Informações
Projeto relacionado
Nome completo
Arruda
História de vida
Mestre arruda sempre teve uma proximidade com o ofício, pois desde criança esteve presente no ambiente de obra que seu pai trabalhava. Segundo os relatos, quem o ensinou o ofício foi o pai, quando tiveram a oportunidade de trabalhar juntos em obras de restauro. Além de mestre arruda, outros dois irmãos seguiram o mesmo ofício do pai e trabalham até hoje com carpintaria.
Localização
Aprendizado do bem
Ainda que a intimidade com o ofício tenha sua origem numa infância de convívio em obras, o aprendizado da técnica se consolidou quando ocorreu o seu primeiro restauro. Sendo assim, arruda conta sua experiência na primeira obra de restauro, na casa de detenção do recife, como ajudante de carpintaria, sob a chefia de seu pai, “meu pai como mestre dava as coordenadas e o serviço pesado vinha para mim, que era esculpir as andabalas das escadas. Meu pai me dava uma ferramenta chamada raspão, essa ferramenta ninguém queria trabalhar com ela por que era uma ferramenta muito pesada. Meu pai me ensinou como amolar a ferramenta, me ensinou a regular a ferramenta, me ensinou como passar na madeira e eu fui pondo aquilo tudo em prática. Sempre que meu pai me ensinava alguma coisa, eu era uma criança que admirava muito meu pai, e quando ele falava uma coisa aquilo ficava dentro da minha mente, eu fazia aquilo perfeito do jeito que ele pedia, porque eu admirava muito meu pai profissionalmente e pessoalmente, o nome do meu pai é o mesmo do meu, o nome do meu pai era josé floriano de arruda filho, e eu netinho. A gente trabalhou dois anos na casa da cultura, a antiga detenção”. Arruda conclui afirmando, “toda a história da minha vida com meu pai, todo o meu jeito de ser bruto, o meu jeito de trabalhar, o meu jeito profissional, tudo que eu aprendi foi com meu pai, nessas obras que a gente andou. Ele tanto ensinava, como eu participei de obras ele ensinando, meu pai não tinha formação nenhuma, só sabia escrever o nome dele, mas em termos profissionais foi muito respeitado no patrimônio histórico. Eu trabalhei com meu pai na faixa de uns 40 anos, e nunca vi meu pai abandonar obra, eu já abandonei”. Ainda na mesma empresa (lb engenharia) mestre arruda foi trabalhar no alto da sé em olinda, “na época foi palácio dos bispos, igreja da sé e seminário de olinda”, atualmente o palácio dos bispos é o museu da arte sacra e o seminário é a arquidiocese de olinda, moradia do bispo, primeiro foi restaurado o palácio dos bispos, e logo em seguida a igreja da sé. Sobre a restauração da igreja da sé lembra, “eu vi meu pai fazendo um serviço muito bonito na igreja da sé, meu pai tirou todo o telhado da igreja da sé, fez umas estruturas, montou todo o telhado, a fiscalização era do iphan, o nome do fiscal era ferrão, onde meu pai estava ele apoiava sempre meu pai, sempre gostou da equipe que meu pai trabalhava, inclusive dessa equipe aí, o único que está vivo sou eu. Nessa época aí, jorge tinoco, era estagiário de arquitetura e eu sempre passava com as madeiras de estrutura pesadas e olhava para tinoco, ele sempre no canto reservado, com uma prancheta grande fazendo desenho, e o mínimo de folga que tinha eu ia lá conversar com ele, ele não tinha a minha idade, tinha mais, eu sempre ia lá. Rapaz, está fazendo o que aí? Eu faço os projetos da obra, sou estagiário aqui. E você é o que? Sou ajudante de carpinteiro”.
Transmissão de saberes
Sobre ensinar o ofício diz, “olhe veja só, a carpintaria é tipo, eu vejo como se fosse uma faculdade, a pessoa tem um determinado tempo para aprender dentro daquele ramo. Você dentro da carpintaria você passar seis anos trabalhando com um bom profissional, eu nunca deixei de ensinar a rapaziada que trabalha comigo, nunca, em marcenaria e em carpintaria, nunca deixei de ensinar, trabalhando comigo eu ensino para um, repasso para outro um corte, uma ensambladura, um nó para a gente descer uma peça pesada, onde se deve posicionar o pessoal para segurar um peso. Eu sempre saio comunicando e acho que é dever de um mestre dentro de uma obra”.

