela música, muito marcado pela presença do pai, que tocava violão e havia sido músico na juventude. Em casa, a música fazia parte do cotidiano, o que ajudou a aproximá-la naturalmente desse universo. Ainda criança, iniciou os estudos de piano, instrumento ao qual se ligou de forma duradoura e que passou a acompanhar sua formação musical.
Na adolescência, participou de corais tradicionais em Petrópolis, experiência importante na sua formação e no convívio com práticas musicais coletivas. Mais tarde, ingressou no curso de Ciências Sociais na UFRJ, ao mesmo tempo em que retomou os estudos de piano na Escola de Música Villa-Lobos, no Rio de Janeiro. Mesmo sem projetar inicialmente uma carreira profissional na música, ela manteve a prática musical de forma constante, estudando, cantando e tocando ao longo da juventude.
Sua entrada no forró aconteceu há cerca de 20 anos, no Rio de Janeiro, quando foi convidada a substituir a cantora da banda Cor do Sol poucos dias antes de uma apresentação. A experiência, que começou de forma inesperada, marcou seu primeiro show profissional e se transformou em um ponto de virada. A partir dali, aproximou-se cada vez mais do forró, gênero pelo qual desenvolveu forte identificação, tanto pela música quanto pelo vínculo com a cultura popular.
Em 2008, já de volta a Petrópolis, fundou o Trio Dona Flor, grupo com o qual segue atuando até hoje e por meio do qual consolidou sua presença na cena local. Ao longo dos anos, passou a ser reconhecida como uma referência do forró em Petrópolis, não apenas pelas apresentações, mas também pela continuidade de sua atuação, pela pesquisa de repertório e pela dedicação à valorização do gênero. Além do trabalho com o trio, também atua com voz e violão e desenvolve atividades ligadas à produção cultural, escrevendo projetos e participando da articulação de ações voltadas para a música e o forró na cidade.
Sua trajetória também é marcada pela busca constante de aprofundamento musical. Recentemente, iniciou o estudo da sanfona, instrumento que desejava aprender há muito tempo e que passou a ocupar um lugar importante em seu percurso. Esse movimento dialoga com sua vontade de ampliar a autonomia musical dentro do forró, fortalecer o trabalho com repertório e aprofundar ainda mais sua relação com o universo musical ao qual vem se dedicando há duas décadas.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Atuação coletiva
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
Suzane é uma figura central na articulação do forró na Região Serrana, sendo frequentemente citada como referência por outros músicos. Sua rede inclui colaborações constantes com sanfoneiros como George Marley, Ivan Viana e Rafael Meninão, além de produtores culturais e instituições como o SESC Petrópolis. No Trio Dona Flor, essa articulação acontece de forma contínua, por convites, indicações e parcerias com diferentes músicos, já que o grupo não manteve formação fixa de sanfona ao longo dos anos. Além de musicista, Suzane também atua na elaboração de projetos culturais e editais, mobilizando essa rede para viabilizar apresentações e ações ligadas ao forró em Petrópolis.
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Data em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Aprendizado do bem
Esse aprendizado também se deu por meio de pesquisa de repertório, com atenção à obra de Luiz Gonzaga e a compositores menos recorrentes, que orientam suas escolhas musicais. O triângulo foi incorporado na vivência com os grupos e apresentações. Mais recentemente, iniciou o estudo da sanfona, ampliando sua formação dentro do forró.
Lugar onde é praticado o bem cultural
Relação do bem cultural com o lugar
Transmissão de saberes
Transmissão de saberes
Atua como referência para outras mulheres musicistas da região, incentivando a ocupação feminina em instrumentos e palcos tradicionalmente masculinos. Essa transmissão de saberes acontece pela presença continuada no forró e no trabalho com voz e violão em bares, onde passou a ser vista por mulheres mais novas como exemplo de que também é possível cantar e tocar nesses espaços. No próprio forró, sua atuação com triângulo, voz e agora com a sanfona amplia essa referência em uma cena em que, segundo ela, as mulheres costumam aparecer mais como cantoras do que como instrumentistas.
Também contribui para a preservação do gênero através da produção de festivais e registros audiovisuais. Entre essas ações, está a realização de um festival online de forró durante a pandemia, reunindo bandas ao vivo em espaço aberto e gerando registro disponível no YouTube. Sua pesquisa de repertório, a manutenção do Trio Dona Flor ao longo de muitos anos e a circulação de músicas menos tocadas também funcionam como formas de continuidade e transmissão do forró na cidade.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Recebe recursos por meio de editais e chamadas públicas voltadas à cultura, como projetos aprovados para festivais e ações ligadas ao forró. Cita também o SESC Petrópolis como espaço importante de contratação e circulação desse trabalho, inclusive por meio do edital Pulsar. Além disso, parte relevante da renda ligada ao forró vem de apresentações em festas particulares, especialmente no período junino, quando há forte procura por trios e bandas em eventos privados em Petrópolis.


