Informações
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Nome completo
Antônio Rodrigues De Souza
História de vida
Pescador aposentado, senhor mesquito pescava paru, galo e pampa usando a técnica da pesca tradicional de caçoeira, mangote – redes pequenas de arrasto na costa puxada por duas pessoas uma na areia e outra no paquete no mar - e de linha chumbada no rosário em pedra das conchas. Foi proprietário de uma paquete e uma baiteira de boca aberta. Em seguida, pescou camurim, pescada, cururucu com rede de espera nylon 80, 100 em sua baitera de convés e pescou lagosta com rede de arrasto e mazuá [ou covo] e camarão usando a técnica de rede de arrasto.
Localização
Descrição da atuação em rede
Pescador aposentado, senhor mesquito pescava paru, galo e pampa usando a técnica da pesca tradicional de caçoeira, mangote – redes pequenas de arrasto na costa puxada por duas pessoas uma na areia e outra no paquete no mar - e de linha chumbada no rosário em pedra das conchas. Foi proprietário de uma paquete e uma baiteira de boca aberta. Em seguida, pescou camurim, pescada, cururucu com rede de espera nylon 80, 100 em sua baitera de convés e pescou lagosta com rede de arrasto e mazuá [ou covo] e camarão usando a técnica de rede de arrasto.
Aprendizado do bem
Sobre o seu aprendizado na atividade de pesca, senhor mesquito relata: “o negócio é que filho de gato é gatinho. Meu pai era agricultor e começou o meu pai a pescar com tarrafa, depois com as caçoeiras pescando na costa e eu pescando com ele. Depois, ele comprou uns barcos e me colocou para pescar no mar e ele comprava o peixe. Ele ficou como vendedor de peixe. Foi meu pai que me ensinou a pescar. Comecei pegando um peixinho e ganhava um dinheiro. . . Ninguém pegava em dinheiro, pegamos e ficamos achando bom. Naquele tempo, era muito difícil escola. Meu pai não tinha condição e escola não tinha mesmo. Então, o jeito era pescar mesmo. Meu pai chamava francisco rodrigues de almeida – ele era mais pescador de tarrafa – pescava taúna, tainha dentro deste rio. Quando ele ia jogar tarrafa, colocava me no cangote e atravessava a gente até as camboas. Ele nadava, a gente não sabia nadar. Meu pai morava em canto da lagoa e vinha no jumento aqui pro rio e fazia a hora de lancear na maré seca. Eu comecei a pescar com uns 10 anos. Quando eu comecei a pescar em rosado, eu pescava de caçoeira, mangote na costa. A gente pescava camarão – isso devia ser na década de 1960 - e a gente vendia ele seco. Pegava ele na costa de mangote, de tarrafa, do jeito que for, cozinhava com sal eu comecei com meus irmãos e com meu pai que fazia essas redes. Meus avós das duas partes não eram da pesca, não. Um era agricultor e o outro era comerciante”. E continua: “comecei pescando no mar aberto em rosado com menos de 12 anos. A primeira vez que eu fui pro mar eu pesquei em paquete - o paquete era feito de pau de mulungu. Eu já era professor de fazer rede e só parei agora que aposentei, que me coloram na colônia. O nome do meu paquete era cachaceiro e foi comprado de um cara que tomava muita cachaça lá na praia do rosado. O paquete era de pau de mulungu. Depois, eu pesquei em baitera de boca aberta e, agora, eu tenho uma baitera de convés fechado. Eu fui mudando [de embarcação]. Mas, eu nunca pesquei de quinhão, sempre tive minha baiterinha, boca aberta, alugada, mas era eu quem mandava na minha pescaria mesmo. Depois, meu irmão fez uma baitera de convés – ela tem seis metros e sessenta centímetros – para mim em 1982 e eu ainda tenho ela. Quem fez pra mim foi o carpinteiro joão alvares brasão, o maguinho. Fiz três trabalhos grandes com ela. Pescava de tudo, muito puru, bagre de serra, tudo. . . O nome da minha baitera é o nome de minha filha, barco de pesca alciene. Mas, me arrependi muito”. “eu me aposentei em outubro de 2009, foi agora. Tinha vez que eu mandava o barco, mas eu é que cuidava das redes - zelar, remendar, fazer. Tudo isso era eu. Eu parei de ir pro mar depois que me colocaram na colônia em 2000 mais ou menos. Quando eu não estou pescando, gente ia pescar na minha baitera na meia. Mas, até hoje quem cuida das redes e da minha baitera sou eu. Eu não saio pro mar, mas quem cuida sou eu. Eu nunca deixei minha baitera se acabar, ela está velha só no nome porque ela está toda novinha ai. Eu não pesco mais. Mas, minhas redes ainda estão todas lá guardadas. Eu deixo elas se acabarem, toco fogo, mas não vendo porque foi minha. . . Eu criei minha família todinha com elas. Já tive um bucado de dinheiro guardado, hoje, não tenho nada. Mas, já tive e tudo graças a elas. Ganhei muito dinheiro, peguei muito camurim, redada de 200 quilos de camurim. Eu tenho minhas redes lá. . . E não vendo não. Eu não pesco mais, mas, não vendo. Estão todas guardadas no fundo do meu quintal. Eu tinha também um armazém na praia”.
Transmissão de saberes
“eu ensinei, ensinei para o meu sobrinho que é um grande pescador de peixe, de camarão, camurim também. . . Começou comigo, ele era meu proeiro e, hoje, é dono de um motorizado – ele comprou um bote de três cilindros -, dono de muita rede aqui e pescador que tem condição hoje em porto do mangue. Ele é o mestre, dono e tudo. Ele se chama francisco carlos de lima. Começou só com rede, fizemos um empréstimo no banco do nordeste em 1995. Eu tirei quatro mil reais e ele tirou quatro mil reais. O banco do nordeste pagou a rede de pesca e fizemos tudo de rede. Muita gente dizia que a gente não ia pagar, que íamos engalobar, que o banco ia tomar nossa casa. Nós pagamos tudo certinho. Tem um primo meu também, francisco rodrigues de almeida, que pescou muito comigo quem está pescando nela [na sua baitera] é esse meu primo – ele também é aposentado desde de 2008. Ele está pescando camurupim. Ele sempre pega camurupim de 50, 40 quilos. ”

