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Descrição e relevância do território
Em todo processo de evolução urbana de uma localidade há elementos estruturadores e fomentadores desse crescimento, os quais, no caso do povoado de caruaru, localizado na capitania de pernambuco, foram gerados, principalmente, pela situação geográfica da fazenda caruaru, pertencente a josé rodrigues da cruz, com seus currais próximos à ribeira do ipojuca; o caminho das boiadas e a fazenda como ponto de apoio e pernoite; e, como elemento mais forte, a construção de uma capela (ferreira, 2001: p. 105). Conseqüentemente, essas razões permitiram o aparecimento de um pequeno comércio de rua, em frente à capela, de artigos manufaturados de couro e alimentos, o que passou a se chamar de feira de caruaru. Segundo miranda (2005), a relação da feira com o espaço construído existe e é visível, tanto com edificações vizinhas a ela quanto com a capela, e se torna cada vez mais forte pela localização da feira livre e do comércio em volta dela, que atuavam como marco referencial para a localidade, estabelecendo os parâmetros iniciais de uma relação espacial que tendia a ser duradoura. Ainda como povoado, observase o início do crescimento do pequeno comércio ao ar livre e a influência que a forma do local vai ter para isso, decisiva na implantação e fixação desse comércio no caminho das boiadas, já que nele passava grande fluxo de pessoas e de animais, como mostrado anteriormente, resultando em um fenômeno comercial de força e importância regional. Já neste período, continua o crescimento local, refletido na construção de mais edificações, não só na rua da frente, mas também em outras paralelas e transversais, como a rua bela e a nova, criadas posteriormente pela necessidade do assentamento da população que crescia a olhos vistos, contando na época com mais de 1000 habitantes (dias, 1971: p.192) e com novos prédios públicos, como a câmara de vereadores e a cadeia, além da transferência do curral para uma área maior. Essa necessidade de mais espaço físico se refletia também na expansão comercial, em especial da feira, agora um entreposto referencial de comércio, que teve de crescer junto com a localidade. Todos os processos, tanto de crescimento espacial quanto da fixação da relação entre a feira e o povoado, só poderiam acontecer porque a mesma se consolidou no espaço urbano local. Por isso, neste período, a feira livre ocupava trecho maior da rua da frente e outras duas ruas, das 26 existentes, além do curral, onde se realizava a feira do gado, e passa a ter novos atrativos de produtos, referentes à necessidade da população local. A feira de caruaru, agora bem maior do que no momento que iniciou seu crescimento, passa a ocupar nesse período 15 ruas, no entanto, a cidade também passa a crescer além dos limites naturais do rio ipojuca e do morro bom jesus, obtendo o centro a configuração atual. Durante décadas, observouse a estabilidade da relação entre ambas, que fez com a cidade e a feira crescessem constantemente, até a última ocupar o espaço físico definitivo na área central da cidade, por não haver mais possibilidade de expansão. Mas, apesar de constante, esse crescimento acarretou alguns conflitos, como relata o jornal vanguarda (1933) que cita a sujeira na rua do comércio deixada por feirantes que trazem mercadorias dias antes da realização da feira e da localização de animais soltos por longos períodos de tempo, ocasionando quase sempre correrias. Isso ocorria justamente pelo intenso fluxo de compradores em dias de feira e da possibilidade de realização de bons negócios, pois somente a cidade já comportava pouco mais de 30.000 habitantes (população oficial/ibge, 2004), além dos compradores de outras cidades. Para exemplificar as condições do centro da cidade após as feiras, tomouse um relato do jornal vanguarda de 1955: “a calçada, (...) que vai do mercado de açúcar até a casa vila nova, fica quase intransitável, tal é o aglomerado de animais, toldas e frutas, não podendo o transeunte se locomover daquele trecho para o lado oposto da rua, (...). O centro da feira, então, é uma verdadeira babel (...)”. Por todos os problemas trazidos em dias de feira, um articulista do jornal da cidade, “cato” (1949), foi o primeiro a manifestarse publicamente a favor da mudança de lugar para sua realização. Mas data de 1957 a primeira sugestão, via imprensa, para a localização da feira no lugar onde ela hoje está, que era chamado de “campo de monta”, o qual servia de local para reprodução de animais, pertencente ao ministério da agricultura (miranda, 2005). Como conseqüência disso, a feira de caruaru foi transferida, em 1966, para uma avenida afastada do centro, só que não durou muito tempo (apenas 3 anos). Depois de inúmeras reclamações da população, foi relocada para o centro novamente. Em setembro de 1964, cogitouse pela primeira vez a transferência da feira para as ruas floriano peixoto, são roque e praça cel. Francisco dos santos, que além de possuírem baixo tráfego de veículos eram artérias já totalmente calçadas. O calçamento da avenida rui barbosa seria feito no ano seguinte e a feira se estenderia até lá, o que aconteceu somente em 1966. Vale ressaltar a forte influência dos veículos na proposta de mudança no local de funcionamento da feira, já que o centro não comportava, para a época, o fluxo de veículos somados à movimentação de feirantes. “o prefeito drayton nejaim explicou que a feira de caruaru vem se transformando, cada vez mais, em um problema, com seu crescimento, e o trânsito de veículos, no centro da cidade, é quase impossível. Disse o prefeito que as ruas para onde pretende transferir a feira seriam floriano peixoto, são roque, praça coronel francisco dos santos e adjacências, onde há menor movimento de veículos e que estão completamente calçadas. Lembrou que outro local apropriado seria a avenida rui barbosa ... . (...)” 1 em dezembro de 1966, a feira era transferida da rua do comércio para a avenida rui barbosa, o que deu certo, pois pecou pela falta de infraestrutura dos novos locais, como já havia acontecido na gestão do prefeito sizenando azevedo. Novamente a justificativa do aumento no número de veículos na cidade foi usada para o deslocamento da feira para outro lugar. “a tradicional feira de caruaru, conhecida em todo o mundo pela variedade de coisas que nela se encontram, pela sua policromia, foi transferida, da rua do comércio, agora para a avenida rui barbosa. Com exceção do sr. Sizenando azevedo, que, quando prefeito do município, deslocou a feira para a rua felipe camarão e suas adjacências. A mudança durou pouco tempo, pois, devido a injunções políticas, a feira voltou a seu lugar primitivo. A retirada da feira do centro da cidade é uma exigência do progresso de caruaru. O crescimento demográfico e o aumento contínuo de veículos na cidade determinavam, de há muito, essa transferência da feira.” a acessibilidade sempre foi essencial para a sobrevivência da área central. Por esse e por outros inúmeros conflitos no centro, o governo municipal decidiu, em 1988, novamente relocar a feira de caruaru, só que agora para um local mais amplo, segregado, mas próximo ao centro, o antigo campo de monta, atual parque 18 de maio, que era local de reprodução de gado e pertencente ao ministério da agricultura. Nele, procurouse proporcionar todo o apoio e suporte para os feirantes e compradores, dotandoo de infraestrutura necessária como canalização de água e esgoto, banheiros e calçamento, facilitando a mobilidade tanto para pedestres quanto para casos de emergências, incluindo a preservação da relação entre os feirantes das mais diferentes áreas, com a delimitação das áreas seguindo o modelo do centro. Portanto, a feira de caruaru seria implantada com sucesso porque todos os requisitos mínimos foram planejados para incentivar a descentralização espacial da mesma. A área do parque 18 de maio passou a abrigar a feira de caruaru, que ocupava uma área no centro da cidade de 22.760 m 2 e com 1861 barracas, cerca de 4000 feirantes (dados de 1982), enquanto que a feira do gado se localizava no bairro do cajá, próximo ao aeroporto. O parque é cerca de seis vezes maior, com 154.440 m 2 (rodrigues, 1992: p. 05), permitindo, assim, a possibilidade futura de um aumento considerável no número de comerciantes, chegando a ter, em 2004, crescimento de quase 500%, de acordo com comparação entre dados de 1982 e 2004. A regeneração urbana do centro foi uma das intenções do governo municipal de caruaru em retirar a feira, para que ele pudesse “respirar” e ter todo seu vigor de área central retomado, como ponto de comércio para a cidade, já que com a ocupação das vias isso não estava acontecendo. Essa retomada da idéia de transferir novamente a feira de caruaru do centro se deveu a dois fatores, principalmente: a) falta de espaço para expansão, e; b) conseqüentemente, surgimento de conflitos que geraram queda na capacidade de funcionamento da urbe, como ocupação das ruas e congestionamento. Como afirmam dewar e watson apud lyons e mbiba (2003), lugares mais populares são os que estão perto de concentrações populares ou de grande movimento de população, o que se apresenta presente na situação atual, pois o parque 18 de maio está próximo ao centro, que tem intenso fluxo de pessoas. A partir daí, justificase porque também fracassou a mudança para a avenida rui barbosa, em 1966. No entanto, a partir dessa nova disposição, a feira começou a se expandir espacialmente, chegando a ocupar as ruas no entorno, trazendo, por volta do ano 2000, a necessidade de regularização desses espaços, ocupados “inadeqüadamente”. 1 jornal vanguarda. Feira vai sair do centro caruaru: 06 set 1964. Ano xxxiii. N. 1628
Localização
Paisagem e meio ambiente
Dentre as matériasprimas disponíveis para as atividades, encontramse: • barro: retirado das margens do rio ipojuca por associação de artesãos mediante pagamento de taxas. Este barro, no entanto, já está sendo alvo de especulação e falta. • madeira: retirada de árvores da região agreste, na zona rural de caruaru e em cidades vizinhas, porém grande parte dela é ilegal por ser mata nativa da caatinga. • couro: retirado de criações de gado bovino, ovino e caprino de fazendas da região ou senão, importado do sertão do estado, e tratado em alguns curtumes de caruaru, sendo vendido, posteriormente, aos fabricantes de peças de couro. • zinco: comprado no recife, de fábricas de minas gerais. O mais importante recurso hídrico do perímetro urbano de caruaru é o rio ipojuca, principal componente da bacia do ipojuca, muito embora ele esteja altamente poluído, sendo o 3º do brasil em poluição.

