Informações
Projeto de identificação relacionado
Apresentação
O centro de cultura e educação daruê malungo é uma organização não-governamental (ong) que trabalha com crianças e jovens do bairro de chão de estrelas no recife. Este centro foi fundado em 1988 pelo mestre de capoeira, educador e dançarino gilson santana, conhecido como mestre meia-noite, com o intuito de desenvolver um processo educativo a partir de elementos da cultura popular. O nome “daruê malungo” é uma expressão que na língua africanaiorubá que significa “parceiros na luta”. O centro oferece aulas gratuitas de dança popular (frevo, maracatu, coco),danças afro (maculelê, afoxé), capoeira, percussão, artes plásticas, alfabetização e apoio pedagógico a aproximadamente 150 crianças e jovens. Esta ong é mantida por meio de projetos, de apresentações do grupo de dança daruê malungo e da produção de camisetas, adereços e instrumentos musicais. O gênero desta atividade é dança e o público envolvido se constitui pelos alunos, professores, pessoas da comunidade e por aqueles que assistem aos espetáculos. Não há um tempo estimado para as apresentações porque este tempo varia de acordo com o espetáculo ou evento que o grupo esteja participando. No caso do frevo, os movimentos mais característicos são os próprios passos dos quais os mais executados no daruê são aqueles que se vinculam a capoeira: “tesoura”, “pernada pra trás”, “pernada pra frente”, entre outros.
Localização
Formação do grupo
De acordo com a entrevistada, no inicio era apenas um grupo de capoeiras formado por homens. Este grupo que era chamado de “capoeira malungo” era composto pelo mestre meia-noite, seus irmãos, primos e amigos. Com a entrada das irmãs, primas e vizinhas de meia-noite (nomes não citados) o grupo passou a se chamar daruê malungo, mas ainda assim era apenas um grupo de dança que fazia trabalhos nos fins de semana e não tinha um espaço físico próprio para realizar os ensaios. Este grupo trabalhava em escolas, centros sociais urbanos ou na própria rua onde eles moravam – a entrevistada entrou no grupo neste estágio. Em 1988 vilma moura (que já fazia parte do grupo) e meia-noite viajaram para áfrica e passaram três meses lá com o balé popular do recife. Neste período eles conseguiram juntar dinheiro para construir uma casa no recife. O pai de meia-noite cedeu o terreno e eles resolveram construir uma sede que, durante o dia, pudesse trabalhar voluntariamente para a comunidade oferecendo aulas de capoeira e a noite o mestre meia-noite daria aulas de capoeira para um grupo de médicos, advogados e psicólogos que ele já vinha dando aulas na casa da cultura (recife/pe). Neste último caso as aulas seriam pagas por estas pessoas. Só que na época, como relata a entrevistada, o bairro de campina do barreto – onde foi construída a sede e que está estabelecida até hoje – “era muito esquisito e tinha poucos moradores. Os ônibus não chegavam até aqui e aí as pessoas, claro, não quiseram fazer aulas aqui”. Desta forma, o daruê passou a funcionar durante o dia todo para a comunidade realizando atividades de forma voluntária. Neste período (há dezoito anos atrás) surgiu a necessidade de trabalhar não só com dança e capoeira, mas também com educação porque nesta época a maioria das crianças da comunidade não freqüentava a escola formal, então, passou-se a fazer um trabalho educativo de maneira informal, no sentido de ensinar estas crianças a ler e a escrever. E até os dias atuais este trabalho educacional é mantido e intensificado para que as crianças ingressem na escola formal e não desistam de concluir o ano letivo no caso de enfrentarem dificuldades de acompanhar o ritmo desta escola que, de acordo com vilma moura, era o que acontecia frequentemente como os alunos da comunidade, uma grande evasão escolar. Atualmente, o daruê funciona em dois horários: pela manhã (7:30 as 11:30) e pela tarde (13:30 as 17:30). Trabalha com crianças de três a vinte e um anos de idade, mas não exclui pessoas que ultrapassem desta faixa etária. Oferece aulas de dança, acompanhamento pedagógico e oferece diversas oficinas: de percussão, confecção de instrumentos musicais, fantasias e adereços; de trabalhos com artes plásticas, de artesanato como bordados, crochê, entre outras. Todos os sábados são feitas apresentações públicas para a comunidade gratuitamente. No daruê, como destaca a entrevistada, os alunos aprendem não apenas a dançar e confeccionar seus próprios figurinos, eles também aprendem a conservá-los e ter cuidado com estes objetos que eles mesmos fizeram. Com relação a entrevistada ela trabalha nesta atividade como meio de vida porque é profissional nesta área e também porque gosta do que faz.

