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Arnaldo Manoel
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Arnaldo Manoel dos Santos
Data de nascimento
24 de dezembro de 1953
História de vida
Arnaldo Manoel nasceu e cresceu no bairro do Pinheiro e iniciou sua trajetória na cultura popular ainda jovem, quando criou uma Quadrilha Junina tradicional formada por crianças e adolescentes da comunidade. Há mais de quarenta anos, assumiu a organização do grupo e tornou-se uma liderança entre os brincantes, reunindo cerca de 50 participantes. Para ele, a quadrilha representava um espaço de convivência, alegria e integração, no qual também procurava conversar com os mais jovens sobre respeito à família e a importância de seguirem seus objetivos.
Sua atuação esteve ligada principalmente à Rua Santo Antônio, antiga Rua Alto do Céu, onde sua mãe residia. Os ensaios aconteciam nas ruas e em escolas públicas, enquanto as apresentações ocupavam diferentes espaços da comunidade. Durante o período junino, organizava também o próprio palhoção, que reunia brincantes, familiares e moradores nas celebrações de São João. A preparação envolvia a própria comunidade, inclusive na montagem da estrutura, feita com palhas e troncos de coqueiros obtidos em áreas próximas, como o campo do CSA e sítios da região. Além das festas juninas, também promovia bailes nos finais de semana, ampliando os momentos de encontro e convivência no bairro.
Atualmente, Arnaldo Manoel não realiza mais essas atividades, principalmente em razão da idade e da ausência de pessoas com quem pudesse dar continuidade à prática. Guarda, entretanto, as lembranças das quadrilhas, dos palhoções e das festas realizadas nas ruas como parte importante de sua trajetória e da vida comunitária. Embora considere encerrada sua atuação como organizador, reconhece a importância da continuidade da tradição e do legado construído por aqueles que participaram dessas experiências.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
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Bem cultural relacionado
Descrição
A quadrilha junina é uma dança tradicional das festas de Junho do Nordeste brasileiro, inspirada nas danças de salão europeias trazidas pelos portugueses e adaptada à cultura popular. Trata-se de uma dança coletiva, coreografada e encenada, que celebra os festejos dedicados aos santos católicos do período, com trajes, músicas, marcação e passos que podem apresentar variações a depender do caráter tradicional ou estilizado do grupo em questão.
Em Maceió, os bairros objeto de estudo do Inventário, são uma referência na realização dessa prática com significativa concentração de dançarinos(as) e grupos. Seus integrantes costumam estar envolvidos também com outras danças e atividades culturais, tais como Coco de Roda, Dança Afro, Boi de Carnaval.Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Mutange – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
Os palhoções juninos foram, por muitas décadas, elemento importante das celebrações de São João nos bairros da capital alagoana. Representavam a forma mais tradicional, comunitária e espontânea de festejar o mês de junho.
O termo "palhoção" refere-se à estrutura física que era erguida nas ruas, praças ou terrenos baldios dos bairros, funcionando como um grande salão de festas, popular e improvisado, montado especificamente para os festejos juninos. Estruturas geralmente simples, com coberturas feitas de palha (daí o nome), lona ou tecido, apoiadas em varas ou estacas de madeira. A decoração era tipicamente junina, incluindo bandeirolas coloridas, balões, fogueiras e elementos rústicos, criando o ambiente de um grande "arraial de rua".
Nas décadas passadas, os palhoções eram o principal palco da cultura junina de Maceió, desempenhando um papel social fundamental:
Os palhoções eram criados e mantidos pela união dos vizinhos, que se organizavam para arrecadar fundos, montar a estrutura e garantir a segurança e a alegria da festa. Serviam como local de arrasta-pé, onde o forró pé de serra (o forró tradicional, com sanfona, zabumba e triângulo) dominava. Era também onde ocorriam as apresentações de quadrilhas juninas, tanto as tradicionais quanto as que começavam a se estilizar, e o famoso casamento matuto. Dentro ou ao redor do palhoção, eram montadas barracas vendendo as comidas típicas do período, como pamonha, canjica, milho cozido/assado e bolo de milho.
Com o crescimento de Maceió, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, bairros novos e em expansão (como a Serraria, que teve um famoso "Palhoção da Serraria") adotaram essa prática como uma forma de afirmar a identidade e a cultura de cada comunidade.
Com o passar dos anos os palhoções foram ficando mais elaborados, com estruturas mais complexas de som e palco e o incremento de patrocínios e financiamentos vindos do poder público ou da iniciativa privada, o que também proporcionava a realização de shows de bandas maiores, de projeção regional ou nacional.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados aos palhoções no bairro de Bebedouro.Relação com o bem cultural
Festeiro LocalData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Mutange – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Remuneração
Não remunerado


