Informações
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
características gerais
hoje o acesso ao local se faz por via terrestre através da br 285, o que distorce a percepção das margens do rio
urucuá desde a perspectiva guarani. ainda hoje, estas margens estão cobertas por mata heterogênea e já degredadas
pela ação antrópica, mas na qual ainda resistem indivíduos de espécies vegetais e animais importantes ao sustento
orgânico e espiritual dos mbyá-guarani.
o rio urucuá tem seu nome emprestado de uma expressão guarani que significa concha, molusco em referência a
grande quantidade desta fauna do ambiente conhecido pelos primordiais tupi-guarani do começo da era cristã. desde
aquela época, o curso do rio transformou-se em eixo de deslocamento entre a bacia do rio ijuí e a do rio piratini,
trespassando território compartilhado por outras etnias originárias.
a bacia do urucuá constituiu-se como rota guarani parte do tape, província colonial que se estendia pelo interflúvio
uruguai-jacuí em direção ao baixo vale deste segundo rio. embora parte do tape, o urucuá tinha posição de fronteira
com relação à província de ibiaçá, onde dominavam os temidos grupos de fala je dos quais os guarani eram,
geralmente, inimigos. foi nesta fronteira, em meio à disputa pelo controle de ervais nativos, que se fez à presença dos
missionários jesuítas que foram inicialmente “martirizados” no caaró.
no inicio da década de 1970, o local foi re-ocupado por famílias mbyá em deslocamento oriundos de misiones,
argentina. isto motivou outros acampamentos às margens do urucuá que a época era a principal referência territorial
na região. para a aplicação do inventário nossa equipe esteve no local do acampamento acompanhado por dois mbyá,
sendo que um deles, osvaldo paredes, viveu ali por quase um ano em 1978. na época, estavam em duas famílias
nucleares e seu sustento estava calcado na venda do artesanato realizado na br 285. além disso, dispunham de
pesca no rio, espalhavam armadilhas de caça na mata, onde também coletavam frutos e a matéria-prima para
confecção do artesanato, incluindo a takuá (taquara), importante elemento representativo de permanência espacial. o
abandono do local foi marcado pela morte de um menino mbyá de dezessete anos que às margens do rio urucuá foi
sepultado, tornando-a uma referência espiritual.

