Informações
Projeto relacionado
Categoria de bem cultural
Descrição
O Festival de Forró de Aldeia Velha, idealizado por Josemar Cunha Clays, é um evento de relevância nacional que ocorre anualmente no distrito de Silva Jardim, Rio de Janeiro. O Festival está na sua 14ª edição em 2026, acontecendo durante o feriado de Corpus Christi. O evento reúne atrações, shows, DJs, oficinas de dança e decoração temática com barracas de comidas típicas. Acontece no Recanto da Aldeia Camping, um espaço cercado por natureza à beira do rio Aldeia Velha e a poucos metros de cachoeiras. O público pode optar por ingressos simples apenas para os shows ou passaportes que já incluem o acampamento oficial do evento.
Localização
Localização no mapa
Detentores do bem cultural
Eventos/períodos associados ao bem cultural
Nome de como o evento/período associado ao bem cultural é conhecido
Festival de Aldeia Velha
Com que frequência o evento/período acontece?
Anualmente
Especifique quando o evento/período acontece
Feriado de Corpus Christi
Descrição
O foco do festival é o forró de raiz, priorizando a sonoridade tradicional de ícones como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Marinês. Josemar busca equilibrar bandas jovens com artistas veteranos (como o Trio Juazeiro e Hermelinda Lopes) para gerar momentos de emoção e preservação histórica. Muitos DJs utilizam discos de vinil e realizam pesquisas profundas sobre o forró tradicional do Nordeste. O evento é realizado em uma chácara alugada na beira do rio, oferecendo uma experiência de imersão total. O festival funciona ininterruptamente de quarta-feira à noite até o meio-dia de domingo, incluindo shows, DJs e aulas de dança. Josemar destaca que o sucesso do evento se deve à atenção com serviços básicos: banheiros limpos 24 horas, bebida gelada e alimentação farta disponível dia e noite, serviço este capitaneado pelo cozinheiro conhecido como "Gaúcho". O valor do ingresso geralmente inclui o acampamento (camping), acesso a todos os shows e aulas de dança. Apesar de ter tido apoio da prefeitura na primeira edição, o festival tornou-se uma iniciativa independente, enfrentando burocracias de segurança e falta de patrocínios governamentais. Para manter um ambiente seguro e filtrar o público, o produtor optou por elevar o preço do ingresso, visando atrair apenas os verdadeiros entusiastas do forró e evitar frequentadores que buscam outros estilos musicais ou comportamentos violentos. O festival tem buscado aumentar a presença de mulheres nos palcos, tanto em bandas quanto como DJs, combatendo o machismo histórico do gênero. A pandemia de COVID-19 foi o período mais difícil, coincidindo com a edição de 10 anos que seria dedicada às mulheres. O evento precisou ser adiado diversas vezes, gerando dificuldades financeiras e psicológicas, mas foi retomado com sucesso, mantendo a rede de apoio entre músicos e fãs de forró.
Contexto socio-histórico de formação do bem cultural.
O Festival de Forró de Aldeia Velha foi moldado por uma combinação de fatores geográficos, influências de outros gêneros musicais, desafios burocráticos e eventos históricos globais, como a pandemia. A localização do festival em Aldeia Velha, um distrito de Silva Jardim (RJ) com cerca de mil habitantes, é um pilar central de sua identidade. O crescimento turístico da região, impulsionado por seus rios e cachoeiras, criou o cenário ideal para um evento que associa o forró à natureza. A produção aproveita essa infraestrutura natural, realizando o evento em chácaras à beira do rio, o que atrai um público nacional em busca de um "refúgio".
Narrativas sobre a origem do bem cultural
O festival teve sua primeira edição oficial em 2010, inspirado pelo Aldeia Rock Festival, onde Josemar trabalhava. O início foi modesto, com apenas duas bandas e entrada cobrada em alimentos. Com o tempo, o evento cresceu significativamente: no quarto ano já atraía cerca de 700 pessoas e, no quinto, atingiu a marca de mil participantes, atraindo público de estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Atualmente, o festival recebe entre 1.400 e 1.500 pessoas.
Expressões musicais
Nome da expressão musical
Forró
Descrição
O Festival de Aldeia Velha possui uma identidade sonora bem definida, centrada na preservação e na celebração das raízes tradicionais do forró. Com base no relato de Josemar, os repertórios e referências sonoras associados ao evento. O festival é focado no "forró de raiz" ou pé-de-serra tradicional. A sonoridade privilegia o forró antigo, anterior à influência do sertanejo moderno, incluindo ritmos como o "forró do coco". Josemar enfatiza que o público do festival não consome o "forró de plástico" ou de teclado (estilo Frank Aguiar), mantendo uma postura purista semelhante à dos apreciadores de rock and roll. A curadoria musical do festival baseia-se em grandes mestres do gênero, cujas obras compõem a base do que é tocado. Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Marinês são as referências centrais e obrigatórias para as bandas que se apresentam. Jackson do Pandeiro é outra figura histórica citada como referência para os artistas que passam pelo palco. Hermelinda Lopes (Trio Mossoró) é uma das mais destacadas figuras a já ter passado pelo festival, representando o elo direto com a história viva do forró. O festival mescla veteranos e novas gerações, como Trio Juazeiro, Trio Cristalino, Benício Guimarães e Bernadette França; bandas regionais e locais como Os Três da Aldeia (de Aldeia Velha), Pé na Estrada (de Casimiro de Abreu, liderada pelo compositor Fernando Otis), e Raiz do Sana (referência regional com mais de 20 anos de estrada), além da nova geração como Forró Fia (com carreira internacional), Banda Amargo e Trio Maçambaba. O uso de discos de vinil é uma marca registrada dos DJs do festival, que realizam pesquisas profundas para resgatar raridades do forró tradicional. O som é construído sobre a base da sanfona e da zabumba, instrumentos que os fãs se mobilizaram para apoiar durante a pandemia. Há uma valorização de músicas que mencionam a própria Aldeia Velha, como as composições de Fernando Otis que chegaram a ganhar visibilidade nacional. Em shows de artistas muito antigos, o público muitas vezes interrompe a dança para apenas observar.
Espaços associados ao bem
Nome do espaço
Reserva Florestal Bom Retiro
Descrição
A Reserva Florestal Bom Retiro (oficialmente RPPN Fazenda Bom Retiro) é uma reserva particular de Mata Atlântica localizada entre Casimiro de Abreu e Silva Jardim (RJ), no distrito de Aldeia Velha.
Preparação do espaço
O espaço do Festival de Aldeia Velha é uma chácara de grande porte situada na beira do rio, alugada de um fazendeiro local há mais de dez anos. A utilização, preparação e manutenção desse local envolvem desde adaptações estruturais permanentes até montagens cenográficas temporárias para garantir o conforto do público. Embora o terreno seja alugado, o organizador investe em melhorias permanentes, como a reforma dos banheiros, que custou cerca de R$ 30 mil (2024) para substituir estruturas simples de ferro sob lona por alvenaria. Anualmente, gasta-se entre R$ 5 mil e R$ 7 mil para renovar a documentação de segurança, o que inclui a revisão de extintores, sinalização de saídas de emergência e lâmpadas de emergência, conforme exigências do Corpo de Bombeiros. Para manter o espaço viável durante todo o ano (incluindo custos mensais de aluguel e luz), o local funciona como camping para turistas fora da época do festival. Um dos principais investimentos cenográficos é a criação de uma área de "cimento liso" enorme para a dança, que comporta mais de mil pessoas. Para proteger o público do sereno e da chuva (comuns em junho e no Réveillon), são alugadas e montadas tendas (10x10) que cobrem todo esse espaço de dança. Existe um galpão que abriga até 200 pessoas e cuja lateral é utilizada como cozinha. O evento oferece uma área de acampamento na beira do rio, equipada com pontos de luz, segurança e chuveiros quentes. O espaço conta com um restaurante e bar que funcionam 24 horas, liderados pelo cozinheiro "Gaúcho", oferecendo desde café da manhã (padaria) até refeições completas durante toda a madrugada. Como o festival opera de forma ininterrupta, a programação dos shows e aulas é impressa e afixada em pontos estratégicos, como a entrada dos banheiros, do camping e da área de alimentação, para que o público possa se organizar entre os períodos de descanso e diversão. O espaço é preparado para funcionar como uma imersão total: o público vive no local de quarta-feira a domingo, criando um fluxo constante de pessoas entre o rio, a pista de dança e a área de acampamento.
Condições do espaço
Adequadas e disponíveis
Condição atual do bem
Íntegro - ativo e/ou preservado
Aspectos importantes para continuidade do bem cultural
Para garantir a continuidade, a salvaguarda e a dignidade socioeconômica do Festival de Aldeia Velha, Josemar destaca a necessidade de profissionalização da gestão, melhorias estruturais permanentes, políticas de inclusão social e a busca por financiamento público. Josimar reconhece que o crescimento do festival exige sair da informalidade. Ele planeja abrir uma empresa (CNPJ) e se organizar com equipamentos básicos, como um computador e HDs para armazenar o histórico do evento, o que hoje ele faz de forma precária pelo celular e redes sociais. Para evitar a sobrecarga de fazer tudo sozinho, ele considera vital trazer pessoas de confiança para auxiliar na administração financeira, compras e burocracias legais. Um dos maiores desafios financeiros é o aluguel recorrente de tendas. Josimar vê como essencial conseguir cobrir a área de dança permanentemente para não gastar mais com aluguel de estruturas temporárias. Ele prioriza a manutenção da dignidade do público através de serviços básicos de excelência: banheiros de alvenaria (em substituição aos de lona), alimentação 24 horas e segurança, o que gera fidelidade e respeito dos frequentadores. Pela primeira vez, ele está buscando editais de cultura com auxílio profissional para obter o "empurrão" necessário para melhorias que não consegue custear apenas com a bilheteria, como a compra de um gerador próprio e a contratação de uma ambulância móvel. Ele mantém a cobrança de ingressos como forma de garantir uma estrutura superior, já que apoios municipais nem sempre são viáveis ou suficientes. Josemar acredita que, para o forró continuar no tempo, é preciso desconstruir o machismo histórico do gênero, trazendo mais mulheres para os palcos e DJs, e envolver as crianças, mostrando que o ambiente é seguro e familiar. Para manter a "existência digna" e pacífica do evento, ele utiliza o preço do ingresso como filtro para atrair um público que valoriza a cultura do forró e respeita as regras de convivência, evitando conflitos e violência. Ele valoriza projetos de mapeamento e documentação histórica, como a entrevista que concedeu, para que a trajetória do festival seja registrada formalmente. Josemar defende que os produtores não devem se ver como concorrentes, mas como parceiros. Ele auxilia outros festivais com informações e orçamentos, acreditando que, se o forró crescer como um todo, todos os envolvidos serão beneficiados socioeconomicamente.
Público do bem cultural
Público
Público externo
Descrição
O público do Festival de Aldeia Velha é caracterizado por sua diversidade geográfica e lealdade ao "forró de raiz". Inicialmente regional, o evento hoje atrai entre 1.400 e 1.500 pessoas de estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e até da região Sul do Brasil. Segundo Josemar, trata-se de um público "selecionado" através do valor do ingresso, uma estratégia adotada para garantir um ambiente seguro e familiar, afastando pessoas que buscam outros gêneros musicais ou que possam levar violência ao local.
Número aproximado
1500



