Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Carlos Alberto Novais
História de vida
O senhor carlos alberto novais, conhecido como carlos de biô, aprendeu o oficio de funileiro e serralheiro com seu pai, armando de biô, conhecido em toda a região por fazer qualquer peça em zinco e ferro. Dentre outras coisas fabricava revolves calibre 28 e 38. Carlos de biô apesar de não se dedicar mais a fundição tem conhecimento para produzir lampiões, castiçais e instrumentos para o garimpo. O referido biô foi quem fez todo o material em ferro para ambientação do filme “besouro”, rodado em igatú: “fui por curiosidade para aprender mais, fazendo essas coisas miúdas, desenhos, o cara cega com um desenho, eu falo se você trazer o papel eu trago. Sempre sai qualquer coisa. Os candeeiros/ lampião, aqui a gente chama o candeeiro de bufão. E gosto de trabalhar no garimpo, se eu pudesse, com máquina. O dinheiro lá é ligeiro. Aqui tinha tudo no quintal: a peça que a gente bate ferro original. ” segundo o mestre biô sua família não tinha tradição em trabalhar com o ferro, foi seu pai tomou a iniciativa de aprender com o “velho socorro”. O seu pai ensinou a muita gente, “muita gente que já solda aqui, que trabalha fora, tem uns quatro, mas sai para fora para trabalhar, só eu fico aqui, já me chamaram para ir trabalhar na cidade grande, mas eu não quero, se for para morrer pobre morro aqui mesmo” a produção antigamente de ferramentas para o garimpo era feita com o fole, na atualidade o mestre biô se dedica mais a trabalha como serralheiro utilizando maquinas industrializadas inclusive construindo ‘dragas’ para o garimpo: “essa draga aqui é o seguinte, aqui o motor vem e a caixa de marcha, o resto a gente que faz, hoje para montar, o jogo de caixa e bica fica por r$ 2200,00 reais, leva uma semana, com seis ‘grelhas’ que está ali. A renda que tenho é tudo daqui. Antigamente eu trabalhava muito, mas hoje eu parei, trabalhava de soldador. Os meninos que ficam aqui comigo, ganham por produção, eu tiro o material, energia e minha parte. ” página 2 de 13
Localização
Descrição da atuação em rede
O senhor carlos alberto novais, conhecido como carlos de biô, aprendeu o oficio de funileiro e serralheiro com seu pai, armando de biô, conhecido em toda a região por fazer qualquer peça em zinco e ferro. Dentre outras coisas fabricava revolves calibre 28 e 38. Carlos de biô apesar de não se dedicar mais a fundição tem conhecimento para produzir lampiões, castiçais e instrumentos para o garimpo. O referido biô foi quem fez todo o material em ferro para ambientação do filme “besouro”, rodado em igatú: “fui por curiosidade para aprender mais, fazendo essas coisas miúdas, desenhos, o cara cega com um desenho, eu falo se você trazer o papel eu trago. Sempre sai qualquer coisa. Os candeeiros/ lampião, aqui a gente chama o candeeiro de bufão. E gosto de trabalhar no garimpo, se eu pudesse, com máquina. O dinheiro lá é ligeiro. Aqui tinha tudo no quintal: a peça que a gente bate ferro original. ” segundo o mestre biô sua família não tinha tradição em trabalhar com o ferro, foi seu pai tomou a iniciativa de aprender com o “velho socorro”. O seu pai ensinou a muita gente, “muita gente que já solda aqui, que trabalha fora, tem uns quatro, mas sai para fora para trabalhar, só eu fico aqui, já me chamaram para ir trabalhar na cidade grande, mas eu não quero, se for para morrer pobre morro aqui mesmo” a produção antigamente de ferramentas para o garimpo era feita com o fole, na atualidade o mestre biô se dedica mais a trabalha como serralheiro utilizando maquinas industrializadas inclusive construindo ‘dragas’ para o garimpo: “essa draga aqui é o seguinte, aqui o motor vem e a caixa de marcha, o resto a gente que faz, hoje para montar, o jogo de caixa e bica fica por r$ 2200,00 reais, leva uma semana, com seis ‘grelhas’ que está ali. A renda que tenho é tudo daqui. Antigamente eu trabalhava muito, mas hoje eu parei, trabalhava de soldador. Os meninos que ficam aqui comigo, ganham por produção, eu tiro o material, energia e minha parte. ” página 2 de 13
Aprendizado do bem
Aprendeu o oficio de ferreiro com o pai, segundo mestre biô “aqui se aprende com o outro. ” o pai do mestre biô aprendeu com o pai de “tabaco doido”, o velho socorro, um dos grandes mestres ferreiros de andaraí. O mestre biô, inicialmente, trabalha no garimpo, mas por questões de desentendimento com um dos proprietários decidiu abandonar a atividade. Em razão do pai ter recebido uma encomenda para construir oito dragas para o garimpo (flutuante onde é colocado o motor para retirada de material do rio), resolveu se envolver no trabalho terminando por construir sete peças da oito encomendadas, já que seu pai desistiu de trabalhar na execução desse tipo de equipamento: “quando cheguei aqui meu pai tinha esse serviço, aí eu comecei. Começamos na cobertura de lona preta para fazer o flutuado, no sol rachando, cortava redondinho para fazer isso aqui. A gente pegou dois canos dessa grossura e soldou um no outro mais ou menos meio centímetro de um pro outro, botou nessa altura disso aqui, ai a gente amarrou e enrolava a chapa, 2,00 x 2,00 e arredondava ela e ai teve uma peça que fez isso, uma mola de caminhão, meteu no fogo e fez isso, entendeu. Duas peças iguais e aqui deu dois furos. Ia arredondando para ficar desse jeito aqui, a deu para fazer sete flutuantes, aí papai só fez um e fechou oito. Existe a máquina para enrolar mais é muito caro, nós fazia na mão grande mesmo. O flutuante é isso aqui, a draga é ela aí, do garimpo é essa aqui, aqui é o flutuante, aqui é o motor, aqui é onde suga o material, sai aqui, para jogar nessa peça aqui. Comecei fazendo flutuante e soldando cano, coisa ‘véia’ de garimpo. Eu trabalhei pouco com fundição. Só para fazer umas polias. ”
Transmissão de saberes
O mestre biô diz que não tem paciência para ensinar, mas o interessante é que a oficina é frequentada por uma série de jovens e adolescentes que vão aprender com ele: “ tem que treinar esses meninos para ver se faz alguma coisa no futuro, esse menino tá aqui tentando aprender alguma coisa pra não ficar no meio da rua, vai pra escola, quando tá de folga vem pra cá. Ele não é burro não, tem que ‘domar’ mais para aprender. Não tem como aprender de uma vez, eu não fui burro para aprender não, com quinze dia já estava fazendo um flutuante pra garimpo, de seis metros. Com quinze dias de ajudando o velho. Ele cismou de trabalhar nisso, o meu pai. O meu pai é assim, falou isso é isso mesmo. [. . . ] todas as pessoas que ficaram aqui sabem com nada fazer uma calha de bica de casa. É doido mexer com gente. Aqui fica ‘amuagem’ de tanta gente. Tem uns oito meninos que ficam aqui trabalhando para ganhar um dinheirinho. Aqui não tem renda de muita coisa não. Se ele aprender é pra ele né pra mim não. Os meninos são interessados, tem uns que é rude, demora um tempo para aprender, mas aprende. ” (aprendiz) saimon oliveira de lima, 14 anos: “ comecei aqui com 13 anos, faz um ano. Comecei porque meu irmão já trabalhava aqui, aí para aproveitar e ele me ensinar, a soldar essas coisas e não ficar na rua solto eu vim para cá, vou para escola de manhã, sou sétimo ano, sexta série. Eu perdi porque esqueci de fazer a recuperação. Eu gosto dessa profissão. Quando chegar as férias eu vou ficar por aqui para fazer um pouquinho de dinheiro. Com esse dinheiro quero comprar uma bicicleta nova. Eu moro ali em baixo, aqui perto. ” (aprendiz) érico santos silva, 21 anos: “comecei aos 15, eu gosto, é bom, profissão boa, cada dia que passa aprende uma coisa nova. Eu gosto de soldar, o que eu tiver para fazer a gente faz. Eu parei no terceiro ano, quase concluir, eu vou terminar no ano que vem. Rapaz, geralmente não tem muita renda, só a prefeitura que ajuda com ajudante de pedreiro. Eu mesmo trabalhei, sai para trabalhar um ano e três meses lá, mas não gostei. A maioria dos amigos é só jogando bola brincando, outros tem a mãe para dar. Faz bico de vez em quando. As maiorias dos meninos querem que ‘adule’ para vir fazer o trabalho aqui na serralheria. Os meninos não têm interesse porque acha pai e mãe besta para dar comida. Os meninos querem dinheiro para ir criar braço para brigar. O certo é trabalhar para no futuro tem o seu. Ano que vem quero ir para feira de santana, o curso de soldador dura dois anos. O curso acho que tá de três mil e pouco, tem irmãs que moram lá. Para no futuro abrir o próprio negócio, já tenho duas máquinas, tenho de solda, tenho lixadeira, furadeira, já tô investindo no material pra seguir depois. ”

