Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Edson
História de vida
O trabalho com a confecção e restauração de azulejos teve início em 1997, quando edson foi convidado a cursar um curso de restauração em azulejos em portugal, realizado pela fundação ricardo do espírito santo. Neste momento o entrevistado pôde se especializar e se dedicar ao restauro e confecção de azulejos, ora como fiscal do iphan, ora como consultor em empresas contratadas para a realização de trabalhos de restauração. “no século xviii o processo de fabricação dos azulejos o trabalho era todo manufaturado. Por exemplo, um artista de portugal recebia uma encomenda daqui. Então o padre ou responsável pelo monumento que queria fazer um painel de azulejo dava uma gravura. Aqui neste trabalho do convento de santo antonio (do recife) nós encontramos as gravuras ainda na biblioteca dele que originaram aqueles painéis. Nós temos fotos deles nos anos [19]30 quando eles não estavam muito estragados e temos as gravuras que foram feitos os painéis”. Ele não tinha a referência destas gravuras e disse que o acesso era complicado. O convento de santo antonio do recife tem um arquivo onde ficam guardados os documentos. O mestre era chamado de mestre de azulejo. Os desenhos não eram muito figurativos. Os mouros faziam imitação de tapetes, de azulejos imitando tapetes”. O entrevistado contou que nas encomendas do brasil no século xviii foram muito utilizados o azul e o branco. Nos séculos xvi e xvii eram usadas outras tintas, como amarelo, amarelo de estanho, o roxo de manganês. A igrejinha da piedade, que é do século xvi ou xvii, possui desenhos mais grosseiros, com traços menos distintos, usando roxo de estanho e amarelo manganês. Os holandeses não usavam muitos desenhos figurativos e sim figuras avulsas.
Localização
Aprendizado do bem
Entrou para o iphan como auxiliar de serviços gerais. Edson foi chamado na fundação joaquim nabuco para realizar um teste para avaliar sua capacidade em trabalhos de restauração, após ser observado por uma restauradora da entidade enquanto pintava telas. Após passar no teste a que foi submetido, o entrevistado foi convidado para fazer restauração em dezesseis obras de arte na fundação joaquim nabuco. Essas obras eram compostas por telas e esculturas. “após esse trabalho, realizado em telas e esculturas, ganhei uma bolsa, e em 1997 uma fundação [ricardo do espírito santo] em portugal pediu algumas pessoas que trabalhavam na área para fazerem um curso de restauração em azulejo, talha e douramento. Então eu fui pra lá, em 1997, e em 1998, quando voltei, fui trabalhar no convento de santo antônio, de igarassú – pe, restaurando azulejos e talha. Trabalhei na igreja da glória, no rio de janeiro, restaurando azulejos, e no convento franciscano, em salvador – ba. O curso de restauração em azulejos em portugal foi de três meses, dividido entre aulas práticas e teóricas.” seu primeiro contato com azulejos se deu em 1997, momento em que foi para portugal cursar o curso de restauração na fundação ricardo do espírito santo. Antes deste aprendizado, edson já trabalhava com a restauração de telas, talhas e esculturas. “antes de trabalhar com azulejos, me dedicava à restauração de talhas, telas e esculturas. No ano de 1997 tive meu primeiro contato com restauração de azulejos.”
Transmissão de saberes
De acordo com edson, a passagem do conhecimento adquirido em portugal para outros trabalhadores se dá no contexto da obra, quando ele presta consultoria e auxilia nos processos de restauração. Segundo ele, a atividade de ensino está sendo promovida no convento de santo antônio, em recife, em conjunto com as atividades de restauração realizadas no local. “eu diria que teria sido um tipo de ensino esse trabalho que vem sendo realizado no convento de santo antônio, em recife, porque eu tive que ensinar eles mesmo, pois eles nunca tinham retirado um painel de azulejo da parede, então eu tive que ensinar a retirar os painéis da parede, a como dessalinizar as peças retiradas, porque as patologias principais que encontramos eram cloretos, porque cada trabalho que você vai fazer em um trabalho de restauro em azulejo você tem que recolher os materiais e levar para um laboratório para analisar e identificar quais são as principais patologias que estão causando os danos. Então, como temos aqui um lençol freático, porque recife está todo em cima de água, então o maior dano que estavam incidindo nesses painéis eram cloretos, cloretos hidrossolúveis. Então a solução encontrada para esses painéis é não colocá-los em cima da parede, mas sim sobre suportes colocados na parede, mas não com os azulejos em contato direto com a parede para não continuar as patologias. Então o pessoal não sabia como fazer e eu tive que ensinar como retirar os azulejos da parede, como dessalinizar e como usar os materiais, como colar... Todo o processo de restauração.” questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe re 10 q60 05 de acordo com o entrevistado, não existe um curso de restauração em azulejos em recife – pe. “o cursos ministrados pelos portugueses são os melhores cursos em restauração em azulejos, pois foram eles que confeccionaram esses azulejos trazidos para cá no século xviii. Os portugueses é que se especializaram nesses azulejos de tons azul e branco, estilo barroco do século xviii. Em pernambuco nunca houveram especialistas em restauração de azulejos. Em salvador e são luis já tiveram alguns especialistas, mas aqui em pernambuco não.” edson relata algumas experiências de ensino com estudantes da universidade federal de pernambuco. “as pessoas que trabalham com restauração têm toda a noção de como fazer um restauro. O que vai mudar é alguma coisa. Por exemplo, a parte de retirada de cerâmica... Mas tiveram dois alunos da ufpe, de pintura e desenho artístico, então esses dois começaram mesmo a aprender sobre a restauração de azulejos, mas na parte prática mesmo. E eles tiveram um resultado excelente. Eu acho que isso pode crescer porque há uma demanda muito grande em restauração de azulejos e não há muitos profissionais especializados na área.”

