Informações
Projeto relacionado
Nome completo
João brasilino
História de vida
Começou a trabalhar com construção civil fazendo casas para si mesmo e seus familiares. A partir de então, passou a construir para a cohab e não parou mais, até entrar para o ramo de restauração por volta dos anos 1970.
Localização
Aprendizado do bem
O pai do sr. João brasilino era agricultor no sertão de pernambuco. O entrevistado começou a trabalhar com construção civil com aproximadamente 20 e poucos anos, começou fazendo “barraco” para ele mesmo e foi tomando gosto, conforme sua fala. Depois começou a andar e ‘ressuscitou’ uma empresa pequena, “no governo de castelo branco a cohab construiu muito. Eu fiquei com a empresa uns 10 anos. Depois a cohab parou de construir em pernambuco, foi quando eu procurei a fundarpe, trabalhei sete anos no estado e depois recebi o convite de jorge passos e estou com ele há 22 anos”. “tínhamos uma escola em olinda e lá fui aprendendo. Mas mais a teoria, pois a prática mesmo é só dentro da obra. Em olinda era uma escola que tinha pra ensinar os alunos a trabalhar com restauração. Era uma escola que ensinava o grupo de alunos a trabalhar com restauração. Foi mais ou menos em 1975 ou 1979, mais ou menos isso. Nessa escola aprendemos um pouco, mas a prática foi na obra. Nesta escola tive meu primeiro contato com restauração, pois antes eu trabalhava em construção comum. E quatro anos depois de estudar eu passei a administrar a obra, fiquei administrando e administrando eu vou com 35 anos, administrando restauração, que nós chamamos de mestre de obras. Que é meu papel até hoje.” “restauração não é tão fácil como se pensa. Muita gente quer trabalhar com restauração, pensando que é fácil... Mas uma restauração desta [diz se referindo à restauração da igreja do pilar, em recife, onde a entrevista foi realizada] você tem que retirar esses materiais e mandar para laboratórios para saber se tem sal ou porque aparecem aquelas manchas que nós chamamos de florescências... Vai pro laboratório e a gente espera o laudo que sai em duas ou três semanas vem indicando o porque. Aí a gente vai procurando eliminar aquele fator que está dando problema na restauração. Pode até alguém pensar, mas esta parede a gente pega com a mão o reboco sai, porque isto é um tijolo cru, tijolo que a gente chama de tijolo manual ou tijolo maciço, muitas vezes eles são crú. A gente encontra nestas restaurações uma parede de taipa. Uma parede de taipa é tapada com barro, se colocar cimento o cimento é forte e aí puxa, se solta da parede.”
Transmissão de saberes
O entrevistado narra o processo de aprendizagem passado dentro da própria obra. Essa forma em que se dá a transmissão dos conhecimentos na área de restauro, vale ressaltar, se repete no contexto representado pelos demais questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe re 10 q60 17 ofícios investigados pela equipe de pesquisadores do projeto mestres artífices, conforme o relato da maioria dos mestres entrevistados. “sempre quando pegamos uma obra que vai durar um ano, um ano e pouco, se usa colocar uma escolinha para ensinarmos até os nossos serventes, pedreiros que trabalham na obra. Porque nós temos profissionais bons, mas, às vezes, não temos profissionais habilitados para fazer aqueles ornamentos. Então a gente tem que ensinar. Fazemos às vezes um galpão e pegamos três a cinco trabalhadores, que podem até ser profissionais, para ensinarmos como é feito... O material utilizado... Usamos fazer isso nas próprias obras nossas.” segundo o senhor joão brasilino, alguns de seus alunos foram trabalhar com ele na empresa a qual é funcionário efetivo. Esses ex-alunos se tornaram carpinteiros especializados em restauração e, segundo ele, possuem muita habilidade para o serviço de carpintaria.

