Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Severino
História de vida
Segundo a esposa de seu severino, a atividade começou em sua casa há 42 anos, quando o marido comprou as máquinas necessárias à fabricação do ladrilho e montou sua oficina nos fundos de sua casa. Desde o princípio, o trabalho se realizou no interior da esfera familiar, contando com a participação da esposa e um de seus filhos. “depois que severino aprendeu a fazer o mosaico, ele foi trabalhar como tratorista. Só depois é que nós montamos essa oficina, quando viemos morar aqui, que já faz 42 anos quando a gente começou a comprar as máquinas e a fazer. Na época, nós tínhamos 5 filhos pequenos e só ele trabalhava, pois eu tinha que cuidar das crianças e não podia trabalhar fora. Aí a gente tinha vontade de abrir um negocinho pra ajudar, né? Porque tinha que educar as crianças, comprar as coisinhas... E toda a vida eu gostei de trabalhar, sabe?! Então, como eu não podia trabalhar fora, eu tinha vontade de montar um negócio em casa, porque aí eu trabalhava e tomava conta da casa e das crianças. Aí a gente era muito amigo de mané camilo, que tinha uma fábrica de ladrilho e era muito amigo nosso. E foi a partir daí que nós entramos aos poucos nos negócios, fazendo um sacrifício, juntando um dinheirinho... Compramos a prensa, né? Aí a gente foi fazendo tudo manual e fomos trabalhamos, buscando qualquer trocadinho que ajudasse... E até hoje ajuda, né? Severino viajava a trabalho e eu ficava aqui tomando conta. E o trocadinho que sobra a gente vai ajudando com alimentação, com remédio...”
Localização
Aprendizado do bem
Seu severino aprendeu o ofício de produção de ladrilho hidráulico quando foi morar num internato para menores infratores e abandonados em recife - pe. Como havia sido abandonado pela família quando criança – os pais morreram quando ele era criança e os irmãos não quiseram criá-lo -, seu severino foi encaminhado para a febem e lá teve a oportunidade de aprender o ofício. “quando eu era rapaizinho mais moço, trabalhei no juizado de menores, em recife. Mas muita gente lá não queria saber de nada não, que não queria nada na vida. Mas eu trabalhei, porque barriga cheia é uma coisa que o camarada deve buscar na vida. Porque funcionário público ganha muito pouco, e aí eu fazia essas coisinhas pra poder arrumar um feijãozinho... Se você vier comprar 100 metros de mosaico aqui eu tenho condição de fazer.” “com 15 anos eu já trabalhava. Trabalhava sem ganhar nada lá na casa de menor, pois era só pra aprender mesmo. Naquela época era a febem, né? Hoje é que mudou o nome de febem. Então lá eu ia e pegava um feijãozinho. E lá podia escolher o que queria fazer... Marceneiro, pedreiro, ferreiro... E tinha um monte de coisa que você ia e fazia. Depois desse tempo eu tive um chefe que era engenheiro e professor de engenharia, o dr. Leônidas, e foi com ele que eu aprendi a trabalhar na vida. Era uma pessoa que eu respeitava muito... E que me ajudou bastante. Ele me chamava de muleque. ‘vem cá muleque...’ era assim que ele me chamava. Ele gostava de mim e queria o negócio tudo certinho. Então ele me perguntava o que eu estava fazendo e se eu dizia que não estava fazendo nada, então ele arrumava um serviço pra mim... Aterrar um buraco, com carrinho de mão num peso medonho. Ele me pegava pra almoçar e botava pra almoçar na mesa mesmo, aqui em olinda. Ele era professor do ginásio pernambucano, presidente da cohab...” aprendeu o ofício com o professor de arte da febem na época em que esteve internado. Segundo seu severino, ele se chamava dr. Rodolfo. “no princípio eu não queria mexer com aquilo não, sabe?! Porque soltava uma tinta e uma poeira que deixava o camarada todo sujo. E é um serviço pesado também... Na época não tinha uma prensa desse tipo que usa hoje. Era uma marreta de 20 quilos.” a maior parte dos pedidos recebidos por seu severino é proveniente de indicação de clientes. A casa cor de recife também possui modelos de mosaico produzidos na oficina de seu severino, o que acaba rendendo, em alguns momentos, oportunidades de trabalho. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe ol 10 q60 32
Transmissão de saberes
Seu severino é responsável pela difusão da técnica de produção do ladrilho hidráulico em sua família, o que confere um caráter de produção familiar ao negócio mantido por ele. Além dele, a esposa e neta participam da atividade. “ana carla [neta] é a minha secretaria. (risos) quando eu não estou em casa, ela é quem resolve os negócios.” o entrevistado ensinou seu filho, genival paes da silva, único entre os filhos que herdou do pai a técnica de produção de ladrilho hidráulico. Atualmente, o filho não está trabalhando com a produção de ladrilhos. Além do filho, seu severino ensinou e ensina os ajudantes que são contratados periodicamente para trabalhar em sua oficina. A maior parte dos ajudantes contratados é servente de pedreiro em obras convencionais de construção civil. Esses funcionários não permanecem por muito tempo na oficina de produção de ladrilho porque a demanda por trabalho não é constante, o que os forçam a recorrer a outras formas de emprego.

