Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
José Mauro Canabarro
Data de nascimento
3 de agosto de 1965
História de vida
Nascido na zona rural de Alagoas, filho de pai militar e mãe professora, migrou para Maceió aos 12 anos de idade. Nos anos 2000, morou em São Paulo e, atualmente, reside na região da Costa Verde, no Rio de Janeiro. Zé Mauro já exerceu outras profissões, mas, hoje, dedica-se apenas ao forró. Trabalha como luthier, ofício pelo qual fabrica diversos instrumentos percussivos, além de ser um cantor e multi-instrumentista - com destaque à zabumba, o triângulo e o ganzá. Atualmente, se apresenta com mais ênfase nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, sobretudo em festivais, como o Baile do Pão de Queijo. Apesar de integrar o Trio Mambucaba, suas atuações também ocorrem em parcerias com outros forrozeiros e são acionam diversas referências culturais nordestinas, como o cordel.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
Zé Mauro realiza shows com outros forrozeiros, sobretudo do Rio de Janeiro, e fabrica instrumentos percussivos para os músicos da rede.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Atua na cena do forró como cantor, multi-instrumentista e luthier. Seus instrumentos circulam por diversos países, como França, Holanda, Bélgica, República Tcheca, Portugal, Inglaterra e Alemanha. Desenvolve trabalhos únicos com o material ACM (alumínio e composto), chegando a vender 58 zabumbas por ano. Já produziu instrumentos de madeira, mas, depois de um longo estudo, encontrou melhores possibilidades de isolamento sonoro com as películas de alumínio e poliéster derretido imprensado - material importado da China ou Rússia. Também fabrica etiquetas à laser e bolsas para carregá-los. Se destaca pela variedade dos seus instrumentos, que atendem às diferentes exigências dos artistas. Destaca que essa confecção de instrumentos exige conhecimentos aprofundados, como os valores e polegadas das circunferências. Contudo, sua marca não é patenteada em decorrência dos custos do processo.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Para José Mauro, a cena de forró da Costa Verde, de modo geral, está sendo enfraquecida - com exceção de alguns estabelecimentos que seguem contratando os forrozeiros, sobretudo em Angra dos Reis e Paraty. Ele percebe que os eventos mais recorrentes vêm dispensando os trios pé-de-serra e utilizando bases eletrônicas e teclado. Segundo o artista, as apresentações aumentam no período junino, quando os artistas "tradicionais" (que buscam preservar as raízes nordestinas da cena) disputam com grupos mais modernos e artistas famosos por reconhecimento.
Aprendizado do bem
Através da sua mãe, Zé Mauro cresceu ouvindo muita música. Quando mais novo, ainda no Nordeste, fazia brinquedos e instrumentos musicais a partir de latas de leite. Estudou educação artística e participou de um grupo, na escola, sobre música e danças afro-brasileiras. Porém, foi observando os seus amigos forrozeiros que se interessou por essa cena. É influenciado por grandes referências de Alagoas, como Djavan, Hermeto Pascoal, Jacinto Silva, João do Pife e Eliana Pittman, além de outros grandes músicos do forró pé-de-serra. Conheceu também artistas, como Nelson da Rabeca, que foram importantes para a construção da sua trajetória. Para tocar a zabumba, baseia-se nas influências de Luiz Gonzaga, Mestre Parafuso, Fê Silva, Mestrinho, Zé Pacheco e Duval. Já o ofício de luthier foi aprendido sozinho.
Transmissão de saberes
Busca passar os seus conhecimentos sobre o ofício de luthier para alguns jovens forrozeiros com os quais tem contato, de modo espontâneo, sem ministrar oficinas escolares ou institucionais.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Pontua que a remuneração dos músicos locais costuma ser insatisfatória e que os grandes eventos priorizam a contratação de artistas ou grupos de maior notoriedade. Além disso, destaca que uma dificuldade dos forrozeiros idosos reside no acesso à internet: muitos eventos e editais exigem inscrição online, por meio de ferramentas e linguagens que os mesmos não dominam. Diante disso, os mesmos precisam arcar com os custos serviços profissionais para fazê-la.







