Informações
Projeto relacionado
Nome completo
“dedé” ou “zé limão” (zé limão é o apelido do pai, mas que de certa forma foi herdado por josé erivan
História de vida
O aprendizado da produção nas olarias é algo feito freqüentemente num certo âmbito familiar. José erivan aprendeu com seu pai, que por sua vez aprendeu com sua mãe, no caso a avó de erivan: “pai está aqui, mas ele está dando uma ajuda... Aposentou-se e já faz... Aquela história, trabalhou desde pequeno, mais novo que esse menino [o filho de josé erivan, de aparentemente 13, 14 anos]. Ele [seu pai] nasceu e se criou dentro da olaria, junto mais a mãe dele mesmo. Separado de pai, três filhos, e nasceu e se criou no galpão desde pequenininho já trabalhando, não teve estudo. Ele [diz]: ‘olha, eu já estudei mais do que vocês, [por]que eu aprendi o que é um ar’ [trecho ininteligível]... Em maio agora ele completa 65 anos. Já trabalhou muito”. A região de bezerros foi próspera no ramo das olarias, mas percorrendo certos locais é possível ver muitas olarias abandonadas. Na avaliação do entrevistado, do período em que seu pai iniciou no ramo até os dias de hoje o número de olarias atuais caiu para cerca de menos de um terço dos daquela época. José erivan faz um prognóstico não muito animador e bem pessimista quanto à manutenção deste ofício: “rapaz, eu acho que desse tijolo aqui tem na faixa de uns vinte olarias... Tijoleira só tem a gente aqui fabricando e os filhos de zé pedro, aí... Mas na tendência agora, eles estão querendo botar uma máquina de seis furos... Aí só vai ficar a gente. Aí, vamos dizer, mais pra frente, eu tô puxando a carreira do velho [de seu pai], já os dois mais novo [filhos de seu pai] não quis, né... ‘já tô habilitado’[disse o irmão]... Arrumou um serviço, tá gordo, ‘reducho’, [está com] uma moto nova aí... Melhorou mais a vida... Eu tô por ali até quando deus quiser. Vou arrumando a feira. é [o] que tá acontecendo. Muitos o pai morre, os filhos não quer nada , vende, deixa cair. Tinha três aqui na ...Que eu trabalhei até lá, meu pai trabalhou também. Três olarias, [com] muito barro. Aqui eu compro barro, lá tem muito barro. O local fica mais ruim pra venda, que aqui é melhor, porque é mais chegado à rua...Deixaram cair, caiu e acabou-se.... Antigamente meu pai conta que tinha cento e cinqüenta olaria e agora pouco ele disse que tinha cem, e agora, se muito tiver, tem umas cinqüenta. Aqui mesmo, logo ali na frente.. Uma grande cerâmica. Chegou o tempo ali de ter doze caminhão carregando tijolo seis furo, oito furo [por dia]... Era um forno que queimava cento e vinte [mil], e outro forno queimava oitenta milheiro...Hoje em dia está só a terra [em ruínas]”. Para se ter uma idéia, para efeito de comparação, os fornos de erivan conseguem queimar vinte e cinco milheiros de tijolos. Apesar deste cenário desolador, há ainda alguns que conseguem alguma prosperidade no ofício. Erivan conta que esta cerâmica: “estão começando a reconstruir ele. O cidadão do outro lado comprou e disse que vai ver se monta a olaria dele, que lá está num ponto mais afetado do rio, na cheia. Aí vai ver se do lado de cá a cheia não ‘agressou’, vai reconstruir de novo. A cerâmica tem mais espaço, espaço pra ele estocar o barro... Que era da cerâmica rochedo”. Há também o caso de outra pessoa da região que entrou recentemente no ramo, mas que conseguiu retorno de forma relativamente rápida: “o menino começou agora a pouco, taí, já começou devagarzinho, já tem um carrinho pra entrega, já comprou um tratorzinho velho, mas tá botando o barro na boquilha, já ajuda. Faz, vamos dizer, faz serviço por cinco trabalhador, numa máquina né? Aí já vai melhorando, cada vez vai crescendo mais, porque vai dando mais empregos, já construiu um forno maior, que tinha dois pequenos desse aqui, não tava dando, ele enfornava e, pouco material. Fez um forno maior, já queima duas vezes... No início.. Tomou vinte mil emprestado, pra gastar no forno, mas tá tendo rendimento. Que o forno é maior, enquanto ele queimava dois forninho desse... Aí adianta, gera mais emprego, mais serviço.”
Localização
Aprendizado do bem
Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe be 10 q60 18 josé erivan aprendeu a atividade com seu pai, de quem herdou, além do ofício, o apelido de zé limão. “antes disso, ele [seu pai] já trabalhava... Desde pequeno na olaria. Tá aposentado, mas tá por aí olhando os netos, e olhando o filho trabalhar”. Trabalhavam no local “eu, meu pai, mais dois irmãos, meus. Só a família.. Por um tempo trabalhou um tio, trabalhou uns dois anos, mas agora se aposentou. Está aposentado”. Uma irmã está aprendendo o ofício enquanto os irmãos posteriormente (mais novos? Mais velhos?) não quiseram seguir no ofício, ao contrário de josé erivan, que parece seguir no ofício mais por falta de opções ou comodismo do que uma preferência por afinidade com o serviço. Ao comentar que seus irmãos trabalham em outros ofícios, diz “eu sou o patinho feio, estou por aqui ainda”.
Transmissão de saberes
O método de ensino na olaria não funciona no esquema mestre-aprendiz, uma vez que para exercer a atividade não é necessário muito conhecimento diferenciado. Segundo o entrevistado: “é fácil [de aprender o ofício]. Todo serviço só depende do prazer do cara querer fazer” e ressalta que não há segredos no ofício, basta ter disposição para trabalhar: “e tem serviço pra todo mundo... Se chega ai, e quiser aprender, ele estiver com interesse, ele aprende. Agora, se ele não tiver com interesse ninguém nunca aprende nada”. No caso da olaria aqui examinada, há funcionários mais ou menos fixos e há também espaço para quem quiser trabalhar, como por exemplo, a irmã, primos, filhos e meninos da localidade que queiram trabalhar, que constantemente o procuram para prestar serviço e ganhar algum dinheiro. “tem um filho mesmo de um cidadão que estava aí, é moleque novo... Está estudando até meio-dia. à tarde ele vem, ‘deixa eu fazer aí, que eu encho tijolo, mil tijolos’. Na semana passada ele fez mil. Ganhou quarenta reais. Comprar um lanchinho, um biscoito. Tá certo, chega aí, por ali até meu filho mesmo: ‘pai, deixa eu trabalhar’. ‘vá!’... Incentivando a trabalhar. às vezes tem o estudo... [mas não tem emprego].” e complementa: “é de pequeno é que se faz o grande, é de pequeno que se interessa. Se interessou pra trabalhar, chegou aí, tem serviço. O que não falta aqui é serviço. é pra desenfornar quando queima aí. Já não é a gente que desenforna, eu já chamo as meninadas, as meninadas é que já vem e desenforna”. Ao ser indagado sobre o futuro do ofício, comentou um pouco sobre o ensino: “rapaz, um pouco [do ofício] está morrendo, mas tem futuro, que é da construção que se vive. Cada vez mais a tendência [é] de [ir] construindo. é que nem o alto do moura [em caruaru]. Nunca pode morrer. De pai vai passando pra filho, pra neto, e assim vai... Mas os filhos, uns estão querendo [continuar o serviço], outros não , já outros não querem nem[...], mas aparecem outros que não tem nada a ver [no sentido de seus pais não trabalharem na área], tá? ‘rapaz, deixa eu’... Aquele dali mesmo, terminou o segundo ano, aí bateu pela rua, a semana passada estava trabalhando de servente, essa semana ele chegou por ali, ‘acho que eu vou aprender a fazer tijolo’, está ali fazendo tijolo. Agorinha amassou um molho de barro fazendo tijolo, né? Aí, vai pelo interesse do camarada... Com o suor, que muitos não querem. Muitos querem o fácil, mas o rapaz ali: ‘o cabra tá vacilando com o celular, vamos dar o chega nele’. Mas outros não”.

