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Maria do Gás (Maria Josefa)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Maria Josefa Santos Batista
Data de nascimento
24 de dezembro de 1937
História de vida
Maria Josefa, conhecida como Maria do Gás, é paraibana e chegou a Alagoas ainda criança, construindo uma trajetória marcada por diferentes deslocamentos até se estabelecer em Maceió. Após viver no Farol, mudou-se para o Bom Parto, onde reside há mais de cinco décadas e participou ativamente da formação da vida comunitária local. Em um período em que a região ainda apresentava pouca infraestrutura, construiu sua moradia e transformou sua casa em um importante ponto de apoio e encontro da comunidade. Ali ocorreram ações de alfabetização e vacinação, e sua atuação comunitária também esteve relacionada à mobilização por melhorias para o bairro, entre elas a implantação de um posto de saúde.
Sua relação com a cultura popular remonta à infância, quando acompanhava as brincadeiras promovidas pelo pai de criação, como Coco de Roda e Drama, aprendendo cantigas e outras práticas que permaneceram em sua memória. No Bom Parto, esses conhecimentos ganharam continuidade dentro de sua própria casa. Mãe de 15 filhos, Maria do Gás passou a reunir crianças, jovens e adultos para atividades culturais, organizando grupos de Coco de Roda, Quadrilha Junina, Taieira e outras brincadeiras populares. Também criou o Arraiá (ou Palhoção) Maria do Gás, com quadrilhas organizadas por diferentes faixas etárias e forró, enquanto sua residência se consolidava como ponto de encontro de blocos e outras iniciativas culturais do bairro.
Maria do Gás também passou a atuar como Mamãe Noel Negra, iniciativa que surgiu de seu envolvimento com as filhas e com as crianças da comunidade e se tornou parte das atividades realizadas por sua família. Sua trajetória articula, assim, cultura popular, cuidado e participação comunitária, evidenciando o papel de sua casa e de sua família na mobilização de diferentes gerações do Bom Parto. Por meio das brincadeiras, festas, cantigas e ações comunitárias que promoveu ao longo dos anos, tornou-se uma referência para a memória cultural do bairro e para a continuidade de práticas transmitidas desde sua própria infância.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
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Bem cultural relacionado
Descrição
A quadrilha junina é uma dança tradicional das festas de Junho do Nordeste brasileiro, inspirada nas danças de salão europeias trazidas pelos portugueses e adaptada à cultura popular. Trata-se de uma dança coletiva, coreografada e encenada, que celebra os festejos dedicados aos santos católicos do período, com trajes, músicas, marcação e passos que podem apresentar variações a depender do caráter tradicional ou estilizado do grupo em questão.
Em Maceió, os bairros objeto de estudo do Inventário, são uma referência na realização dessa prática com significativa concentração de dançarinos(as) e grupos. Seus integrantes costumam estar envolvidos também com outras danças e atividades culturais, tais como Coco de Roda, Dança Afro, Boi de Carnaval.Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
A Taieira é uma manifestação folclórica de matriz africana, característica de Estados do Nordeste, tais como Alagoas, Sergipe e Bahia. Trata-se de uma dança-cortejo de caráter religioso e profano, realizada em louvor aos santos padroeiros dos negros, como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário.
Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
"Reunindo música, poesia e dança, o coco apresenta-se vinculado a um só tempo às ações de trabalho, à festa, à criatividade e à manifestação artística, coadunando diferentes funções sociais.” (CÉSAR, Telma, O Coco Alagoano - Memória em Movimento, In Rede Sociocriativa do Coco de Roda, Catálogo, 2017, p. 55)
Localização
Relação com o bem cultural
BrincanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
O benzimento é uma prática tradicional de cura e proteção espiritual, realizada principalmente por benzedeiras e benzedores — pessoas reconhecidas na comunidade por seus dons de fé, oração e cuidado. Presente em diversas regiões do Brasil, o benzimento combina elementos da religiosidade popular, com influências do catolicismo, das culturas indígenas e africanas, formando um importante aspecto da espiritualidade popular brasileira.
A prática consiste em orações, gestos e rituais simbólicos, muitas vezes acompanhados do uso de ramos, água, sal, ervas, velas ou objetos sagrados, voltados à cura de doenças físicas e espirituais, ao afastamento de males e à proteção das pessoas, animais e ambientes.
As benzedeiras ocupam papel central nas comunidades, atuando como guardiãs de saberes ancestrais e de formas de cuidado baseadas na fé, na escuta e na solidariedade. Mesmo diante das mudanças sociais e do avanço da medicina moderna, o benzimento permanece vivo, sendo reconhecido como uma expressão do patrimônio cultural imaterial brasileiro, que reflete a sabedoria popular e a força das tradições comunitárias.
No que se refere ao território estudado, foram localizados fazedores de cultura relacionados a este saber no bairro do Pinheiro.Localização
Relação com o bem cultural
BenzedeiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
As romarias — como as dedicadas a Padre Cícero e à Peregrina Mãe de Deus, identificadas no território — e os(as) cantadores(as) de benditos constituem pilares da religiosidade popular, especialmente marcantes no Nordeste brasileiro.
Romarias são peregrinações coletivas a lugares considerados sagrados (santuários), motivadas pela fé, pelo pagamento de promessas ou pela busca de graças. Diferente das procissões locais, a romaria envolve deslocamentos mais longos, sacrifício físico e uma forte identidade comunitária entre os romeiros. No contexto analisado, destacam-se as romarias associadas à devoção a Padre Cícero, figura central do catolicismo popular nordestino, e à Peregrina Mãe de Deus, que mobiliza fiéis em caminhadas e encontros marcados por intensa vivência espiritual e comunitária.
Já os(as) cantadores(as) de benditos são os(as) guardiões(ãs) da tradição oral e musical dessas caminhadas. Sua função é conduzir a oração cantada, mantendo o ritmo e a espiritualidade do grupo. Os “benditos” são hinos religiosos, geralmente compostos por versos simples e melodias lamuriosas que narram a vida dos santos, a paixão de Cristo ou os sofrimentos da jornada.
O(a) cantador(a) não apenas entretém; ele(a) organiza o rito. Em momentos de cansaço ou sol forte, o bendito funciona como um combustível espiritual que une as vozes e ajuda os romeiros a suportar as dificuldades do caminho. Trata-se de um saber transmitido de geração em geração, muitas vezes sem acompanhamento de instrumentos — ou apenas com poucos, como pífano ou caixa —, centrado na força da voz e da palavra entoada.Localização
Relação com o bem cultural
RomeiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
Carpideira é a designação dada à mulher que chora, lamenta e entoa prantos em rituais fúnebres, seja por vínculo pessoal com o falecido, seja como prática tradicional desempenhada de forma ritualizada. Essa figura está presente em diversas culturas ao longo da história, incluindo contextos do Brasil e de países europeus e mediterrâneos.
Nas tradições em que a função é institucionalizada, a carpideira pode ser contratada para expressar publicamente o luto por meio de choros, cânticos e lamentações, conferindo solenidade e intensidade emocional às cerimônias. Esse costume remonta a práticas antigas, nas quais o pranto coletivo tinha papel simbólico de honrar o morto e de auxiliar a comunidade na elaboração da perda.
Embora menos comum na atualidade, a figura da carpideira permanece como referência cultural e literária, associada à representação do luto, da memória e das formas tradicionais de despedida dos mortos.
Durante a realização do Inventário foram localizadas fazedoras culturais associadas a este bem nos bairros de Bom Parto e Pinheiro.Localização
Relação com o bem cultural
CarpideiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
Mulher que exerce o ofício tradicional de assistir gestantes durante a gravidez, o parto e o pós-parto, especialmente em contextos comunitários e populares. As parteiras, muitas vezes chamadas de parteiras tradicionais ou parteiras leigas, detêm conhecimentos transmitidos de forma oral e prática, acumulados ao longo de gerações, envolvendo cuidados com o corpo da gestante, técnicas de apoio ao parto, uso de saberes da medicina popular e atenção emocional à mãe e ao recém-nascido. No Brasil, a atuação das parteiras teve — e ainda tem — grande importância histórica e social, sobretudo em áreas rurais, comunidades periféricas, quilombolas, indígenas e ribeirinhas, sendo reconhecida como um saber tradicional e um patrimônio cultural imaterial em diversas regiões.
No território estudado foi localizada uma detentora deste saber, relacionada ao bairro do Bom Parto.Localização
Relação com o bem cultural
ParteiraData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
Os palhoções juninos foram, por muitas décadas, elemento importante das celebrações de São João nos bairros da capital alagoana. Representavam a forma mais tradicional, comunitária e espontânea de festejar o mês de junho.
O termo "palhoção" refere-se à estrutura física que era erguida nas ruas, praças ou terrenos baldios dos bairros, funcionando como um grande salão de festas, popular e improvisado, montado especificamente para os festejos juninos. Estruturas geralmente simples, com coberturas feitas de palha (daí o nome), lona ou tecido, apoiadas em varas ou estacas de madeira. A decoração era tipicamente junina, incluindo bandeirolas coloridas, balões, fogueiras e elementos rústicos, criando o ambiente de um grande "arraial de rua".
Nas décadas passadas, os palhoções eram o principal palco da cultura junina de Maceió, desempenhando um papel social fundamental:
Os palhoções eram criados e mantidos pela união dos vizinhos, que se organizavam para arrecadar fundos, montar a estrutura e garantir a segurança e a alegria da festa. Serviam como local de arrasta-pé, onde o forró pé de serra (o forró tradicional, com sanfona, zabumba e triângulo) dominava. Era também onde ocorriam as apresentações de quadrilhas juninas, tanto as tradicionais quanto as que começavam a se estilizar, e o famoso casamento matuto. Dentro ou ao redor do palhoção, eram montadas barracas vendendo as comidas típicas do período, como pamonha, canjica, milho cozido/assado e bolo de milho.
Com o crescimento de Maceió, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, bairros novos e em expansão (como a Serraria, que teve um famoso "Palhoção da Serraria") adotaram essa prática como uma forma de afirmar a identidade e a cultura de cada comunidade.
Com o passar dos anos os palhoções foram ficando mais elaborados, com estruturas mais complexas de som e palco e o incremento de patrocínios e financiamentos vindos do poder público ou da iniciativa privada, o que também proporcionava a realização de shows de bandas maiores, de projeção regional ou nacional.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados aos palhoções no bairro de Bebedouro.Relação com o bem cultural
Festeira LocalData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bom Parto – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino fundamental completo
Remuneração
Não remunerado


