![]()
Cláudia César
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
Cláudia César de Oliveira
Data de nascimento
27 de maio de 1971
História de vida
Cláudia César, conhecida como Mãe Cláudia de Opará, mantém uma relação com a espiritualidade desde a infância, mas foi na adolescência que iniciou sua trajetória nas casas de axé. Sua primeira experiência ocorreu no terreiro de Umbanda de Antônio Clementino, em Bebedouro. Em 1978, passou a frequentar o terreiro de Dona Janete, no Farol, e, posteriormente, o de Dona Nina, dando continuidade aos aprendizados recebidos dos mais velhos. Ao longo desse percurso, aprofundou seus conhecimentos e consolidou sua atuação como Yalorixá, reconhecendo o Candomblé como parte fundamental de sua identidade, de sua relação com a ancestralidade e de seu modo de vida.
Sua trajetória está diretamente relacionada a Bebedouro e à Chã de Bebedouro, onde mantém sua casa de axé na Rua Marquês de Abrantes, reunindo cerca de 30 pessoas. Por considerar determinados conhecimentos e rituais restritos aos integrantes da religião, preserva os fundamentos da casa e compartilha esses saberes com seus filhos de santo conforme os processos próprios de aprendizagem. Em suas lembranças, a convivência com a comunidade nem sempre ocorreu sem dificuldades, em razão de situações de intolerância religiosa. Entre os momentos de maior aproximação, destaca as celebrações de Cosme e Damião e as atividades voltadas às crianças, quando eram distribuídos brinquedos pelas ruas, fortalecendo os vínculos com os moradores.
Mãe Cláudia permanece à frente de sua casa de axé, mas percebe mudanças significativas em seu funcionamento após a desocupação de parte do território. A dispersão dos moradores reduziu a circulação de pessoas e trouxe dificuldades de mobilidade e segurança, especialmente para as atividades realizadas à noite. Ainda assim, mantém suas práticas religiosas e a transmissão dos conhecimentos aos filhos de santo, que considera parte da continuidade de sua tradição. Sua trajetória permanece, assim, marcada pela relação entre espiritualidade, ancestralidade, aprendizado e pertencimento construídos ao longo de décadas nas casas de axé.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas no Questionário 1, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio do Questionário 2, correspondente à etapa qualitativa da pesquisa, realizada com uma amostragem de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
A entrevista realizada por meio do Questionário 2, composta por perguntas direcionadas, permite conhecer alguns aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Dessa forma, complementa as informações produzidas no Censo Comunitário e contribui para uma compreensão mais contextualizada de sua experiência e de sua vinculação às referências culturais.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Perfil étnico-racial
Pertence a algum Povo ou Comunidade tradicional?
Povos e comunidades de terreiro/povos e comunidades de matriz africana
Localização
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Bem cultural relacionado
Descrição
Terreiro é o nome dado ao espaço físico e à comunidade religiosa onde são praticadas as religiões de matriz africana no Brasil, tais como o Candomblé e a Umbanda.
É o centro da vida religiosa e social do grupo, sendo considerado um templo, um ilê (casa em iorubá) ou uma comunidade tradicional que preserva a memória ancestral, a cultura e os rituais africanos e afro-brasileiros.
É composto por alguns espaços, tais como o local onde se assenta o Axé (a força vital, a energia sagrada), fundamental para a vida e o equilíbrio da comunidade e do universo; Barracão ou salão principal, onde ocorrem os rituais públicos (como as giras na Umbanda e as festas de Candomblé), com cantos e danças; e os santuários ou Pejis que são espaços reservados para a guarda de objetos utilizados nos rituais e o culto às divindades (Orixás, Inquices ou Voduns).
Cada Terreiro é autônomo e liderado por uma Mãe de Santo (Yalorixá) ou um Pai de Santo (Babalorixá), responsáveis por zelar pelos fundamentos, iniciar novos membros (Filhos de Santo) e transmitir o conhecimento ancestral.
O Terreiro, portanto, é o ponto de encontro entre o mundo material e o espiritual, um guardião de saberes e um alicerce para a vida em comunidade, que proporciona o contato direto com o Axé e a Ancestralidade.
No que se refere ao território estudado foram localizados fazedores de cultura relacionados a essa prática no bairro do Pinheiro, Bebedouro e Mutange.Localização
Relação com o bem cultural
Yalorixá/ Zeladora/ Mãe de SantoData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem na residência e em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil. -
Bem cultural relacionado
Descrição
As celebrações afro-religiosas, também denominadas Xirê ou Toque, são manifestações culturais e espirituais vinculadas aos xangôs — denominação historicamente atribuída aos terreiros e praticantes de religiões de matriz afro-ameríndia em Alagoas. Caracterizam-se pela presença de cantos, toques de tambores, danças e rituais de devoção aos orixás, inquices, voduns, mestres, mestras e demais entidades espirituais, fortalecendo os vínculos de ancestralidade, identidade negra e pertencimento comunitário. Durante o Inventário, foram identificados fazedores de cultura vinculados a essas práticas religiosas e culturais.
Localização
Relação com o bem cultural
Adepta/PraticanteData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Acima de 20 anosLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil.
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino fundamental completo
Remuneração
Não remunerado


