Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Danilo Santos Rocha
História de vida
Danilo começou a trabalhar com madeira há aproximadamente 10 anos. Antes trabalhava com guia levando turistas principalmente para o vale do pati. A atividade de carpintaria e marcenaria faz parte da tradição familiar, seus antepassados (bisavós, avós e seu pai) executavam serviços de manutenção de peças de engenhos de madeira que lhes pertenciam. Antigamente era comum em todas as famílias, alguns membros dominarem o trabalho na madeira mesmo que fosse apenas para fazer a manutenção de seus equipamentos (carro de boi, roda d’agua, engenhos e etc. ) quando trabalhava como guia começou a pensar em uma alternativa de trabalho, na qual pudesse uma atividade diária. Já que, a atividade de guia é remunerada conforme a demanda de turistas. A história de danilo com a madeira começa quando num determinado dia seu pai encontrou um tronco de árvore no rio e o chamou para ver, diante do achado, ambos, pai e filho, pensaram em pegar o tronco e aproveitarem para fazer alguma coisa. O tronco estava no meio do rio e tinha sido trazido pela tromba d’agua: “falei então para meu pai que no rio devia ter vários jogados e que ninguém dava valor. Pensou então que quando pudessem podiam pegar para fazer alguma coisa. Uns 3 a 4 meses depois do ocorrido houve outra chuva que deslocou o tronco uns 400 a 500 metros abaixo. Deixando o tronco em um trecho do rio bem próximo da casa onde hoje funciona a oficina (na região da mata). Meu pai com a ajuda de amigos tiraram a madeira do leito dório e serram, usando serra de mão e abrirão o tronco com cunhas de ferro (6 metros mais ou menos por 40 de diâmetro) ”. De posse da madeira, tiveram como primeira meta utilizá-la para fazer um banco. A peça de madeira foi então trazida para o local onde hoje funciona a oficina. Iniciaram o trabalho na madeira fazendo o lixamento com a finalidade de prepará-la para a execução do banco. Por coincidência, sua mãe estava abrindo uma lanchonete na vila e necessitava de bancos para as mesas. Ele e o pai pensaram que os bancos executados com este tipo de madeira chamariam a atenção dos clientes. Resolveram buscar mais madeira no rio e conseguiram fazer oito bancos que foram colocados na lanchonete. Os bancos despertaram a atenção dos clientes e estes interessados nas peças começaram a fazer encomendas. Danilo coloca que sua jornada para se tornar marceneiro foi longa, pelo fato dele não ter antecedentes no trabalho com madeira. Segundo ele “seu pai sabia manusear o facão, o machado, a enxó e outras ferramentas menores”. Desta maneira seu primeiro aprendizado ocorreu com seu pai. Decididos em trabalhar com madeira, ele e o pai resolveram então retirar as madeiras que encontraram no rio, juntando o equivalente a três caminhões e as trouxeram para casa. Segundo danilo as pessoas inicialmente falavam que eles estavam ficando malucos. Principalmente em razão de estarem retirando madeiras “podres” e diziam que eles estavam guardando comida para cupim. Eles então começaram a trabalhar todos os dias cortando e lixando as madeiras e deram início a construção de bancos para vender. Dois anos depois o pai comprou o primeiro equipamento, uma moto serra. Neste primeiro período de aprendizado danilo conta que quando via “uma peça na casa de alguém e ficava olhando e analisando, às vezes se metia embaixo para ver como era os encaixes, que ferramentas foram usadas”. Esta sua atitude se dava pelo fato dele não conhecer as ferramentas e as maquinas. Menciona no seu depoimento que muitas vezes perguntava para alguns marceneiros como fazia, mas eles não queriam ensinar. Ai no dia a dia ele foi estudando, observando e vendo que existiam maquinas que faziam determinados trabalhos na madeira (inclusive na internet). Ele por diversas vezes entrou em algumas marcenarias para ver se aquelas máquinas realmente existiam. Assim ele foi identificando as máquinas e aprendendo para o que elas serviam. Foi comprando as maquinas na medida do possível com o resultado do seu trabalho. Segundo danilo, ninguém nunca lhe ensinou a usar a tupia, a furadeira e a serra circular. A própria ferramenta foi quem foi ensinando. O conhecimento que tem na atualidade sobre madeira e para que elas servem, aprendeu como pai: “como tirar a madeira do rio, a época e o horário de tirar a madeira do rio, qual a melhor forma. Todas as espécies de madeira, o abc eu aprendi com meu pai”. Página 3 de 16
Localização
Descrição da atuação em rede
Danilo começou a trabalhar com madeira há aproximadamente 10 anos. Antes trabalhava com guia levando turistas principalmente para o vale do pati. A atividade de carpintaria e marcenaria faz parte da tradição familiar, seus antepassados (bisavós, avós e seu pai) executavam serviços de manutenção de peças de engenhos de madeira que lhes pertenciam. Antigamente era comum em todas as famílias, alguns membros dominarem o trabalho na madeira mesmo que fosse apenas para fazer a manutenção de seus equipamentos (carro de boi, roda d’agua, engenhos e etc. ) quando trabalhava como guia começou a pensar em uma alternativa de trabalho, na qual pudesse uma atividade diária. Já que, a atividade de guia é remunerada conforme a demanda de turistas. A história de danilo com a madeira começa quando num determinado dia seu pai encontrou um tronco de árvore no rio e o chamou para ver, diante do achado, ambos, pai e filho, pensaram em pegar o tronco e aproveitarem para fazer alguma coisa. O tronco estava no meio do rio e tinha sido trazido pela tromba d’agua: “falei então para meu pai que no rio devia ter vários jogados e que ninguém dava valor. Pensou então que quando pudessem podiam pegar para fazer alguma coisa. Uns 3 a 4 meses depois do ocorrido houve outra chuva que deslocou o tronco uns 400 a 500 metros abaixo. Deixando o tronco em um trecho do rio bem próximo da casa onde hoje funciona a oficina (na região da mata). Meu pai com a ajuda de amigos tiraram a madeira do leito dório e serram, usando serra de mão e abrirão o tronco com cunhas de ferro (6 metros mais ou menos por 40 de diâmetro) ”. De posse da madeira, tiveram como primeira meta utilizá-la para fazer um banco. A peça de madeira foi então trazida para o local onde hoje funciona a oficina. Iniciaram o trabalho na madeira fazendo o lixamento com a finalidade de prepará-la para a execução do banco. Por coincidência, sua mãe estava abrindo uma lanchonete na vila e necessitava de bancos para as mesas. Ele e o pai pensaram que os bancos executados com este tipo de madeira chamariam a atenção dos clientes. Resolveram buscar mais madeira no rio e conseguiram fazer oito bancos que foram colocados na lanchonete. Os bancos despertaram a atenção dos clientes e estes interessados nas peças começaram a fazer encomendas. Danilo coloca que sua jornada para se tornar marceneiro foi longa, pelo fato dele não ter antecedentes no trabalho com madeira. Segundo ele “seu pai sabia manusear o facão, o machado, a enxó e outras ferramentas menores”. Desta maneira seu primeiro aprendizado ocorreu com seu pai. Decididos em trabalhar com madeira, ele e o pai resolveram então retirar as madeiras que encontraram no rio, juntando o equivalente a três caminhões e as trouxeram para casa. Segundo danilo as pessoas inicialmente falavam que eles estavam ficando malucos. Principalmente em razão de estarem retirando madeiras “podres” e diziam que eles estavam guardando comida para cupim. Eles então começaram a trabalhar todos os dias cortando e lixando as madeiras e deram início a construção de bancos para vender. Dois anos depois o pai comprou o primeiro equipamento, uma moto serra. Neste primeiro período de aprendizado danilo conta que quando via “uma peça na casa de alguém e ficava olhando e analisando, às vezes se metia embaixo para ver como era os encaixes, que ferramentas foram usadas”. Esta sua atitude se dava pelo fato dele não conhecer as ferramentas e as maquinas. Menciona no seu depoimento que muitas vezes perguntava para alguns marceneiros como fazia, mas eles não queriam ensinar. Ai no dia a dia ele foi estudando, observando e vendo que existiam maquinas que faziam determinados trabalhos na madeira (inclusive na internet). Ele por diversas vezes entrou em algumas marcenarias para ver se aquelas máquinas realmente existiam. Assim ele foi identificando as máquinas e aprendendo para o que elas serviam. Foi comprando as maquinas na medida do possível com o resultado do seu trabalho. Segundo danilo, ninguém nunca lhe ensinou a usar a tupia, a furadeira e a serra circular. A própria ferramenta foi quem foi ensinando. O conhecimento que tem na atualidade sobre madeira e para que elas servem, aprendeu como pai: “como tirar a madeira do rio, a época e o horário de tirar a madeira do rio, qual a melhor forma. Todas as espécies de madeira, o abc eu aprendi com meu pai”. Página 3 de 16
Aprendizado do bem
Os primeiros conhecimentos que danilo teve para trabalhar com madeira foram passados por seu pai. Os ensinos dos ofícios sempre seguiram uma tradição familiar, eram passados de pai para filho. Os bisavôs e avôs de danilo eram homens que sabiam trabalhar a madeira. Podiam até não ser exímios carpinteiros e marceneiros, mas necessitavam ter algum conhecimento para sobreviverem com as dificuldades que a terra imponha. Seu avô possuía uma roda d’agua e era ele que fazia a manutenção. O pai de danilo aprendeu com o pai a usar a enxó e a lavrar a madeira. O seu avô fazia também encanamento com calha de madeira. Segundo danilo: “é uma arte que vem da família”. Ele possui ferramentas que foram do avô (enxó, algumas cunhas e outras coisas). Com os conhecimentos básicos que obteve de seu pai, danilo vai fazer seu próprio percurso para sua formação na marcenaria. Com um pé na tradição se lança na busca de aprimorar e ampliar seu conhecimento utilizando modernas ferramentas de aprendizagem, utilizando inclusive os meios digitais.
Transmissão de saberes
O maior problema que danilo coloca com relação a atividade da marcenaria é a falta e mão de obra. Segundo ele algumas vezes seu irmão lhe ajuda, mas no dia a dia é somente ele quem trabalha. Ele tem tentado ensinar a algumas pessoas, mais tem achado “meio complicado”, as pessoas não ficam trabalhando por muito tempo. Diante dessa situação de falta de mão-de-obra, aliada a questões sociais, danilo promoveu um projeto na oficina visando formar jovens do vale do capão entre 18 a 25 anos em marceneiros. Uma das questões mais importante que motivou o projeto foi à constatação, segundo danilo, de que os jovens residentes no vale quando concluem o ensino do segundo grau, não tem muitas opções de trabalho, geralmente vão ser guia, servente de pedreiro ou motoboy. Estas atividades, segundo o mestre, não são reconhecidas como profissão. A intenção de danilo foi mudar a “cara do lugar” aonde mora e evitar que estes jovens fiquem de “bobeira”, sem fazer nada. O projeto foi elaborado com para dá formação profissional aos jovens e também possibilitar que alguns fossem aproveitados como profissionais na sua oficina. O curso funcionou com 10 alunos durante dois meses. Danilo esperava que entre um ou dois pudessem ficar trabalhando na oficina. Segundo ele, dos 10 participantes apenas três foram identificados com potencial para trabalho na área da marcenaria. Terminou ficando apenas com um, que permaneceu durante 10 meses na oficina e depois saiu. Danilo acredita que, a evasão deve-se ao fato de que o trabalho de marcenaria é muito rigoroso e que exige “usar muito a cabeça (muita matemática, geometria e cálculo), além de ser uma atividade perigosa”. Os jovens não aguentam e desistem”. Ele imaginava colocar os jovens na oficina trabalhando com peças menores (porta incenso, cabides, puxadores, porta retratos e etc. ), aproveitando os restos de madeira, que são muitos. Atualmente estes restos de madeira são queimados por não haver mais espaço onde possam ser armazenados. Durante a entrevista, outubro de 2015, danilo comunicou que em 2016 haveria uma nova edição com curso, mas com algumas alterações: diminuição do número de alunos e o ensino com foco na fabricação de peças menores e no aprendizado de fazer “entalhe”. O fato de focar no ensino o aprendizado do entalhe deve-se segundo danilo, ao fato de que peças com executadas com a técnica do entalhe são mais valorizadas e mais caras. Outra razão apontada por ele para o ensino de entalhe foi que para o profissional que domina está técnica não falta emprego em nenhum lugar, além de que para se trabalha a técnica do entalhe se necessita de uma quantidade bem pequena de ferramentas, um jogo de formão (com seis peças). Os dois projetos foram elaborados por ele e uma amiga chamada melissa que é antropóloga. Ele pensou e ela deu forma no papel, colocando também as suas contribuições. No futuro ele pensa em criar uma associação cuja finalidade será elaborar projetos de cunho social com o objetivo de formar/capacitar jovens em áreas como da marcenaria, corte/costura, artesanato de palha e etc. Página 4 de 16

