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Dona Zezé Benzedeira (Maria José)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Maria José da Silva
Data de nascimento
2 de abril de 1932
História de vida
Maria José, conhecida como Dona Zezé Benzedeira, nasceu no bairro do Pinheiro, na Rua Santo Antônio, entre a região da Borracheira e o Alto do Céu. Desde a infância, sua trajetória esteve ligada à espiritualidade e às práticas de cura e proteção presentes no cotidiano da comunidade. Cresceu em meio a terreiros e outros espaços de religiosidade, convivendo com rezas, bênçãos e rituais que contribuíram para a formação de seus conhecimentos. Com o tempo, passou a ser procurada por moradores do bairro e também por pessoas de outras localidades em busca de benzimentos, orações e aconselhamento espiritual.
Mesmo durante os períodos em que viveu em Recife e no Rio de Janeiro, Dona Zezé continuou exercendo a benzeção, mantendo consigo os conhecimentos e práticas aprendidos ao longo da vida. Sua relação com o ofício foi sendo fortalecida pela experiência e pela devoção aos santos e guias espirituais, constituindo um saber integrado à sua identidade e à maneira como estabelece relações de cuidado com as pessoas que a procuram.
Após retornar a Maceió, Dona Zezé precisou deixar o território onde nasceu em decorrência da desocupação provocada pelo desastre tecnológico associado à mineração. Apesar do deslocamento e da idade avançada, continua realizando seus benzimentos, rezas e orações e mantendo seu altar, onde cultiva sua devoção e preserva os conhecimentos relacionados à prática. Sua trajetória evidencia a benzeção como um saber tradicional transmitido e mantido pela experiência, pela oralidade e pela fé, que permanece vivo mesmo diante do afastamento de seu território de origem.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Povos e comunidades de terreiro/povos e comunidades de matriz africana
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
O benzimento é uma prática tradicional de cura e proteção espiritual, realizada principalmente por benzedeiras e benzedores — pessoas reconhecidas na comunidade por seus dons de fé, oração e cuidado. Presente em diversas regiões do Brasil, o benzimento combina elementos da religiosidade popular, com influências do catolicismo, das culturas indígenas e africanas, formando um importante aspecto da espiritualidade popular brasileira.
A prática consiste em orações, gestos e rituais simbólicos, muitas vezes acompanhados do uso de ramos, água, sal, ervas, velas ou objetos sagrados, voltados à cura de doenças físicas e espirituais, ao afastamento de males e à proteção das pessoas, animais e ambientes.
As benzedeiras ocupam papel central nas comunidades, atuando como guardiãs de saberes ancestrais e de formas de cuidado baseadas na fé, na escuta e na solidariedade. Mesmo diante das mudanças sociais e do avanço da medicina moderna, o benzimento permanece vivo, sendo reconhecido como uma expressão do patrimônio cultural imaterial brasileiro, que reflete a sabedoria popular e a força das tradições comunitárias.
No que se refere ao território estudado, foram localizados fazedores de cultura relacionados a este saber no bairro do Pinheiro.Localização
Relação com o bem cultural
BenzedeiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Pinheiro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Terreiro é o nome dado ao espaço físico e à comunidade religiosa onde são praticadas as religiões de matriz africana no Brasil, tais como o Candomblé e a Umbanda.
É o centro da vida religiosa e social do grupo, sendo considerado um templo, um ilê (casa em iorubá) ou uma comunidade tradicional que preserva a memória ancestral, a cultura e os rituais africanos e afro-brasileiros.
É composto por alguns espaços, tais como o local onde se assenta o Axé (a força vital, a energia sagrada), fundamental para a vida e o equilíbrio da comunidade e do universo; Barracão ou salão principal, onde ocorrem os rituais públicos (como as giras na Umbanda e as festas de Candomblé), com cantos e danças; e os santuários ou Pejis que são espaços reservados para a guarda de objetos utilizados nos rituais e o culto às divindades (Orixás, Inquices ou Voduns).
Cada Terreiro é autônomo e liderado por uma Mãe de Santo (Yalorixá) ou um Pai de Santo (Babalorixá), responsáveis por zelar pelos fundamentos, iniciar novos membros (Filhos de Santo) e transmitir o conhecimento ancestral.
O Terreiro, portanto, é o ponto de encontro entre o mundo material e o espiritual, um guardião de saberes e um alicerce para a vida em comunidade, que proporciona o contato direto com o Axé e a Ancestralidade.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados a essa prática no bairro do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.Localização
Relação com o bem cultural
Responsável pelo acolhimento da comunidade durante as celebraçõesData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Pinheiro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
As celebrações afro-religiosas, também denominadas Xirê ou Toque, são manifestações culturais e espirituais vinculadas aos xangôs — denominação historicamente atribuída aos terreiros e praticantes de religiões de matriz afro-ameríndia em Alagoas. Caracterizam-se pela presença de cantos, toques de tambores, danças e rituais de devoção aos orixás, inquices, voduns, mestres, mestras e demais entidades espirituais, fortalecendo os vínculos de ancestralidade, identidade negra e pertencimento comunitário. Durante o Inventário, foram identificados fazedores de cultura vinculados a essas práticas religiosas e culturais.
Localização
Relação com o bem cultural
Responsável pelo acolhimento da comunidade durante as celebraçõesData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Pinheiro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino Médio Completo


