Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Florisvaldo Souza Azevedo
Data de nascimento
16 de dezembro de 1957
História de vida
Mestre florisvaldo é produtor de cal em pequena escala. Trabalha em um terreno que é seu, onde aprendeu com seu sogro a produzir a cal. Conta que houve tempos mais prósperos para a produção artesanal de cal e que hoje a atividade tende a se extinguir. “hoje quem trabalha com essa cal aqui só meu irmão e jão, colega nosso. Só nós três. ” florisvaldo que é o principal responsável pela produção, e trabalha em todas as etapas. Segundo ele: “não paga o trabalho da pedra e da lenha. Eu não compro pedra, eu não compro lenha, não pago trabalhador, eu carrego minha caçamba sozinho. Carrego meu carro, vou arrumando e carrego. Nunca esperei por ninguém. Se eu achar que queime de noite eu queimo de noite e de dia. Já cansei de fazer, eu tinha um forno com quatro caçambas de lenha, eu amanhecia o dia. ” este a pedra bruta passa então pelo processo de beneficiamento para se transformar em cal. Este processo passa pelas etapas quebra a pedra, retirada da lenha na região de iraquara para a queima no forno de barro, queima das pedras, esperar as pedras esfriarem por 3 dias, retirada das pedras, molhar as pedras para que ocorra a evaporação do ácido e estas virem pó, passa a cal pela peneira e ensacar a para venda. Os fornos foram feitos por florisvaldo, são construídos em adobinho em forma circular. A fornalha possui duas bocas sobrepostas: a superior para coloca-se a lenha e a inferior serve como deposito das cinzas resultante da queima da madeira. A queima das pedras dura em torno de 20 horas para 20 toneladas de pedra bruta e 30 horas para 40 toneladas de pedra bruta. O município de iraquara possui várias unidades de produção de cal destinadas a construção civil. Com a chegada do cimento industrializado a produção diminuiu consideravelmente. “antigamente usava a cal em parede em construção, igual a gente usa cimento hoje. Aí foi caindo aos poucos, porque pra construir com cimento é bem mais fácil, aí o povo foi deixando de usar a cal. Aqui em iraquara com meu irmão nós produzíamos uma faixa de vinte toneladas de cal por semana, hoje produzimos umas dez [toneladas] por mês. ” a cal produzida é comercializada na cidade de iraquara e também para regiões vizinhas. A venda da cal é uma das principais dificuldades enfrentadas por florisvaldo, quando encontra comprador ele pode vender a cal a um preço bom, quando vende aos atravessadores consegue a metade do valor, mal cobrindo as despesas para produzir a cal. “a gente sofreu muito com isso aqui na mão de atravessador, até hoje ainda sofre. Eu vendo o saquinho de 10 kg aqui por quatro reais, se eu precisar de um dinheiro e vender o saco de cal eu vendo pra ele [atravessador] por r$2,15”.
Localização
Descrição da atuação em rede
Mestre florisvaldo é produtor de cal em pequena escala. Trabalha em um terreno que é seu, onde aprendeu com seu sogro a produzir a cal. Conta que houve tempos mais prósperos para a produção artesanal de cal e que hoje a atividade tende a se extinguir. “hoje quem trabalha com essa cal aqui só meu irmão e jão, colega nosso. Só nós três. ” florisvaldo que é o principal responsável pela produção, e trabalha em todas as etapas. Segundo ele: “não paga o trabalho da pedra e da lenha. Eu não compro pedra, eu não compro lenha, não pago trabalhador, eu carrego minha caçamba sozinho. Carrego meu carro, vou arrumando e carrego. Nunca esperei por ninguém. Se eu achar que queime de noite eu queimo de noite e de dia. Já cansei de fazer, eu tinha um forno com quatro caçambas de lenha, eu amanhecia o dia. ” este a pedra bruta passa então pelo processo de beneficiamento para se transformar em cal. Este processo passa pelas etapas quebra a pedra, retirada da lenha na região de iraquara para a queima no forno de barro, queima das pedras, esperar as pedras esfriarem por 3 dias, retirada das pedras, molhar as pedras para que ocorra a evaporação do ácido e estas virem pó, passa a cal pela peneira e ensacar a para venda. Os fornos foram feitos por florisvaldo, são construídos em adobinho em forma circular. A fornalha possui duas bocas sobrepostas: a superior para coloca-se a lenha e a inferior serve como deposito das cinzas resultante da queima da madeira. A queima das pedras dura em torno de 20 horas para 20 toneladas de pedra bruta e 30 horas para 40 toneladas de pedra bruta. O município de iraquara possui várias unidades de produção de cal destinadas a construção civil. Com a chegada do cimento industrializado a produção diminuiu consideravelmente. “antigamente usava a cal em parede em construção, igual a gente usa cimento hoje. Aí foi caindo aos poucos, porque pra construir com cimento é bem mais fácil, aí o povo foi deixando de usar a cal. Aqui em iraquara com meu irmão nós produzíamos uma faixa de vinte toneladas de cal por semana, hoje produzimos umas dez [toneladas] por mês. ” a cal produzida é comercializada na cidade de iraquara e também para regiões vizinhas. A venda da cal é uma das principais dificuldades enfrentadas por florisvaldo, quando encontra comprador ele pode vender a cal a um preço bom, quando vende aos atravessadores consegue a metade do valor, mal cobrindo as despesas para produzir a cal. “a gente sofreu muito com isso aqui na mão de atravessador, até hoje ainda sofre. Eu vendo o saquinho de 10 kg aqui por quatro reais, se eu precisar de um dinheiro e vender o saco de cal eu vendo pra ele [atravessador] por r$2,15”.
Aprendizado do bem
“eu sou filho de lapão de irecê, moro aqui há 40 anos. Quando eu vim pra iraquara em 1976 já existia essa cal, então eu comecei a namorar minha esposa e meu sogro trabalhava nessa cal e ai eu entrei mais ele, isso tem 40 anos. ” quando perguntado como ele aprendeu o oficio da produção de cal florisvaldo conta como aprendeu a dirigir. Revela desta forma a relação intrínseca da produção de cal com a estrada, os caminhões e o escoamento desta produção. Florisvaldo nos ensina que este ofício não está delimitado pelo início no corte de pedra e término na venda da cal, tudo aquilo que cerca a produção, como dirigir, carregar a caçamba de lenha, entregar a cal, é condição sine qua non deste ofício. Talvez também seja uma das razões por gostar do que faz, posto que era sonho de florisvaldo aprender a dirigir. Aprender, para esse mestre, consiste em aprender tudo aquilo que permite o exercício deste ofício. Na mesma medida do que foi o aprender, quando fala de ensinar é sobre ensinar a dirigir. Comenta de alguns que viraram caminhoneiros. Lembro que durante a entrevista isso foi algo marcante para mim, até algo que é supostamente controlado por um órgão fiscalizador como dirigir é transmitido oralmente como parte do saber fazer deste ofício. “quando eu aprendi, naquele tempo era muito difícil. E o meu sonho era dirigir sabe? E quando eu cheguei pra iraquara ele [o sogro] tinha uma caminhonete uma f7. Eu comecei a namorar com a minha esposa ele perguntou se eu sabia dirigir, eu disse que não sabia dirigir, o meu sogro me ensinou a dirigir. Assim, como eu tive essa chance, eu gosto de ensinar também. Às vezes eu sou meio nervoso, não tenho muita paciência, mas eu ensino mesmo assim. ” “eu criei cinco filhos, graças a deus, eu era diarista, catava mamona. Ai quando cheguei em iraquara eu comecei a trabalhar por minha conta, graças a deus. Trabalho o dia que quero e criei meus filhos assim. ” página 3 de 18
Transmissão de saberes
Ensinou aos seus dois filhos que sempre trabalharam com ele e hoje exercem o ofício de pedreiro. Também ensinou as diversas pessoas que trabalharam temporariamente com ele. “do jeito que eu fui criado, eu criei os meus, meus filhos trabalhavam comigo a vida toda. Agora foi que depois que eles casaram. . . Depois que chegou esse projeto aqui, pra você ver como é as coisas. Esses dois meninos meus me disseram: eu fechei como pedreiro, hoje eles são tudo pedreiro profissional. Trabalhava tudo mais eu, era tudo junto, eu e mais dois filhos. As filhas me ajudavam quando era pra pegar água pra jogar na cal, mas elas ficaram mais tempo em são paulo, que já tinha as tias delas lá. ” “eu já ensinei muitas pessoas que já trabalharam com a gente. Muita gente que trabalhou mais nós. ” “eu gosto de trabalhar pra mim, desde 1976 nunca trabalhei pra ninguém, sempre por minha conta, ou bom ou ruim. Eu gosto de ensinar. Todos os que vem trabalhar aqui eu ensino a encher o forno, já ensinei a dirigir, e aí hoje é porque ta pegando não ta tendo é mais ninguém com essa garra com essa vontade de trabalhar. ” apesar de ter ensinado a todos que quiseram aprender a continuidade do ofício está ameaçada: “aqui é o seguinte, para continuar esse tipo de trabalho aqui vai ser difícil, o povo não quer trabalhar mais. Antigamente eu e meu irmão ficava meio que administrando, com mais dois ou três trabalhadores aqui. Mas se hoje for arrumar trabalhador pegar as pedras, cortar a madeira quebrar as pedras, eu não faço, porque não acho. Eu ainda to enfrentando, mas acho que pode mudar, vai mudar porque tem muitas pessoas que vão ter voltar pra trabalhar. Eu to quase parando, não tenho muito interesse em continuar com isso aí sabe? Meus filhos acho que vão parar com isso. Isso é serviço só pra quem tem coragem. Tem que ter coragem, não é fácil. Ai eu mesmo faço a masseira, cesso minha cal ensaco, eu faço tudo. ” “muitos que trabalhavam já aposentou. É uma coisa que vai parar, porque só tem nós três. É um serviço muito cansativo, muito pesado, é só luta com pedra. ”

