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João Procópio
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Elias Procópio de Lima
Data de nascimento
3 de março de 1940
História de vida
João Procópio iniciou sua trajetória na cultura popular ainda jovem. Entre os 15 e 25 anos, atuou como cantador de coco na antiga Feira do Passarinho, em Maceió. Posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por cinco anos trabalhando como vendedor e tocando viola sempre que tinha oportunidade. De volta a Alagoas, estabeleceu-se no povoado Olhos d’Água, em Atalaia, onde trabalhou na agricultura e passou a organizar cantorias em sua própria casa, atuando como poeta e tocador de pandeiro. Nesse período, aprofundou sua relação com a viola e, por volta dos 30 anos, já era reconhecido como cantador. Em 1975, retornou a Maceió e passou a sustentar a família por meio das cantorias e da venda de cordéis, consolidando sua atuação como violeiro e repentista.
Sua trajetória está diretamente relacionada à criação da Associação dos Violeiros e Trovadores de Alagoas (AVTA), fundada com o apoio do professor José Maria Tenório Rocha e instalada em sua residência, na Rua General Hermes, no Bom Parto. Ao longo dos anos, exerceu diferentes funções na entidade, entre elas tesoureiro e presidente, cargo que ocupou em diferentes períodos. A sede tornou-se um espaço de encontro para violeiros de Maceió e do interior, recebendo cantorias, festivais e outras atividades relacionadas à viola e ao repente. Sua dedicação à cultura popular também esteve presente no rádio, por meio do programa Violas e Violeiros, na Rádio Difusora. Em reconhecimento à sua trajetória, recebeu, em 2005, o título de Patrimônio Vivo de Alagoas.
João Procópio permanece vinculado à viola e às atividades da AVTA, cuja sede continua funcionando no mesmo endereço. Entretanto, a proximidade com a área desocupada provocou uma redução significativa na circulação de pessoas e na realização dos encontros que anteriormente reuniam grande público no local. Mesmo aposentado, continua frequentando espaços de encontro com outros violeiros e participando de iniciativas relacionadas à cantoria e à cultura popular. Para ele, a viola ocupa um lugar central em sua história, estando associada tanto ao seu sustento quanto às experiências e relações construídas ao longo de sua vida como cantador, repentista e articulador da cultura da viola em Alagoas.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
O repente é uma manifestação da cultura popular nordestina caracterizada pela improvisação poética cantada, geralmente acompanhada pela viola. Também chamado de cantoria de viola, o repente é protagonizado por repentistas — poetas e cantadores que criam versos de forma espontânea, muitas vezes em formato de desafio, respondendo e rimando sobre temas propostos pelo público ou pelo próprio parceiro de cantoria.
Essa arte oral combina habilidade linguística, criatividade e rapidez de raciocínio, expressando o cotidiano, as tradições, os valores e o humor do povo nordestino. O repente tem origens que remontam às tradições ibéricas trazidas pelos colonizadores portugueses, mas adquiriu no Brasil características próprias, profundamente enraizadas na vida e na identidade cultural do Nordeste.
Em 2019, o Repente Nordestino foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Esse reconhecimento valoriza a importância do repente como expressão artística que preserva a oralidade, a memória e a criatividade popular brasileiras, garantindo sua continuidade e transmissão entre gerações.
No que se refere ao território estudado, foram identificados fazedores de cultura relacionados a este saber nos bairros de Bom Parto e Mutange.Localização
Relação com o bem cultural
Mestre RepentistaData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
A Associação dos Violeiros e Trovadores de Alagoas (AVTA) é uma entidade cultural sem fins lucrativos, fundada em 29 de agosto de 1979, com sede no bairro do Bom Parto, em Maceió. Ela foi idealizada e criada pelo renomado mestre violeiro e repentista João Procópio, com a missão principal de preservar, valorizar e difundir a arte da cantoria de viola, do repente e da literatura de cordel na região.
Localização
Relação com o bem cultural
FundadorData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino médio completo
Remuneração
Regularmente


