Informações
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Nome completo
Jacinto Silva Souza
Data de nascimento
23 de julho de 1934
História de vida
Mestre jacinto silva, conhecido como “nego sapucaia”, nasceu em itaberaba. Depois viveu um tempo em itaetê. Possui 80 anos de idade. Desde criança trabalhou na lavoura. Há mais de 23 anos começou a trabalhar com pedra, ao tempo em que também garimpava diamante. Aprendeu o oficio observando os outros trabalhando. De início comprou um marrão de 22 kg (custou cinco mil reis) e começou a trabalhar. Aprendeu logo a conhecer as veias das pedras: “eu gosto muito de entender as coisas. Ofício de cortar pedra, eu aprendi pela minha ideia mesmo, eu via os outros trabalhando, eu digo como é que vou trabalhar nisso, então eu pedia lição aos camaradas e eles me davam lição por causa ‘preu’ aprender. Quando é um dia, ‘caçei’ um serviço e não achei, meus filhos tudo precisando, quando cheguei em casa a mulher disse: “ô, nego”, eu digo hein, “aí nego o que tu vai fazer? ” o que noêmia, o negócio não tá brincadeira não. E isso aqui não tinha nada, nada, nada, aqui mesmo onde eu moro tinha poucas casas, ai eu disse, sabe o que eu vou fazer, eu vou pra pedreira eu vou quebrar pedra, e um camarada que mora ali tem uma pedreira no caminho que vai pra cascavel que chama fasto, eu digo camarada, como é que quebra pedra me dê uma explicação, eu quero trabalhar. Aí ele disse, é o seguinte, nego, tem que ter muito cuidado ‘mó’ das pedras não ‘avoar’ na sua testa, tem que bater com cuidado, para não pegar na sua visão, porque tudo acontece, a pedra pegando no olho cega, na perna, aí ‘avoa’ aquelas lascas assim e corta o pé da gente. Aqui é pedra. Então aí eu fui, arrumei um marrão, as ferramentas eu arrumei com o camarada, ele me deu as ferramentas, e eu fui para pedreira, o cara que me deu já morreu. Cheguei lá tinha uma ‘carrada’ de pedra, uma caçamba de pedra, quatro metros de pedra e agora eu continuei e ‘evai, evai’, trabalhava na roça também, aqui mesmo, tinha uma roça aqui, mas hoje em dia não tem mais esse negócio de roça, quando era no final da semana, sexta, sábado, pegava e vinha quebrar pedra, o povo foi chegando ‘oia’, uma ‘carrada’ de pedra = caçamba = quatro metros cúbicos custavam trinta conto, vinte conto, vinte e cinco, isso há vinte anos atrás. E aí ‘evem evem’ de vinte cinco foi para trinta, de trinta para quarenta e hoje tá no preço que tá: cem conto. A primeira pedreira que trabalhei foi aqui a cetrel, veio trabalhar aqui fazendo essa estrada, aí eu trabalhei daqui de dentro até cascavel, cetrel é uma firma que consertava a estrada. Nessa data melhorou minha situação, veio essa firma e trabalhei de pedra até dentro de mucugê, quebrei pedra direto daqui até lá, daí agora eu vim de lá para cá e mudei para cá. Eu aprendi a cortar pedra depois que mudei para andaraí, deve ter uns vinte anos que trabalho com essa arte de pedra, eu corto pedra. Quem me ensinou foi o mundo, a minha inteligência e minha precisão. O homem que tem sua reponsabilidade e precisa dar conta ele vai na boca de toda garrafa e vai na boca de todo perigo, mas ele salva ele e dar um bocado para os outros comerem. Eu tenho dez filhos, morreu um, aliás morreu dois, então tenho oito. A precisão são essas coisas assim, quando chega dentro de casa, cadê? Não tem nada ‘pro’ camarada se manter, com quatro, cinco filhos ali, não tinha um cafezinho nada para dar para esses filhos. Uma crise danada, fome para todo lado, o que vai fazer, só beber água? Água vai sustentar seu alimento? Antes de vim para cá eu trabalhava de serviço de forno, enchendo forno de cal, trabalhava na cal, ali em ituaçu mesmo, trabalhei muito ali. Era uma fábrica grande. Essa fábrica existe ainda, esse cimento vem de lá, o café barra da estiva vem de lá também. ” nego sapucaia, como é conhecido na região, não desenvolve a atividade de construção de alvenaria de pedra, mas domina o oficio de ferreiro e do corte de adobe. Todas as ferramentas que utiliza no corte das pedras são feitas por ele. A sua atividade de cortador de pedra ocorre no entorno da cidade de andaraí em duas pedreiras das quais tem a posse, denominadas de córrego do ramalho e a do córrego do justino.
Localização
Descrição da atuação em rede
Mestre jacinto silva, conhecido como “nego sapucaia”, nasceu em itaberaba. Depois viveu um tempo em itaetê. Possui 80 anos de idade. Desde criança trabalhou na lavoura. Há mais de 23 anos começou a trabalhar com pedra, ao tempo em que também garimpava diamante. Aprendeu o oficio observando os outros trabalhando. De início comprou um marrão de 22 kg (custou cinco mil reis) e começou a trabalhar. Aprendeu logo a conhecer as veias das pedras: “eu gosto muito de entender as coisas. Ofício de cortar pedra, eu aprendi pela minha ideia mesmo, eu via os outros trabalhando, eu digo como é que vou trabalhar nisso, então eu pedia lição aos camaradas e eles me davam lição por causa ‘preu’ aprender. Quando é um dia, ‘caçei’ um serviço e não achei, meus filhos tudo precisando, quando cheguei em casa a mulher disse: “ô, nego”, eu digo hein, “aí nego o que tu vai fazer? ” o que noêmia, o negócio não tá brincadeira não. E isso aqui não tinha nada, nada, nada, aqui mesmo onde eu moro tinha poucas casas, ai eu disse, sabe o que eu vou fazer, eu vou pra pedreira eu vou quebrar pedra, e um camarada que mora ali tem uma pedreira no caminho que vai pra cascavel que chama fasto, eu digo camarada, como é que quebra pedra me dê uma explicação, eu quero trabalhar. Aí ele disse, é o seguinte, nego, tem que ter muito cuidado ‘mó’ das pedras não ‘avoar’ na sua testa, tem que bater com cuidado, para não pegar na sua visão, porque tudo acontece, a pedra pegando no olho cega, na perna, aí ‘avoa’ aquelas lascas assim e corta o pé da gente. Aqui é pedra. Então aí eu fui, arrumei um marrão, as ferramentas eu arrumei com o camarada, ele me deu as ferramentas, e eu fui para pedreira, o cara que me deu já morreu. Cheguei lá tinha uma ‘carrada’ de pedra, uma caçamba de pedra, quatro metros de pedra e agora eu continuei e ‘evai, evai’, trabalhava na roça também, aqui mesmo, tinha uma roça aqui, mas hoje em dia não tem mais esse negócio de roça, quando era no final da semana, sexta, sábado, pegava e vinha quebrar pedra, o povo foi chegando ‘oia’, uma ‘carrada’ de pedra = caçamba = quatro metros cúbicos custavam trinta conto, vinte conto, vinte e cinco, isso há vinte anos atrás. E aí ‘evem evem’ de vinte cinco foi para trinta, de trinta para quarenta e hoje tá no preço que tá: cem conto. A primeira pedreira que trabalhei foi aqui a cetrel, veio trabalhar aqui fazendo essa estrada, aí eu trabalhei daqui de dentro até cascavel, cetrel é uma firma que consertava a estrada. Nessa data melhorou minha situação, veio essa firma e trabalhei de pedra até dentro de mucugê, quebrei pedra direto daqui até lá, daí agora eu vim de lá para cá e mudei para cá. Eu aprendi a cortar pedra depois que mudei para andaraí, deve ter uns vinte anos que trabalho com essa arte de pedra, eu corto pedra. Quem me ensinou foi o mundo, a minha inteligência e minha precisão. O homem que tem sua reponsabilidade e precisa dar conta ele vai na boca de toda garrafa e vai na boca de todo perigo, mas ele salva ele e dar um bocado para os outros comerem. Eu tenho dez filhos, morreu um, aliás morreu dois, então tenho oito. A precisão são essas coisas assim, quando chega dentro de casa, cadê? Não tem nada ‘pro’ camarada se manter, com quatro, cinco filhos ali, não tinha um cafezinho nada para dar para esses filhos. Uma crise danada, fome para todo lado, o que vai fazer, só beber água? Água vai sustentar seu alimento? Antes de vim para cá eu trabalhava de serviço de forno, enchendo forno de cal, trabalhava na cal, ali em ituaçu mesmo, trabalhei muito ali. Era uma fábrica grande. Essa fábrica existe ainda, esse cimento vem de lá, o café barra da estiva vem de lá também. ” nego sapucaia, como é conhecido na região, não desenvolve a atividade de construção de alvenaria de pedra, mas domina o oficio de ferreiro e do corte de adobe. Todas as ferramentas que utiliza no corte das pedras são feitas por ele. A sua atividade de cortador de pedra ocorre no entorno da cidade de andaraí em duas pedreiras das quais tem a posse, denominadas de córrego do ramalho e a do córrego do justino.
Aprendizado do bem
Segundo o mestre o seu aprendizado se deu por ele mesmo, observando os outros executarem o corte da pedra. A necessidade de suprir as necessidades básicas a família o fez buscar uma alternativa de trabalho, “quem me ensinou foi o mundo, a minha inteligência e minha precisão. O homem que tem sua reponsabilidade e precisa dar conta ele vai na boca de toda garrafa e vai na boca de todo perigo, mas ele salva ele e dar um bocado para os outros comerem. ” página 3 de 14
Transmissão de saberes
Segundo as palavras do mestre: “bom, eu ensinei, eu não achei quem me ensinasse, mas meu coração quando vejo uma pessoa sofrer eu não aguento, aí eu ensino. Meu genro mesmo não sabia aí em ensinei. Para fazer o bem sem olhar a quem. ” dos seus filhos apenas um aprendeu o oficio de cortador de pedra, mas na atualidade trabalha em uma empresa em são paulo.

