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João Lemos
Informações gerais do detentor
Projeto relacionado
Equipe
Adriana Guimaraes Duarte | Airton de Souza Melo | Álvaro dos Santos | Clair da Cunha Moura Junior | Josemary Omena Passos Ferrare | Juliana Nicolle Rebelo Barretto | Nadja Waleska Silva Rocha
Nome completo
João Victor Lemos Viana
Data de nascimento
24 de março de 1994
História de vida
João Victor Lemos Viana, conhecido como João Lemos, é jornalista, 30 anos, presidente da Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato Alagoano (FOCUARTE) e brincante de Guerreiro na Chã do Pilar, onde atua como contramestre do Mestre Edvar. Fundou em 2020 uma federação que se dedica diariamente à articulação, proteção e amparo legal à mestres e artesãos de Alagoas.
João identifica o bairro de Bebedouro, em Maceió, como o grande berço histórico e portal de entrada da cultura popular na capital, local onde o folguedo do Guerreiro se consolidou entre 1927 e 1928, a partir da fusão de elementos do Reisado antigo, expressões ameríndias e cultos de matriz africana, como a Jurema Sagrada.
Em sua prática direta, João mantém a tradição da confecção dos chapéus de Guerreiro, herdada do Mestre Lourenço, declarando respeitar os preceitos sagrados de cores e restrições de trabalho em dias de devoção ou luto.
Diante do severo processo de degradação, esvaziamento das apresentações de rua e impactos socioambientais decorrentes da mineração na região, João deseja ações estruturais de salvaguarda e plena aplicação da Lei do Patrimônio Vivo em Maceió. Seu desejo é que os editais públicos priorizem a transformação de grupos e mestres dos bairros afetados pela Braskem em patrimônios vivos, garantindo-lhes auxílio financeiro vitalício para despesas operacionais e criação de núcleos mirins escolares. Defende ainda a criação de um fundo de financiamento permanente custeado pela mineradora para dar condições de sobrevivência às manifestações retiradas de seus territórios.
Sobre este perfil
Este perfil reúne informações produzidas em diferentes etapas da pesquisa do Inventário Participativo do Patrimônio Cultural Imaterial dos bairros de Bebedouro, Bom Parto, Farol, Mutange e Pinheiro – IPCI Maceió.
Além das informações obtidas nos Questionários 1 e 2, este perfil incorpora os conteúdos produzidos por meio da entrevista em vídeo, realizada com uma amostragem específica de detentores culturais selecionados conforme os critérios metodológicos definidos pelo IPCI Maceió (para mais informações, consulte o Detalhamento do Projeto – Caderno 1).
O registro audiovisual permite conhecer, por meio da imagem e do som, aspectos da trajetória de vida do participante, de sua relação com as referências culturais e do contexto em que desenvolve sua atuação. Também possibilita documentar narrativas, expressões, gestos e demonstrações de práticas culturais, complementando as informações produzidas nas etapas anteriores e ampliando as possibilidades de registro, preservação e difusão do patrimônio cultural imaterial.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Atuação coletiva
Organizações representativas
FOCUARTE - Federação das Organizações da Cultura Popular e do Artesanato
Relação com bens culturais
Bens culturais relacionados
-
Relação com o bem cultural
Associado e Presidente da FOCUARTEData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Não InformadoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil -
Bem cultural relacionado
Descrição
Grupo multicolorido de dançadores e cantadores, semelhantes aos Reisados, mas com maior número de figurantes e episódios, maior riqueza nos trajes e enfeites e maior variedade temática nas músicas.
Folguedo natalino surgido em Alagoas entre os anos de 1927 a 1929, sendo o resultado da fusão do Reisado Alagoano, da Chegança, dos Pastoris e do Auto das Caboclinhas.
Rico em cores e enredo é um folguedo bastante frequente nas festas populares, possuindo vários personagens, tais como: Rei, Rainha, Contra-Mestre, Embaixadores, General, Lira, Vassalos, Mateus, Palhaços, às vezes uma Catirina, Sereia, Estrele de Ouro, Estrele Brilhante, Estrela Republicana, Banda da Lua, Índio Peri e as “figuras” ou “figural”.
Os trajes são multicoloridos, imitação dos antigos trajes nobres, adaptados ao gosto e às possibilidades econômicas. Usam fitas, espelhos, contas de aljôfar, enfeites de árvores de natal nos chapéus que aparecem em formas de igrejas, palácios, catedrais, diademas, coroas, quadra-peitos, calções e mantos.
O Mestre é responsável por todos os componentes do grupo, tem o dom do canto, do trupé, ensina e coordena as partes.
O Guerreiro possui ainda uma série de entremeios como o doido, o Javali, o morto vivo, o lobisomem, o diabo e a alma, o capitão piloto, o mascote, a mãe velha, o messias, o mata-mosquito, e o boi que aparece mais simplificado e modernizado que nos Reisados, não havendo nem morte, nem repartição, nem ressureição do mesmo.
Consta de uma sequência de cantigas dançadas, denominadas de “peças”, intercaladas de “marchas” e representações constituídas de entremeio e partes: marcha de rua, cantos e danças de abrição de portas, entrada de sala, adoração ao divino, despedida.
No ano de 2019, o Guerreiro recebe do Estado de Alagoas o título de Patrimônio Imaterial de Alagoas. (ALAGOAS. Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa. Cartilha – Alagoas, seus folguedos e suas danças. 2. ed. Maceió: Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas, 2024.)
Dentre os bairros estudados no Inventário, Bebedouro e seu bairro adjacente, Chã de Bebedouro, merecem destaque na prática do Guerreiro, pois são referências importantes para essa manifestação cultural, uma vez que lá viveram (e vivem) alguns dos mestre de Guerreiro mais conhecidos do Estado, sendo este um folguedo bem popular entre essas comunidades. A praça central do bairro de Bebedouro, Lucena Maranhão, também é uma referência importante para o Guerreiro, tendo sido palco de inúmeras apresentações e encontro de grupos ao longo de décadas.Localização
Relação com o bem cultural
Brincante de Guerreiro alagoanoData em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Não InformadoLugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugaresRelação do bem cultural com o lugar
Bebedouro – bairro onde a prática cultural era desenvolvida antes dos impactos da catástrofe tecnológica e ao decorrente perigo de subsidência que atinge a área e precipitou o processo de desocupação dos bairros pela Defesa Civil
Transmissão de saberes
Nível de conhecimento sobre o bem cultural
Dados socioeconômicos
Escolaridade ou formação profissional
Ensino superior completo


