O litoral do Rio Grande do Norte guarda uma riqueza cultural inestimável, manifestada nas tradições da pesca artesanal. Este inventário foi resultado de uma ação de identificação preliminar que visou documentar e valorizar o patrimônio naval e as práticas pesqueiras tradicionais da região.
Os bens culturais relacionados à pesca artesanal potiguar identificados no âmbito do projeto foram tanto materiais quanto imateriais. Desde a construção de embarcações até as técnicas de pesca, passando pelas histórias e tradições das comunidades pesqueiras, são diversos os saberes que conformam a cultura pesqueira local. O projeto seguiu as orientações do antigo Manual de Aplicação do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), em sua versão original e do Projeto Barcos do Brasil, aplicando também a ficha de cadastro do patrimônio naval do Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG).
A pesquisa foi dividida em três etapas, cobrindo a faixa litorânea desde Maxaranguape até Tibau. Foram realizadas visitas in loco, levantamento bibliográfico e mapeamento inicial das referências culturais e informantes. Entre os municípios estudados, destacaram-se Tibau, Areia Branca, Macau, Galinhos, São Miguel do Gostoso e Touros, considerando suas especificidades e tradições em comum.

Embarcações pesqueiras. Bote Baleeiro, Costa Oriental, Pesca Artesanal, Ancoradouro, Praia. Foto: Adriano Breguncci Pontello
Resultados
- Documentação e Valorização: Identificação de expressões culturais das comunidades, visando ações de salvaguarda e promoção da diversidade cultural.
- Aproximação com a Sociedade: Fortalecimento do vínculo entre o IPHAN e as comunidades pesqueiras, promovendo a preservação das manifestações culturais.
- Levantamento de Embarcações: Cadastro das embarcações tradicionais existentes na região, documentando técnicas construtivas e modos de fazer.
- Conhecimento das Comunidades: Compreensão aprofundada das práticas pesqueiras e dos modos de vida das comunidades litorâneas.
- Ações de Preservação: Base para formulação de políticas de preservação e conservação das tradições pesqueiras e do patrimônio naval.
Importância do Patrimônio Naval
O patrimônio naval do Rio Grande do Norte reflete a diversidade cultural do Brasil, com influências indígenas e europeias que se materializavam nas embarcações e técnicas de pesca. Desde o início do século XIX até meados da década de 1970 – quando se inicia o desenvolvimento das atividades econômicas ligadas ao turismo –, a pesca foi o principal meio de subsistência da região. A principal característica desse período era a pesca artesanal realizada no rio Buranhém e no mar. Como se observa atualmente, é uma atividade desempenhada predominantemente por homens, cujo produto principal são peixes freqüentes nas águas dessa região, como o olho-de-boi, a guaiúba, a garoupa e o badejo. Mais recentemente desenvolveu-se em maior escala a pesca do camarão. São cerca de 600 pescadores especializados em diferentes tipos de pesca: como a de linha ou de rede; de água salgada ou de água doce. Muito embora as redes sejam empregadas, a pesca de linha predomina e garante boa parte da produção que é recolhida, beneficiada e distribuída sobretudo pela Cooperativa dos Pescadores. Os principais mercados dessa atividade localizam-se nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, incluindo os restaurantes e hotéis da região de Porto Seguro/BA.
O Inventário do Ofício da Pesca Artesanal no Litoral do Rio Grande do Norte foi um passo inicial na valorização e proteção do patrimônio cultural da região. Ele ofereceu uma visão abrangente das práticas pesqueiras tradicionais, destacando a importância de ações contínuas de preservação.
Conheça abaixo a documentação produzida a partir da versão original do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC):

