Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Oremildes Alves Oliveira
História de vida
Oremildes nasceu em 1970 e com cerca de 8 ou 9 anos, ele e seus irmãos já percebiam o movimento dos seus genitores para colher a sempre-viva. Quando completou 10 ou 11 anos, em 1980, já ia para os campos de coleta juntamente com os pais, quando estes iam para os campos mais próximos. Ele recorda que até o ano de 1992 ele extraiu a sempre-viva. Em 1999 começou a trabalhar no projeto sempre-viva, só se retirando do cargo de coordenador em 2001, quando foi convocado para o cargo de secretário de turismo e meio ambiente de mucugê. Saiu do cargo em 2008. . Página 2 de 19
Localização
Descrição da atuação em rede
Oremildes nasceu em 1970 e com cerca de 8 ou 9 anos, ele e seus irmãos já percebiam o movimento dos seus genitores para colher a sempre-viva. Quando completou 10 ou 11 anos, em 1980, já ia para os campos de coleta juntamente com os pais, quando estes iam para os campos mais próximos. Ele recorda que até o ano de 1992 ele extraiu a sempre-viva. Em 1999 começou a trabalhar no projeto sempre-viva, só se retirando do cargo de coordenador em 2001, quando foi convocado para o cargo de secretário de turismo e meio ambiente de mucugê. Saiu do cargo em 2008. . Página 2 de 19
Aprendizado do bem
Oremildes nasceu em 1970 e com cerca de 8 ou 9 anos, ele e seus irmãos já percebiam o movimento dos seus genitores para colher a sempre-viva, como também outra espécie localmente conhecida como botão (era o botão íris e o botão mole), pois eram as espécies mais comercializadas naquele período. Ainda criança oremildes tem recordação de solicitar aos seus genitores que trouxessem dos campos “um mói de sempre-viva”, para que eles pudessem comercializar nos centros de troca. Após a chegada dos pais, os filhos levavam as sempre-vivas para serem comercializadas, a depender da quantidade. Quando era o “botão”, pois não vinha arrumado em feixes, os filhos e a mãe passavam a arrumá-lo. Existiam algumas espécies de botão que era necessário cortar os talos. Portanto, os filhos, que seriam os iniciantes (aprendizes) desta atividade, passavam a se familiarizar com o tal ofício muito cedo, em casa. O trabalho consistia em juntar, arrumar e levar para o comprador (antônio venâncio, sandoval paraguassú, etc. ). Normalmente os catadores já tinham uma dívida anteriormente estabelecida com esses compradores, e quando levavam novos feixes para venda havia o abatimento da dívida. Esses compradores eram os mesmos que comercializavam os mantimentos básicos como feijão, arroz, farinha, sal, etc. Dessa maneira, se estabelecia uma relação de dependência, na qual os coletores se viam obrigados a vender sempre-vivas e comprar mantimentos com o mesmo agente econômico, que regulava os preços num cenário sem concorrência. Quando completou 10 ou 11 anos, em 1980, já ia para os campos de coleta juntamente com os pais, os mais próximos tais como a larga de adão, moreira, gobira de baixo, morro fervido, larga e fraze. Os campos mais distantes, como gobira de cima, machambongo, campo alegre, larga de dentro, larga de liobino e pedra redonda, eram pra os adultos. As crianças só começavam a freqüentar estes campos quando já completavam 12 ou 13 anos, pois com essa idade elas já conseguiam caminhar o dia todo. Nessa idade ainda não podiam passar a noite nos campos, iam e retornavam no mesmo dia. Segundo ele, as crianças daquele tempo eram fortes. Era comum, as pessoas chegarem a passar uma semana inteira nestes campos mais distantes. Porém, quando ainda criança, a quantidade de sempre-viva retirada era pouca. Segundo oremildes, era como se fosse um treinamento. Os adultos que já tinham habilidade tiravam bastante. As crianças chegavam a retirar metade daquela quantidade dos mais treinados. Nesse tempo, apesar de colher poucas sempre-vivas, as crianças já sabiam diferenciar as inflorescências que eram vendáveis aos compradores. Se estas inflorescências estivessem ainda fechadas, porém de coloração branca ou com furinho no meio, poderia ser retirada. Estes botões só não abriam depois de extraídos, caso fossem retirados com coloração amarelada, tipo cor de ouro. Ele não se recorda com precisão do tempo que passou extraindo sempre-viva, porém relata que iniciou no ano de 1982, quando já tinha 12 anos de idade. Em 1985, o parque nacional da chapada diamantina foi criado e a extração da sempre-viva foi proibida, apesar disso a população ainda retirava de forma clandestina, já que a fiscalização era precária. Ele recorda que até o ano de 1992 ele continuou extraindo sempre-viva. Ou seja, nove anos após a criação do parque nacional da chapada diamantina (pncd), ainda existia coleta de inflorescências em mucugê de forma clandestina. Página 3 de 19
Transmissão de saberes
Oremildes chegou a ensinar a irmãos mais novos e também a amigos que ainda não sabiam retirar as sempre-vivas nos campos de coleta.

