Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Francisca Alda Hortencia Dias
História de vida
No sertão do Ceará, em uma zona rural interiorana marcada pelas ausências de infraestruturas básicas, como energia elétrica e abastecimento de água, Chiquita nasceu em meio a nove irmãos. Ainda na infância, aprendeu a trabalhar na roça e preparar pratos tradicionais da culinária regional. Aos 16 anos, migrou para o Rio de Janeiro, onde estabeleceu-se na casa de uma tia, buscando oportunidades de trabalho e outra qualidade de vida. A cearense encontrou na Feira de São Cristóvão um ambiente acolhedor que lhe remontava ao sertão do qual havia partido. Na ocasião, os encontros ocorriam apenas aos domingos, reunindo barracas que eram instaladas sob as árvores do logradouro. Chiquita percebeu nesse espaço a possibilidade de trabalhar com os conhecimentos culinários que havia aprendido junto à sua mãe. Então, ainda jovem, iniciou sua atuação com a Barraca da Chiquita, nome escolhido em homenagem à família, que possui diversos parentes nomeados como Francisco e Francisca. Ao longo dos anos, buscou aprimorar os serviços oferecidos, sendo pioneira em diversos aspectos referentes aos feirantes, como a adoção de uniformes e informatização dos recursos. Também incentivou os demais colegas a realizarem cursos de sommelier, barman e técnicas gastronômicas para fortalecer a qualidade do serviço oferecido. A partir dessa trajetória, seu restaurante se consolidou como um dos pontos mais visitados da Feira de São Cristóvão, reunindo centenas de frequentadores semanais, dentre os quais estão diversos forrozeiros atuantes no Rio de Janeiro. O cuidado de Chiquita se estende para além da culinária: para ela, a barraca deve funcionar como um espaço de preservação e difusão da cultura nordestina. Por isso, o ambiente reúne cordéis, peças de artesanato, xilogravuras, redes e diferentes sortes de utensílios.
Identificação de gênero
Mulher cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Chiquita se relaciona com diversos artistas relacionados às tradições nordestinas, dentre os quais estão os forrozeiros. Desde a sua chegada ao Rio de Janeiro, ela participa de uma rede de migrantes vinculados à Feira de São Cristóvão que buscam se organizar, estabelecer um funcionamento adequado do espaço e firmar parcerias entre si. Ademais, na Feira, seu estabelecimento localiza-se em frente ao palco Jackson do Pandeiro, sendo um ponto privilegiado para o acompanhamento dos shows. Já na Barraca da Chiquita de Copacabana, são realizadas apresentações de forró diariamente, o que exige o seu contato constante com diversos forrozeiros.
Bens culturais relacionados
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
De acordo com Chiquita, nas últimas quatro décadas, houve um reconhecimento gradual da cultura nordestina no estado do Rio de Janeiro. Ela afirma que, quando chegou à capital, se deparou com muito preconceito em relação aos nordestinos e aos restaurantes ligados à culinária regional, frequentemente preteridos. Em sua avaliação, houve uma mudança significativa dessa percepção ao longo do tempo. Ela própria contribuiu com essa valorização, abraçando o forró, a culinária, o cordel, o artesanato e demais símbolos que constituem essa identidade regional. Não obstante, muitos restaurantes nordestinos passaram a incorporar elementos semelhantes aos que ela desenvolveu em seus estabelecimentos.
Aprendizado do bem
Os conhecimentos que baseiam seu trabalho foram aprendidos a partir da convivência familiar no Ceará. Chiquita atribui à mãe o aprendizado da culinária e ao pai os ensinamentos ligados à importância do trabalho, à honestidade e à perseverança. Além disso, também realizou cursos oferecidos pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e busca manter-se atualizada, acompanhando outros estabelecimentos comerciais.
Transmissão de saberes
Chiquita abre sua Barraca para a a realização de oficinas de cordel, xilogravura, frevo e culinária, voltadas majoritariamente para crianças e adolescentes matriculados em escolas de Ensino Básico que visitam a Feira de São Cristóvão ao longo do ano. Ela indica que essas atividades buscam proporcionar experiências acerca da cultura nordestina e aproximá-la das novas gerações. Ademais, também compartilha seus saberes com os seus colaboradores, que totalizam mais de 140 funcionários, no cotidiano do trabalho.
Itens relacionados a este
3.3 - Identificação - Bem Cultural
Detentores do bem cultural




