Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Jorge sinfrônio
Localização
Aprendizado do bem
Jorge, o pioneiro dos três, aprendeu inicialmente com hamilton, na restauração igreja do carmo em olinda. Inicialmente como ajudante de pedreiro, pediu a hamilton que o ensinasse a atividade. Após aprender e desenvolver as habilidades no ofício foi trabalhar com o mesmo fazendo restauro na igreja do carmo. Assim ele descreveu: “na verdade, a profissão de cantaria [entre os irmãos] começou comigo [jorge]. Eu fui a primeira pessoa [após hamilton] que iniciou o trabalho de cantaria. Comecei a fazer o ofício através do mestre hamilton martins, que é um funcionário do iphan, e eu fui o pioneiro a iniciar o trabalho com ele, não só pioneiro na [minha] família, como também [como] aluno.” em outro momento, destacou: “quando eu entrei na área da cantaria eu era ajudante de pedreiro. Ganhava um salário da profissão, foi quando eu tive essa oportunidade com o hamilton, através do clodel que era o diretor da época do iphan de pernambuco. Ele é uma pessoa dignamente humana. E ele, assim, tinha a necessidade de fazer a obra, e queria também resgatar pessoas para aqueles ofícios. E hamilton com a boa vontade, lógico, de ensinar”. E voltando à fala anterior: “e daí por diante, devido à necessidade do mercado de trabalho, nós começamos a introduzir também outros irmãos outros colegas que já trabalham nessa área, dentro de pernambuco. E esse trabalho iniciou-se na igreja do carmo de olinda, onde hoje fica o escritório da área de olinda, que é justamente a igreja do carmo em [19]95 isso. Em [19]95 iniciou-se o trabalho, e daí por diante começamos a desenvolver a área não só em olinda, mas em outros municípios. Eu aprendi os primeiros passos foi feito com hamilton, depois nós tivemos que descobrir outras formas de trabalho, no desenvolvimento do trabalho, até porque ninguém consegue ensinar tudo aquilo que sabe. Você tem que ir buscando as suas condições de acordo com o trabalho, de acordo com o que a sua necessidade se habitua. A questão a necessidade da obra. Então, nós tivemos que ir buscar mais pessoas, tivemos que mostrar no campo de obra o desenvolvimento de cada um. é lógico, cada um também tem os seus limites. Então, a gente vai se adequando. Jerônimo mesmo também iniciou com hamilton, antes de trabalhar comigo. O josuel veio antes e o jerônimo veio depois.” jorge foi junto à hamilton e josenildo para a itália fazer um curso (cf. Entrevistas com hamilton martins de souza e josenildo sinfrônio de luna), e assim balanceou sua viagem: “foi lucrativa para a gente que não tinha certo conhecimento de nome infelizmente para o ser humano, pesa muito: ‘ah, eu fui para a europa’, então você é um deus. E não é assim. Ou você tem capacidade ou não tem. Você pode ir para a china, não interessa. Mas você. Aprende aquilo que está de acordo com a sua situação. Foi muito bom o trabalho feito pelo governo federal, o último ano do governo passado”. E fez um balanço sobre o aprendizado na itália. “tivemos professores tanto italianos, como alemães, franceses. O centro onde se diz, a escola de veneza, é onde toda a europa corre parase ensinar, se estudar lá e também deu para diferenciar, que nós ou melhor, notarmos - porque a gente só sabe o que é o brasil quando a gente está fora – que nós não estávamos atrasados com o restauro no brasil. Estávamos no mesmo patamar. Até porque já haviam ido pessoas antes, feito curso lá, essas pessoas que foram já tinham nos passado algumas técnicas, algumas coisas foi bom, porque deu para ver qual a diferença entre o que a gente sabia, o que a escola estava ensinando. Não quer dizer que não aprendemos, não , pelo contrário, aprendemos muito”. Jerônimo fala sobre como aprendeu: “fui trabalhar na área de cantaria porque, na época os meninos estavam trabalhando no teatro de santa isabel, e houve a necessidade de fazer o mural moinho de caeté, em comemoração aos quinhentos anos do brasil. Aí, através de elias, que é o nosso cunhado que também faz parte da cantaria, [ele] me levou para lá para conhecer o trabalho e aí eu fui me aprimorando, tendo os meus conhecimentos e logo após, quando a gente acabou lá, foi quando jorge pegou uma pequena obra também em olinda, fui ajudar ele, foi na época que eles viajaram [para veneza]. Jorge trabalhava aqui no carmo do recife. De lá elias foi que me fez o convite, fui para lá, fiz um teste, ingressei, em seguida a gente tomou cada um o seu rumo. Tanto trabalhando com o jorge, como com o hamilton, ou até o próprio josenildo também, que pegam trabalhos, fazem o convite, a gente vai e faz o trabalhocomecei com dezessete anos, porque até mesmo eu não podia trabalhar no [teatro de] santa isabel, por conta dequestões ‘trabalhísticas’, aí foi quando eu fui aprender moinho de caeté, porque era um trabalho totalmente de escultura” e complementa: “particularmente, o que me levou [à cantaria] foi a curiosidade. Porque todo mundo falava ‘cantaria’, ‘cantaria’, e o que é cantaria? De onde veio a coisa. Através disso, os meninos estava no teatro santa isabelonde foi elias quem me levou [elias perguntou:] ’ bicho, está afim de fazer alguma coisa?’ [perguntaram a jerônimo, ao que o mesmo respondeu:] ‘estou!’ só acostumado, dezessete anos, só jogar bola, correr atrás de papagaio [pipa] e perturbar mesmo. Então houve a necessidade também, e a curiosidade de saber o que era a questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe re 10 q60 16 cantaria, foi quando eu fui descobrindo, me inteirando, e hoje é a minha profissão. Tudo que eu faço é em função da cantaria. Tudo, tudo, tudo. Isso foi primordial para mim, através de elias, me levar esse conhecimento”. Quando perguntado sobre a obra que mais o havia marcado, ele ressaltou: “eu acho que foi logo no início, quando eu estava com jorge, que realmente valeu a pena, foi o pontapé inicial para mim, na área do restauro. Porque hamilton foi na área de confecção mas na área mesmo de restauro, com jorge que também fazia o curso nessa capela, de rebocos e fachadas mas assim, fui me identificando com a cantaria.” e por sua vez o josuel conta como aprendeu: “eu comecei com jorge que me trouxe para trabalhar lá na igreja do carmo, aí a gente foi [em] noventa e cinco, aí de lá ele me ligou para [ir trabalhar] no teatro de santa isabel, nós trabalhamos lá ‘tudinho’, com o hamilton inclusive. Saindo de lá a gente foi pro paço alfândega, que hoje é um shopping aqui no centro do recife, e daí por diante. Hoje em dia a gente está aqui trabalhando, dando oportunidade porque realmente vale à pena.” e complementou: “o que me levou ao ofício da cantaria foi a questão de aprender realmente, e a necessidade. Eu trabalho com flores também, aí o negócio não deu, aí me chamaram para seguir essa profissão, e hoje em dia estou adorando, e só não faço esculturas, certo? Agora se me der para fazer um acabamento, de lixar, essas coisas. Aí eu adianto o processo.[também] a lapidação da pedra”. Vale ressaltar que o trabalho com flores de josuel trata-se de vender flores pelos bares da noite de recife. Alguns dos canteiros tentaram fazer um curso de cantaria em outro estado (qual deles não foi informado) com o intuito de obterem um diploma, mas isto acabou por não se concretizar (para mais detalhes cf. Campo 5.4). Jorge também comentou sua relação com os tratados do ofício. “no caso as cartas de veneza, as cartas patrimoniais sim, nós temos esse conhecimento dentro das cartas de restauro”
Transmissão de saberes
Jorge ensinou a seus irmãos jerônimo e josuel. (cf. Campo 5.2). Além disso, jorge participou de uma ong, onde ensinava crianças a fazer esculturas em resina (cf. Campo 5.5), e assim respondeu ao ser indagado se alguns de seus alunos seguiram na cantaria: “na área da cantaria eu acredito que não, porque o projeto, ele foi muito restrito um tempo muito curto, a proposta de trabalho, eu não sei até que ponto vale, porque eu também chegou o meu período de trabalho, e eu tive que me desligar da ong. Não sei a que pé está hoje. Mas assim o campo da cantaria, ele é muito, muito restrito. Pelo fato de poucas obras serem executadas. Nós estamos com muita sorte no período[, de] nós termos muito trabalho. Graças à deus”. Jorge complementa comentando sobre as formas de ensino existentes, e do ensino na obra, que parece ser o modo de ensino mais corriqueiro da cantaria, pelo menos é o modo como os irmão ensinam: “hoje em dia nós temos opções, com a ong. Hoje nós temos o ceci, que é uma escola que se ensina, e é por aí. é muito restrito, as informações mas nós temos materiais suficiente para ir para a sala de aula, está certo? Só que, você não vai fazer só na sala de aula, você tem que levar também para a obra[e] geralmente em cada obra vai surgindo dois, três que não tem nenhum conhecimento, então nós vamos passar o conhecimento para eles de acordo com a situação, que é a obra. Não que ele vá pegar de imediato o maquinário, vai comprar as pedras, não! Ele vai aprender à limpar a pedra,”. Neste momento houve uma interrupção, mas tem-se a impressão de que queriam destacar que os iniciantes começam com certas atribuições menos qualificadas e mais ‘brutas’, como a parte limpeza e provavelmente também do transporte, como relatado pelo também canteiro hamilton martins de souza.

