Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Edilson Portugal Neiva
Data de nascimento
4 de abril de 1954
História de vida
Fausto é cortador de pedra, aprendeu a atividade com o pai que por sua vez aprendeu com o avô. É extremamente apaixonado pelo o que faz e pela sua pedreira que fica a 28 km de andaraí. “eu diria que o trabalho nem é rentável, é mais por paixão mesmo. Uma coisa que você tem como oficio de avô, de pai, acabou eu adquirindo isso e eu gosto. Nem é pelo fato financeiro, mas pelo amor do trabalho. Eu gosto de cortar pedra. ” mestre fausto é proprietário de área onde extrai a pedra e faz todos os tipos de trabalhos com o referido material, desde a sua extração até a sua aplicação. Executa pavimentação, alvenaria de pedra seca, pilão, chapa para fogão, entre outros. Além disso, domina as técnicas da construção civil a pesar de não se considerar pedreiro. “a minha área é muito linda, no rio piaba entre mucugê e andaraí. 18km pra mucugê e 28 km para cá. Se fosse para o ecoturismo teria incentivo. Faria uma pousada, um ponto turístico para vender alguma coisa pra turista. Comecei a trabalhar com meu pai, com pedra aos 13 anos. E foi com essa mesma idade que ele começou a trabalhar com meu avô. Eu adquiri a terra depois, já tem 35 anos que eu adquiri essa terra. Eu comecei cortando pedra, nunca construí, mas fazer um muro de pedra rústica agente até sabe, a toca inclusive é feita de pedra seca. ” utiliza das ferramentas tradicionais, como: ponteira, talhadeira, pixote e ferro curto (que abre o buraco na pedra). Apesar de gostar de morar em andaraí fausto pretende se mudar para a pedreira “10 de março de 88 eu mudei pra cá [andaraí] porque o transporte ficou mais fácil daqui pra piaba, onde eu trabalho, e pra itaitê é muito difícil a questão de transporte, aí acabei mudando pra cá. Prefiro aqui, é a terra dos meus pais, tenho parente aqui, acabei me identificando com aqui. Mas sou nascido em itaitê. Eu acho muito bonito andaraí, eu gosto daqui. Eu não to morando lá [na piaba] por causa da energia, é que a energia tá longe. Mas aí eu vou botar e eu vou morar lá. Lá eu tenho água, tenho transporte, fazendo meu feijãozinho pra vender a uma pessoa, cortando uma pedra de vez em quando, eu vou ficar aqui na rua fazendo o que? Tem uma cachoeirinha, banho lá é bom demais, vai ver o forno que eu fiz lá de pedra”.
Localização
Descrição da atuação em rede
Fausto é cortador de pedra, aprendeu a atividade com o pai que por sua vez aprendeu com o avô. É extremamente apaixonado pelo o que faz e pela sua pedreira que fica a 28 km de andaraí. “eu diria que o trabalho nem é rentável, é mais por paixão mesmo. Uma coisa que você tem como oficio de avô, de pai, acabou eu adquirindo isso e eu gosto. Nem é pelo fato financeiro, mas pelo amor do trabalho. Eu gosto de cortar pedra. ” mestre fausto é proprietário de área onde extrai a pedra e faz todos os tipos de trabalhos com o referido material, desde a sua extração até a sua aplicação. Executa pavimentação, alvenaria de pedra seca, pilão, chapa para fogão, entre outros. Além disso, domina as técnicas da construção civil a pesar de não se considerar pedreiro. “a minha área é muito linda, no rio piaba entre mucugê e andaraí. 18km pra mucugê e 28 km para cá. Se fosse para o ecoturismo teria incentivo. Faria uma pousada, um ponto turístico para vender alguma coisa pra turista. Comecei a trabalhar com meu pai, com pedra aos 13 anos. E foi com essa mesma idade que ele começou a trabalhar com meu avô. Eu adquiri a terra depois, já tem 35 anos que eu adquiri essa terra. Eu comecei cortando pedra, nunca construí, mas fazer um muro de pedra rústica agente até sabe, a toca inclusive é feita de pedra seca. ” utiliza das ferramentas tradicionais, como: ponteira, talhadeira, pixote e ferro curto (que abre o buraco na pedra). Apesar de gostar de morar em andaraí fausto pretende se mudar para a pedreira “10 de março de 88 eu mudei pra cá [andaraí] porque o transporte ficou mais fácil daqui pra piaba, onde eu trabalho, e pra itaitê é muito difícil a questão de transporte, aí acabei mudando pra cá. Prefiro aqui, é a terra dos meus pais, tenho parente aqui, acabei me identificando com aqui. Mas sou nascido em itaitê. Eu acho muito bonito andaraí, eu gosto daqui. Eu não to morando lá [na piaba] por causa da energia, é que a energia tá longe. Mas aí eu vou botar e eu vou morar lá. Lá eu tenho água, tenho transporte, fazendo meu feijãozinho pra vender a uma pessoa, cortando uma pedra de vez em quando, eu vou ficar aqui na rua fazendo o que? Tem uma cachoeirinha, banho lá é bom demais, vai ver o forno que eu fiz lá de pedra”.
Aprendizado do bem
“ela mesmo, no meu caso, é trabalho de família, meu avô, antônio neiva, foi quem construiu aquela estrada de igatú, aí para meu pai e meu pai chegou até a mim, e eu já tô cansando com isso, queria alguém pra dar continuidade. (. . . ). Começou com meu avô, meu avô era garimpeiro e cortava pedra rusticamente, batendo marrão. Aí chegou a meu pai, meu pai aprendeu a usar ponteiro, pixote, que é isso que eu uso. Lá a gente não usa explosivo de jeito nenhum, lá é tudo manual. Beneficia um paralelo, beneficia uma laje, faz um pilão tudo a gente aprendeu a fazer, faz cruzes, tudo a gente faz lá. ”
Transmissão de saberes
Fausto ensinou o oficio do corte de pedra formalmente em um curso em andaraí e informalmente para todos aqueles que o acompanharam na pedreira. Ainda que tenha passado o ofício para diversas pessoas fausto tem muitas dificuldades de ministrou um núcleo para o ensino do trabalho com a pedra em andaraí. Fausto foi uma das pessoas responsáveis por repassar o seu ofício nesta unidade de aprendizagem, atualmente projeto está desativado. Além dessa experiência de ensino, fausto afirma ter ensinado mais de 30 pessoas em sua pedreira, mesmo assim acha difícil encontrar mão de obra: “ensinei muita gente, inclusive a cgm na época colocou um núcleo aqui, eu ensinei em dois períodos o pessoal a cortar pedra. Só que o interesse do pessoal daqui, como eles tem a cultura do garimpo eles vão lá enquanto tavam sendo beneficiados, recebiam uma bolsa, depois que o projeto acabou eles também perderam o incentivo. Mas muita gente saiu de lá sabendo fazer o serviço, só que não deu continuidade porque tem a visão que o garimpo dá muito mais, aí o cara não vai ficar na profissão. Hoje a dificuldade que tenho de manter o trabalho é que eu tenho que pegar gente de fora porque mão de obra é difícil. Eu to praticamente acabando com a profissão, porque eu acho que vou investir no turismo, tenho sete tocas, vocês vão ver é muito bonito. Acho que vou até ter incentivo do governo na área de turismo. ” fausto entende aspectos da cultura do garimpo como problemáticos para a continuidade do trabalho de extração de pedra, o garimpo de diamante na região permite o sonho do bambúrrio, de encontrar uma pedra grande e comemorar o feito. A lida fatigante e certeira da extração de pedra, não dá margem aos sonhos de enriquecer, de ter uma vida melhor, como afirma fausto, as pessoas escolhem viver essa ilusão: “a questão da cultura, questão da cultura de garimpo aqui é muito forte é um negócio sério, todo mundo só enxerga o garimpo, aí as pessoas não querem ir trabalhar lá, prefere ganhar menos, mas é aquela coisa acha que amanhã vai ganhar muito, uma pedra grande, vai vender pra adquirir muito dinheiro, e aí fica naquela ilusão. Não quer ter o certo. A pedra [o corte de pedra] é o certo. Eu vendo o paralelo e eu pago para eles 200 reais o milheiro, uma pessoa faz dois mil por semana, 400 reais na semana, o dobro do salário mínimo, para quem não tem estudo é um serviço bom e é certo. Aí a questão do garimpo acha que vai ganhar um milhão logo de uma vez. Às vezes eles não levam em consideração que fica um ano, cinco anos sem pegar nada né? Fica naquela ilusão. Não querem sair para ir fazer uma coisa dessas. ” acerca da continuidade deste ofício fausto afirma: “a minha intenção é deixar isso pra que isso não se venha a acabar, eu gostaria de ter outras pessoas dando continuidade pra que isso não se acabasse. Eu peguei de meu pai que pegou do meu avô, meus filhos hoje não querem isso mais. Mas eu gostaria que alguém desse continuidade pra não acabar. Tudo é maquina hoje e isso é tão bonito. Eu me sinto tão bem trabalhando em pedra, eu não sei por que, mas eu me sinto tão bem. Eu me sinto realizado, essa é que é a grande verdade. Não é nem pelo fato de ganhar dinheiro, por que não e tao bem remunerado assim não, mas é o amor que você tem pela profissão, eu tenho amor de cortar pedra. Tem hora que eu dou um corte na pedra e fico assuntando “que coisa bonita, como é que um ferrinho desse tamanho corta uma pedra? Como é que pode? Que força tem esses ferros pra cortar uma pedra dum tamanho desses? ” aí tem horas que eu fico encabulado com o que eu faço. ” “além de tudo você tem essa questão da demanda, tem que ter o preço bem melhor para vir trabalhar fora. Meu preço tem que ta bem melhor porque se não eles não vem trabalhar aqui. ”

