Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Jackson dos Santos Pires
Data de nascimento
11 de janeiro de 1994
História de vida
Filho de pai carioca, Jackson nasceu em Ilha Grande (RJ), onde residiram diferentes gerações da sua família materna. A música atravessa essa história familiar: seus bisavós eram violeiros e seu avô é sanfoneiro de oito baixos. Cresceu em meio a encontros festivos e familiares, marcados por forrós que atravessavam a madrugada, o que fortaleceu seu vínculo com as manifestações culturais da Costa Verde. Ainda na infância, desenvolveu um grande apreço pelo forró através do LP de Luiz Gonzaga que seu bisavô tocava aos domingos. Também foi influenciado por artistas como Mário Zan, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro. Atualmente, atua como cantor e instrumentista, tocando sanfona, pandeiro e triângulo, e se apresenta com o Trio Forró do Abraão, além de outros artistas da região.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Compõe o Trio Forró do Abraão e também realiza apresentações em parcerias com outros forrozeiros, como o Trio Nilopolitano e o triangulista Seu Madruga. Elas ocorrem na Costa Verde e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, além de estados vizinhos, como São Paulo e Espírito Santo, incluindo festivais e eventos diversos.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Jackson é um forrozeiro da região da Costa Verde que atua, sobretudo em Ilha Grande, como cantor e multi-instrumentista. Em seu trabalho, busca preservar e reproduzir os ensinamentos seculares que herdou de seus familiares e mestres - tanto no escopo do forró, como das práticas caiçaras.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O artista destaca que o forró chegou à Ilha Grande em meados do século XX, entrando em diálogo com tradições locais (como a ciranda, o calango e as folias de reis) amplamente presentes nas casas da região. Rapidamente, ele se popularizou e passou a integrar os festejos cotidianos das famílias. Jackson percebe que essas manifestações influenciaram diretamente a forma de execução do forró no território: o modo de dançar, por exemplo, resulta de aproximações com o calango, que compartilha semelhanças rítmicas. De acordo com o sanfoneiro, na Ilha Grande, o forró passou por momentos de oscilação. Nos anos 2000, suas práticas foram reduzidas em função da expansão do turismo, que implicou restrições sonoras e transformações nos usos dos espaços, como a conversão de residências em pousadas. A partir de meados da década de 2010, período em que Jackson iniciou sua atuação musical, a cena voltou a se fortalecer. Após o fim da pandemia de covid-19, as apresentações tornaram-se frequentes, chegando a ocorrer dois ou três eventos por dia. Atualmente, o forró ocupa posição de destaque na cena cultural local, sendo amplamente demandado por estabelecimentos e turistas. Durante a alta temporada (que corresponde aos meses do verão), essa dinâmica se intensifica. Com o aumento do fluxo turístico, cresce também a demanda por apresentações nos estabelecimentos da ilha. Nesse contexto, Jackson observa que o forró vem se consolidando como um elemento constitutivo da identidade cultural de Ilha Grande, figurando como um dos principais atrativos para visitantes e moradores.
Aprendizado do bem
Participava ativamente de festejos e ensaios de folia de reis, calango e ciranda, convivendo com diversos mestres, como Constantino Cokotós, por quem nutria profunda admiração. Diante da preocupação com a ausência de um sucessor e com a possível descontinuidade dessas práticass, passou a observá-lo com atenção. Ao encontrar, junto de seu primo, uma sanfona guardada na casa do avô, iniciou de forma autodidata sua prática no instrumento, buscando reproduzir o que via e ouvia. Deu continuidade ao aprendizado e, após o falecimento do mestre, assumiu parte de suas funções, bem como o compromisso de manter vivas essas tradições. Após alguns anos, passou também a dar seguimento aos trabalhos de outros mestres, incorporando e atualizando seus repertórios em sua própria atuação.
Detentores com os quais aprendeu sobre o bem cultural
Transmissão de saberes
Tem desenvolvido projetos voltados ao ensino de instrumentos musicais para o público infantil em parceria com outros forrozeiros da região. Destaca que há uma carência de atividades artísticas destinadas às crianças da Ilha, que, no período pós-escolar, frequentemente permanecem sem opções estruturadas para tal. No entanto, a limitação de recursos materiais (por vezes, supridos através de empréstimos instrumentais dos blocos carnavalescos ou doações de outros grupos) e a ausência de financiamento têm dificultado a continuidade dessas iniciativas. Paralelamente, Jackson organiza desfiles cívicos e apresentações de fanfarras junto às escolas, com base nos ensinamentos de seu mestre Geraldo. Seu objetivo é promover a transmissão de saberes musicais, ampliando o contato das crianças com diferentes instrumentos e ritmos, e possibilitando uma atuação contínua ao longo do ano.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Passou a se inscrever em editais de fomento, destacando que os recursos obtidos são fundamentais para viabilizar a produção de eventos e a remuneração dos forrozeiros. Nesse contexto, manifesta o interesse de acessar leis de incentivo à cultura como forma de garantir os recursos necessários à realização de oficinas musicais voltadas ao público infantojuvenil. Ressalta, ainda, que a escassez de apoio público constitui um obstáculo significativo ao engajamento e à permanência dos artistas locais na cena do forró.




