Informações
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Nome completo
Genivaldo
História de vida
O entrevistado começou a trabalhar aos quatorze anos de idade na oficina de um de seus irmãos mais velhos. Desde então, seu genivaldo nunca mais abandonou a profissão, trabalhando ora como empregado de empresas privadas, ora como autônomo.
Localização
Aprendizado do bem
Sr. Genivaldo aprendeu o ofício com o irmão mais velho, que também ensinou o ofício de tornearia em madeira a outros irmãos, primos e parentes próximos. “aprendi com meu irmão, encostado ao mais velho. Meu irmão formou outras pessoas e hoje tem um bucado de torneiro que já foi feito por ele. Meu irmão estudou no senai. Aí ele tinha um torninho e uma oficina feito essa minha, que ele colocava a gente pra trabalhar e aí fomos aprendendo. Esse que me ensinou faleceu, mas tenho um outro irmão em são paulo e um aqui que é torneiro também.” na ocasião, ele tinha por volta de 14, 15 anos. O irmão que o ensinou já faleceu. Os filhos do irmão de seu genivaldo não prosseguiram a tradição familiar de domínio da técnica de confecção em madeira. Eles atuaram no ramo apenas em setores administrativos das empresas montadas pelo pai. “meu irmão alugou um quartinho e colocou um torninho, depois mais outro... Nessa mesma rua. E no fim ele terminou com duas serrarias... Bem de vida. Ele faleceu, mas deixou a família bem.” “os filhos desses meus irmãos não quiseram aprender a profissão com ele porque já começaram a trabalhar na administração da empresa de serraria montada pelo pai. Hoje eles são donos de serraria.” seu genivaldo narra como se deu o processo de sua aprendizagem no interior da oficina de seu irmão: “olha, a gente para aprender começa como? Ele dizia: ‘menino, faça essa limpeza! Menino, pega isso aqui!’ e a gente ia olhando ele trabalhar. A gente ia olhando ele trabalhar, fazendo as coisas mandado, ia buscar o almoço dele, na hora do almoço... Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe re 10 q60 09 aí a gente vai olhando e tendo uma chancezinha de colocar uma peça na máquina e tenta fazer alguma coisa... De ir trabalhando até se tornar um profissional. Se num prazo de um ano você não se tornar um profissional você pode desistir. (risos)”
Transmissão de saberes
Seu genivaldo revela que tem dificuldades em transmitir de forma didática o saber que possui, embora tenha ensinado aos filhos e ensina a eles até hoje algumas das técnicas que possui. Corroborando a impressão que possui de si mesmo de que não é um bom professor, ele cita alguns casos em que tentou ensinar ou foi procurado por terceiros para que lhes ensinasse. “nunca consegui ser professor... Uma vez veio uma senhora que até ficou meio assim comigo. Ela faz uns bichinhos de renda que é muito antigo... E eu até já fiz uns pra ela. Então ela quis aprender... Quis comprar um torno de madeira pra poder vender pra fora. Aí ela chegou pra mim e disse: ‘seu genivaldo, vamos fazer um negócio? Eu vou comprar um torninho, vou colocar lá em casa pra você me dar umas aulas. Eu disse pra ela que pra dar aula eu sou meio ruim. E também acho que esse trabalho não é muito pra mulher não, sabe?!! Ela veio umas três vezes, mas eu estava sempre ocupado. Mas tem mais de dois meses que ela não vem, deve ter se aborrecido. (risos)’. Uma vez apareceu um outro senhor, que é aposentado do exército, que comprou um torno e pediu pra dar umas aulas pra ele. Ele me chamou pra ir na casa dele, mas rapaz, pra ser sincero, eu não quis ir não.” outro dado interessante fornecido pelo entrevistado diz respeito à restrição que julga existir ao exercício feminino do trabalho de tornearia em madeira. Segundo ele, a natureza do trabalho torna imprópria a sua prática pelas mulheres: “esse trabalho joga muito o cavaco, que é o pó da madeira, em cima da pessoa. E homem trabalha sem camisa, pois trabalha bem à vontade. E com mulher não tem jeito, porque imagina jogando o cavaco todo em cima da pessoa (risos). Então eu falo que pra homem dá certo, mas pra mulher não. E essa mulher que quis aprender disse que na casa dela ela trabalhava como ela quisesse (risos).” o entrevistado conta não ter adotado um método específico de ensino quando passou a técnica aos filhos. Segundo ele, é a atitude de observação o principal meio necessário na incorporação do saber. “olha... Ensinei meus filhos justamente da maneira como eu aprendi. Eles ficavam aqui olhando, fazendo algumas coisas e aos poucos foram fazendo tudo e aprenderam o serviço. Giovanni ainda estudou no dom bosco e fez um curso profissionalizante no colégio. Ele aprendeu lá e a parte de marcenaria ele sabe fazer. O outro irmão trabalha com essas máquinas mais modernas numa serraria aqui perto, esse se chama gilmar. E o mais novo [genivaldo almeida santos júnior] trabalha aqui comigo, fazendo a parte de marcenaria e de tornearia aqui na oficina.” sr. Genivaldo diz que a profissão “está acabando” e que não existem muitos outros torneiros. Este fato, segundo ele, deve-se à invenção do torno copiador, que consiste numa máquina responsável por toda a execução do trabalho. Essa máquina, além de descartar o trabalho manual, produz em maior quantidade e com mais rapidez. Segundo ele, mesmo que a qualidade do trabalho manual seja inigualável, as pessoas também deixaram de exigir peças mais bem acabadas, o que acaba por comprometer a vida do ofício.

