Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
João Moura de Lima
História de vida
Nascido em Moreno (PE), Joab mantém contato com o forró desde a infância. Cresceu ouvindo diversas dessas canções no seu ambiente familiar e participando de encontros realizados em frente à casa de sua avó, uma das organizadoras dessas celebrações. Ao lado dela, envolvia-se também na preparação das festividades confeccionando fogueiras, fitas e comidas típicas que decoravam as ruas, especialmente durante o São João — ocasião em que atuava como DJ, tocando os vinis de Luiz Gonzaga do seu avô. Desde cedo, demonstrou interesse pelas manifestações artísticas de sua cidade, o que o levou, ao longo do tempo, a participar de projetos culturais e a aprender diferentes instrumentos. Aos 26 anos, migrou do Nordeste em busca de maior valorização para suas produções artísticas. Atualmente, reside em Paraty, onde já integrou grupos com outros forrozeiros da Costa Verde, atuando com a rabeca e a percussão e realizando apresentações em diferentes municípios. No Centro Histórico da cidade, mantém um ateliê e loja, espaço onde desenvolve pinturas, ministra oficinas e promove apresentações musicais. Além de um ponto de comercialização, o local se configura como um ambiente de troca de saberes e incentivo à cultura local. Multiartista e luthier, encontra-se dedicado aos estudos artísticos e musicais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Não
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Atua realizando apresentações de forró, fabricando instrumentos e organizando encontros e divulgações do forró em Paraty.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Percebe que há um crescimento de novos forrozeiros em Paraty e busca fortalecer as gerações que vêm se inserindo na cena local. Atua de forma colaborativa, auxiliando músicos da região com transporte, empréstimo de instrumentos e outras demandas, sem cobrança de cachê, como forma de incentivar e sustentar o trabalho coletivo. Ressalta ainda que muitos artistas migram do Nordeste para Paraty atraídos por um ambiente que concentra diferentes manifestações culturais e os inspira - sobretudo com a sua paisagem natural. Esse fluxo contribui para a incorporação de diferentes referências, como as batidas do boi do Maranhão, ampliando as práticas sonoras e estéticas do forró realizado no município.
Aprendizado do bem
Durante a infância, já manifestava o desejo de aprender acordeom e sanfona, mas iniciou sua trajetória musical pelo violão em função de limitações financeiras. Com o tempo, aproximou-se da percussão e das tradições pernambucanas — como o coco, a ciranda e o maracatu — que seguem influenciando seu fazer musical. Aos 26 anos, teve acesso à sua primeira rabeca, dando início ao aprendizado do instrumento. Grande parte de sua formação se deu por meio de trocas com artistas e forrozeiros, em processos espontâneos de aprendizagem, além de estudos autodidatas. Entre suas referências formativas, destaca-se o professor Crisóstomo, responsável por lhe ensinar teoria musical e clarinete, cujos conhecimentos permanecem como base de seus estudos. Também aprendeu tuba com o apoio da Banda Santa Cecília e mantém prática no trombone. Sua formação em percussão teve início em uma oficina realizada em Recife, vinculada ao projeto Tortura Nunca Mais, voltado à população negra e às culturas afro-brasileiras. Em Pernambuco, envolveu-se em diversos projetos de música percussiva, com destaque para o maracatu e o forró. Já a luteria foi desenvolvida de forma autônoma, a partir da experimentação e do conserto de instrumentos encontrados danificados. Tem como referências mestres de diferentes gerações do forró, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino e Trio Mambucaba, entre outros. Ressalta a importância de valorizar tanto os forrozeiros mais antigos e suas influências nordestinas quanto os novos artistas que se dedicam à continuidade e renovação dessa cena. Atualmente, vem se aprofundando nos estudos do forró, tanto em seus aspectos teóricos quanto práticos.
Transmissão de saberes
Joab já ministrou diversas oficinas gratuitas. Hoje, o faz, principalmente, pelo Grupo Percussivo. Também transmite seus conhecimentos de modo espontâneo, através dos encontros e diálogos do dia a dia. Algumas oficinas ocorrem em espaços como as proximidades da “Capelinha” e do Quiosque Quebra-Mar de Paraty, durante a semana, e terminam com danças de forró.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Já realizou apresentações e ministrou oficinas no âmbito de projetos contemplados pela Lei Aldir Blanc. Destaca, no entanto, as dificuldades envolvidas na elaboração de propostas para editais, ao mesmo tempo em que manifesta o interesse em acessá-los como forma de viabilizar um retorno financeiro por meio de oficinas de forró. Atualmente, essas atividades são oferecidas de maneira gratuita e esporádica, em função da escassez de apoio e de estrutura adequada. Para garantir a sustentabilidade de sua atuação artística, investe também nas artes plásticas.





