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Miro (Antomiris)
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Antomiris Felix dos Santos
Data de nascimento
20 de julho de 1969
História de vida
Miro, também conhecido como Pai Miro ou Miro da Ana Alice, iniciou sua trajetória religiosa aos 10 anos de idade, quando passou a vivenciar experiências que sua mãe compreendeu como de natureza espiritual. Foi então levado à casa de Miroá, Ialorixá do bairro Rio Novo, onde começou sua iniciação na tradição de matriz africana. Após uma vivência anterior na Umbanda, passou a seguir o Candomblé da Nação Angola, realizando suas obrigações e aprofundando os conhecimentos religiosos. Ao longo de mais de trinta anos de atuação, consolidou-se como Babalorixá, tendo entre suas principais práticas o jogo de búzios e as consultas com sua entidade, Ana Alice, uma Pombagira.
Sua atuação religiosa está vinculada à Chã de Bebedouro, onde mantém o Abassá Lêmin, denominação que identifica como "Casa de Iemanjá", localizado na Rua Benedito Lins da Trindade. Nesse espaço, reúne seus filhos de santo e realiza encontros, rituais, obrigações e celebrações ao longo do ano. As atividades também incluem consultas espirituais gratuitas às quintas-feiras, além de ações de apoio por meio da distribuição de alimentos e roupas. Em sua memória sobre a presença das religiões de matriz africana na região, reconhece Geruza Brasa, Ialorixá, como uma das primeiras referências, seguida por Creuza, também Mãe de Santo.
Atualmente, permanece à frente de sua casa religiosa, reunindo cerca de 14 filhos de santo e mantendo um calendário de atividades que contempla diferentes entidades e divindades cultuadas no terreiro. Os encontros semanais também constituem momentos de transmissão dos conhecimentos associados à prática religiosa. Em sua trajetória, recorda ainda as situações de preconceito e discriminação enfrentadas pelas religiões de matriz africana, inclusive relatos de um período em que terreiros eram perseguidos e seus praticantes precisavam ocultar elementos de seus cultos. Apesar dessas experiências, mantém sua atuação como Babalorixá e a relação construída com o sagrado ao longo de mais de três décadas.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Povos e comunidades de terreiro/povos e comunidades de matriz africana
Localização
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Terreiro é o nome dado ao espaço físico e à comunidade religiosa onde são praticadas as religiões de matriz africana no Brasil, tais como o Candomblé e a Umbanda.
É o centro da vida religiosa e social do grupo, sendo considerado um templo, um ilê (casa em iorubá) ou uma comunidade tradicional que preserva a memória ancestral, a cultura e os rituais africanos e afro-brasileiros.
É composto por alguns espaços, tais como o local onde se assenta o Axé (a força vital, a energia sagrada), fundamental para a vida e o equilíbrio da comunidade e do universo; Barracão ou salão principal, onde ocorrem os rituais públicos (como as giras na Umbanda e as festas de Candomblé), com cantos e danças; e os santuários ou Pejis que são espaços reservados para a guarda de objetos utilizados nos rituais e o culto às divindades (Orixás, Inquices ou Voduns).
Cada Terreiro é autônomo e liderado por uma Mãe de Santo (Yalorixá) ou um Pai de Santo (Babalorixá), responsáveis por zelar pelos fundamentos, iniciar novos membros (Filhos de Santo) e transmitir o conhecimento ancestral.
O Terreiro, portanto, é o ponto de encontro entre o mundo material e o espiritual, um guardião de saberes e um alicerce para a vida em comunidade, que proporciona o contato direto com o Axé e a Ancestralidade.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados a essa prática no bairro do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.Localização
Relação com o bem cultural
Babalorixá/ Zelador/ Pai de SantoData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
As celebrações afro-religiosas, também denominadas Xirê ou Toque, são manifestações culturais e espirituais vinculadas aos xangôs — denominação historicamente atribuída aos terreiros e praticantes de religiões de matriz afro-ameríndia em Alagoas. Caracterizam-se pela presença de cantos, toques de tambores, danças e rituais de devoção aos orixás, inquices, voduns, mestres, mestras e demais entidades espirituais, fortalecendo os vínculos de ancestralidade, identidade negra e pertencimento comunitário. Durante o Inventário, foram identificados fazedores de cultura vinculados a essas práticas religiosas e culturais.
Localização
Relação com o bem cultural
Babalorixá/ Zelador/ Pai de SantoData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino fundamental incompleto
Remuneração
Não remunerado


