Informações
Projeto relacionado
Nome completo
João Alves Dos Santos
Data de nascimento
18 de janeiro de 1937
História de vida
A atividade da carpintaria e marcenaria faz parte da memória de infância do mestre dão. Ele conta que quando ainda criança, próximo ao local onde nasceu chamado mato preto de parnaíba, tinha um velho chamado miguel que era carpinteiro o qual quando ele passava pela casa do referido carpinteiro, o observava batendo e gostava de ir lá mexer nas coisas. O velho carpinteiro dizia para sua mãe “olha miúda, o apelido dela era miúda, esse menino quando crescer vai trabalhar com madeira, vai ser um grande carpinteiro [. . . ]. Eu não fui aprender não, só lembro dessa passagem que ele falou com minha mãe. ” dão é marceneiro e lavrador. Faz estruturas em madeira como tesouras e batentes, também fabrica portas, portas de almofada, janelas, barris de diversos tamanhos, miniaturas de casas, e quebra- cabeças de madeira. Ainda menino, mestre dão, trabalhava na lavoura com a família plantando cana para moer no engenho que produzia aguardente e rapadura. As atividades de produção dos engenhos exigiam manutenção e reparos constantes das peças de madeira, exigindo o conhecimento de carpintaria e marcenaria de quem lidava com estas estruturas. O mestre dão iniciou seu aprendizado com seu tio rosalvo dão iniciou seu aprendizado com seu tio rosalvo ribeiro, irmão da sua mãe e aprimorou seu aprendizado com outros carpinteiros da região. Um aprendizado que se deu muito pela observação e desafios impostos diante das necessidades advindas de uma vida de muita luta pela sobrevivência. A região de souto soares é ainda, na atualidade, um local onde podemos encontrar um número significativos de engenhos de cana e de farinha, onde são produzidos aguardente, rapadura, melaço, farinha e beijú. Estas pequenas unidades de produção foram por muito junto com a agricultura e o pastoril os elementos estruturadores da economia local. Nada mais plausível que as atividades de carpintaria e marcenaria fossem um elemento essencial para a dinâmica da produção local. Sem falar das necessidades desses ofícios para todo tipo de construção, seja de serviço e residencial. Ao longo da sua vida, o mestre, foi aprimorado seu oficio, trabalhando na atividade de marcenaria, ao tempo em que aprendeu também a dominar ferramentas e maquinários modernos. Na atualidade possui um grande domínio no fazer tradicional e no uso das novas ferramentas industrializadas: “ah, cheguei um dia de bicicleta de souto soares, aí me fizeram uma surpresa, estava a tupia pro lado de fora do depósito, aquela estava pro lado de fora, só colocaram para dentro a plaina porque passou pela porta, ai eu não lembro a data, faz muito tempo, eu quero muito bem a minha família, deus que nos ajuda. Eu perguntei o que era essas máquinas aqui, aí ela disse é um presente que seus filhos mandou pra você. . . José neto, jorge, joel, juvenal, gilson, nino, estava lá, comprou e mandou pra você para fazer uma surpresa ai eu disse: cadê a plaina? Ela disse o que é a plaina, quando abri a porta do depósito a plaina estava lá dentro. E aí não tinha telefone naquela época, escrevi uma carta, eles escreveram para mim, perguntando se já tinha recebido as máquinas, ai é para o senhor fazer o cômodo, o salão para trabalhar com elas, ai fiz isso, essa tesoura com essa simplicidade foi eu que fiz, trabalhei muito. Eu sempre trabalhei aqui na região e aí botei a porta, eu que subi as paredes, sou pedreiro, eu só não sei roubar, porque eu não quero, se eu for roubar, eu sei, e se eu roubar ninguém descobre que eu sou ladrão, porque até agora, graças a deus máquinas não foi eu que comprei não, me doaram, me deram de presente, quem? Meus filhos. Mais, moço, com a máquina eu fiz bem mais. ” página 3 de 20
Localização
Descrição da atuação em rede
A atividade da carpintaria e marcenaria faz parte da memória de infância do mestre dão. Ele conta que quando ainda criança, próximo ao local onde nasceu chamado mato preto de parnaíba, tinha um velho chamado miguel que era carpinteiro o qual quando ele passava pela casa do referido carpinteiro, o observava batendo e gostava de ir lá mexer nas coisas. O velho carpinteiro dizia para sua mãe “olha miúda, o apelido dela era miúda, esse menino quando crescer vai trabalhar com madeira, vai ser um grande carpinteiro [. . . ]. Eu não fui aprender não, só lembro dessa passagem que ele falou com minha mãe. ” dão é marceneiro e lavrador. Faz estruturas em madeira como tesouras e batentes, também fabrica portas, portas de almofada, janelas, barris de diversos tamanhos, miniaturas de casas, e quebra- cabeças de madeira. Ainda menino, mestre dão, trabalhava na lavoura com a família plantando cana para moer no engenho que produzia aguardente e rapadura. As atividades de produção dos engenhos exigiam manutenção e reparos constantes das peças de madeira, exigindo o conhecimento de carpintaria e marcenaria de quem lidava com estas estruturas. O mestre dão iniciou seu aprendizado com seu tio rosalvo dão iniciou seu aprendizado com seu tio rosalvo ribeiro, irmão da sua mãe e aprimorou seu aprendizado com outros carpinteiros da região. Um aprendizado que se deu muito pela observação e desafios impostos diante das necessidades advindas de uma vida de muita luta pela sobrevivência. A região de souto soares é ainda, na atualidade, um local onde podemos encontrar um número significativos de engenhos de cana e de farinha, onde são produzidos aguardente, rapadura, melaço, farinha e beijú. Estas pequenas unidades de produção foram por muito junto com a agricultura e o pastoril os elementos estruturadores da economia local. Nada mais plausível que as atividades de carpintaria e marcenaria fossem um elemento essencial para a dinâmica da produção local. Sem falar das necessidades desses ofícios para todo tipo de construção, seja de serviço e residencial. Ao longo da sua vida, o mestre, foi aprimorado seu oficio, trabalhando na atividade de marcenaria, ao tempo em que aprendeu também a dominar ferramentas e maquinários modernos. Na atualidade possui um grande domínio no fazer tradicional e no uso das novas ferramentas industrializadas: “ah, cheguei um dia de bicicleta de souto soares, aí me fizeram uma surpresa, estava a tupia pro lado de fora do depósito, aquela estava pro lado de fora, só colocaram para dentro a plaina porque passou pela porta, ai eu não lembro a data, faz muito tempo, eu quero muito bem a minha família, deus que nos ajuda. Eu perguntei o que era essas máquinas aqui, aí ela disse é um presente que seus filhos mandou pra você. . . José neto, jorge, joel, juvenal, gilson, nino, estava lá, comprou e mandou pra você para fazer uma surpresa ai eu disse: cadê a plaina? Ela disse o que é a plaina, quando abri a porta do depósito a plaina estava lá dentro. E aí não tinha telefone naquela época, escrevi uma carta, eles escreveram para mim, perguntando se já tinha recebido as máquinas, ai é para o senhor fazer o cômodo, o salão para trabalhar com elas, ai fiz isso, essa tesoura com essa simplicidade foi eu que fiz, trabalhei muito. Eu sempre trabalhei aqui na região e aí botei a porta, eu que subi as paredes, sou pedreiro, eu só não sei roubar, porque eu não quero, se eu for roubar, eu sei, e se eu roubar ninguém descobre que eu sou ladrão, porque até agora, graças a deus máquinas não foi eu que comprei não, me doaram, me deram de presente, quem? Meus filhos. Mais, moço, com a máquina eu fiz bem mais. ” página 3 de 20
Aprendizado do bem
Rosaldo ribeiro, seu tio, irmão de sua mãe, apelidado de biba foi quem lhe introduziu no oficio de marceneiro. “a carpintaria eu comecei mais um tio meu aqui, ele precisava de um jogo de barril. Ele não sabia fazer, era carpinteiro, mas não sabia fazer. Precisava pra levar água de jegue. Ele conversou com o joão preto que sabia fazer, levou a madeira, quando ele chegou veio com um jogo de barril, trouxe a moldura. E disse: ó dão é assim que se faz um barril. O primeiro carote que eu fiz mais ele, eu coloquei arroz dentro, sacudi e saiu tudo, parecia uma peneira. É que nem um quebra cabeça, a pessoa invocou com um quebra-cabeça, vai tentando, tentando, tentando, tentando até aprender. Desmontar e montar e fazer tudo né? Até fazer mesmo. ” localmente sua produção ficou conhecida por superar aquela de seu tio: “joão tá fazendo barril melhor do que biba” mais tarde teve outro mestre, seu valdinho, que o ensinou a trabalhar a madeira com máquinas. Conta a história de quando foi encomendar portas de almofada à seu valdinho, quando ele chegou lá com as madeiras o marceneiro falou que dão faria as portas junto com ele, pois ele não aguentava mais serrar madeira pesada, então dão serraria com o ajudante. Dão saía de bicicleta para trabalhar todos os dias. "eu já fazia porta lá, mais ele, essa porta fui eu que fiz. Mas essa janela já eu fiz no mulungu, mas já fiz aqui também, porque já tinha as máquinas, tinha um carpinteiro lá, um velho pretinho, todo sábado eu com aquela vocação entrava lá na marcenaria dele para ver trabalhando e meus colegas, disse ó joão, cabeça branca se tu pegar umas máquinas dessa você fazia tudo, o velho pegou conhecimento comigo e perguntou se eu trabalhava com madeira ai eu disse que invento, ai quando eu tava fazendo a casa, ai ele trouxe uma madeira preu fazer umas portas de almofada, cheguei lá com as madeiras tudo de pau d ‘arco, dessa aqui, não tem nada de fraca, tudo é pau d’arco, quando cheguei lá com a madeira ele disse preu ir fazer as portas mais ele, eu digo puta merda, eu com aquela vocação de trabalhar. Ele não aguentou serrar a madeira pesada aí disse preu serrar ir mais eles. Quando eu cheguei lá tupia, plaina, circular, torno de madeira, parece que eu tinha entrado no céu (. . . ) pra trabalhar com aquelas máquinas. E ele falava: "olha dão, plaina, circular, torno, é tudo perigoso, agora a tupia aqui tome cuidado, porque a tupia aqui se você tiver concentrado em outro assunto e for trabalhar aqui na tupia, deixa o serviço da tupia de lado, porque aqui é perigoso. " e é perigoso mesmo. (. . . ) e aí eu levava a marmita, e o velho foi tomando conhecimento comigo, a namorada mandava beiju pra ele, mandava doce, tomando conhecimento. Aí ele falou comigo: "não precisa mais trazer marmita não moço, pode almoçar aqui mais nós. ” por fim ele achou que eu ajudei muito ele lá, segundo pela boa vontade que eu tinha de ajudar ele, terceiro a boa vontade de fazer as minhas portas, a boa vontade de trabalhar com aquelas máquinas. Por fim ele mandou o gerson que trabalhava mais ele, mandou tornear uma cama pra mandar pra namorada, taí a cama, torneadinha. Torneamos uma cama pra dona narcisa, ela me agrada muito. (. . . ) aí eu trouxe a cama, taí ela. " 0:44:25. 2 eu aprendi a fazer porta de almofada com seu valdinho, o velho valdinho que tinhas as máquinas, essa porta simples eu já fazia, essa daqui mesmo é serrada com serrotão. Serrotão serra a madeira tudo de vez. Trabalhava no céu e ele falava, plaina, circular, tudo é perigoso, torno, agora a tupia tu toma cuidado, porque a tupia aqui se você tiver com o sentido em outro assunto, deixa a tupia de lado, deixa esses serviços de outro lado porque é perigoso, e é perigoso mesmo, esse troço aqui, vamos dizer, fazer as cabeceiras, pra fazer essa tábua aqui, essa mais fina aqui, vamos dizer que pode fazer um negócio desse tamanho. Se ficar com medo ela lhe ‘escurraça’, ela domina é que nem aquela ali, aquela ali já me deu uma beliscada, o velho saia daqui todo dia de bicicleta e ia trabalhar no molungu, levava marmita. Por fim, o velho achou que eu ajudei muito ele, aí eu fiz umas portas lá mais ele, tinha a boa vontade de ajudar ele, segunda a boa vontade de fazer minhas portas, terceiro, a minha vontade de trabalhar com aquelas máquinas. ”
Transmissão de saberes
Não passou a diante o ofício de marceneiro, porém um de seus filhos virou agricultor: "nem meus filhos aprenderam comigo (. . . ) só tem um que aprendeu a minha profissão na roça. " justifica a ausência de aprendizes explicando a falta de interesse na profissão: “a vocação é que não tá tendo, se tivesse vocação teria um deles aqui junto comigo, porque tá aqui a ferramenta pra quem trabalhar, empresto, que eu gosto de emprestar, se eu empresto é porque eu tenho. ” “aqui ninguém quis aprender. Esse serviço de carpinteiro aqui dentro da região vai acabar. Aqui dentro da região vai acabar porque tá vindo de fora. O que vem de fora, as portas, batentes é tudo como nós faz aqui, já tem outras que é diferente, é com aquele material que “morfa”, tudo é mais ruim que esse ai que toma chuva, toma sol e tá ai. ” página 4 de 20

