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Nome completo
Josenildo sinfrônio
História de vida
O ofício da cantaria era praticado por poucos na década de 1980. Ele era praticado ou por estrangeiros contratados ad hoc, ou pelo seu vavá de olinda. Hamilton aprendeu o ofício no início da década de 1990 com três alemães que foram trabalhar na restauração da igreja do monte em olinda e pouco tempo depois, hamilton já ensinava o ofício, e teve como primeiros aprendizes os irmãos sinfrônio. Josenildo ressalta que o ofício de cantaria estava se perdendo, mas que ele mais seu irmão jorge e seu mestre hamilton ajudaram a resgatar o ofício a partir do início da década 1990. Diz ele: “quem passou este conhecimento [cantaria] para gente foi o hamilton, certo? Agora, como nós passamos esse conhecimento para os nossos companheiros de hoje?” e comenta sobre quem começou e quem mais foi adentrando no ofício: “foi o hamilton, eu, jorge e o elias quem começou, certo? Aí após já começarmos a fazer nossos trabalhos, aí veio trabalhar conosco o jerônimo, que é irmão, e o josuel [que também é irmão]. Por que aí, teve uns outros demais, teve dejair, teve salomão e salatiel, são dois irmãos colegas nossos, e fomos passando e estamos ainda passando, porque aqui estamos sendo os primeiros, não é? Trazendo essa coisa de volta, da cantaria, uma coisa que estava quase que extinta”. E quando perguntado sobre seu balanço de como anda o ofício, disse: “olha, na minha opinião tem havido um interesse maior [no ofício da cantaria]... Está melhorando,.. Até mesmo porque a profissão é algo meio que ainda estamos resgatando, não é? Vamos... Estamos ministrando, buscando trabalhos, ganhando licitações, o que antigamente era difícil. Hoje já está bem melhor!”.
Aprendizado do bem
Josenildo aprendeu com o hamilton em 1995. “e daí passamos [o ano de 19]95, fomos restaurar... No teatro de santa isabel, no teatro apolo. Começamos em [19]95 a igreja do carmo de olinda”. Josenildo fez um curso de capacitação em veneza, na itália, junto a seu antigo mestre hamilton e ao seu irmão jorge. Segundo josenildo, "fui à itália. Fiz o curso de cantaria lá, pelo monumenta bid”, no centro europeo di venezia per i mestieri della conservazione del patrimônio architettonico, mas fez também cursos de aprimoramento em outros locais (ver a seguir). E assim descreveu o curso na itália: “e aí houve, não um concurso, mas a gente pode dizer até um concurso a nível nacional, de onde sairiam cinco mestres artífices de cada área. Era cantaria, pedreiros, pintor, estuque, ferreiro, e marceneiro, de onde sairiam três áreas, seriam ‘feitos’ as escolas de capacitação. Aí seria minas, rio de janeiro e recife-olinda. Sendo que de cada ofício só passaria duas [por cidade] e teria uma 2ª opção [de escolha de cidade para o candidato]. A minha segunda opção foi rio de janeiro. Em olinda passou hamilton, e o everaldo da bahia. Aí sobrou o terceiro e o quarto lugar, para mim e para o meu irmão jorge [jorge em terceiro lugar]. E aí, como o rio de janeiro não tinha passado nenhum cantel, fomos integrar a equipe do rio de janeiro. Quando fomos para veneza, na itália, fizemos o curso de mestre artífice, e, ao retornarmos, fomos para minas [gerais]... Fazer uma capacitação e daí em diante a gente passou a ministrar, ensinar a quem trabalhava conosco“. Ao ser perguntado se aprendeu o ofício em obras, isto é, somente na prática durante o curso na itália, respondeu, “não. A gente ia para sala de aula. Aí, dependendo da aula, lá mesmo tinha um laboratório onde a gente fazia [as atividades]. Agora, no último mês, aí nós fomos fazer restauro, com o professor de restauro. Paulo panini, porque estávamos tendo aula de limpezas biológicas, químicas, esfoliamento, essas coisas, tipo de agressão à pedra. Então fomos para um convento lá tinha uma estátua que era mais velha que meu país – mil anos! Rapaz, olha, tudo foi um aprendizado. Por que foi um aprendizado bom? Porque foi uma troca de experiências, entendestes? Tinha coisa que a gente não conhecia, e tinha coisa... [que também ensinaram aos estrangeiros], porque o material nosso é diferente e temos uma coisa que a gente passou para eles. Então, aquela troca foi legal. Os professores foram legais. E outra coisa, nós tivemos tempo de parar e estudar, nós viemos formados como professores com diploma reconhecido pelo mec”. Após esse período, descreve ele: “também fomos fazer um curso de capacitação por 30 dias em ouro preto, onde tivemos a oportunidade de passar por mariana, são joão del rey, tiradentes e congonhas. Trocamos experiências com os cantéis de lá. Que era o seu juca. Tivemos o prazer também de conhecer, um outro lá... Naldo? E convívio questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe ol 10 q60 21 com o pessoal da bahia. Foi ímpar, foi muito bom mesmo. Onde [nos locais citados] aprendemos, ensinamos aquela troca de experiências".
Transmissão de saberes
Josenildo assim descreveu como e quando começou a ensinar o ofício: “quando fomos para veneza, na itália, fizemos o curso de mestre artífice, e ao retornarmos, fomos para minas fazer uma capacitação, e daí em diante a gente passou a ministrar, ensinar a quem trabalhava conosco. Porque, até mesmo, pessoas neste ofício é muito difícil... A gente recrutava as pessoas, ou pessoas que se interessavam a vir até nós para que pudéssemos ensinar“. E acrescenta, “quando tivemos o curso [em veneza], para pagar o curso, seria ministrar aulas por um ano, num centro de formação onde fomos colocados. No caso meu e do meu irmão, nós fomos para o rio de janeiro. Mas como os centros de formação não ficaram prontos... Também o bid monumenta nos liberou do nosso compromisso. Porque viajamos em 2001... Até hoje [não houve um retorno]”. E ressalta a necessidade de tais cursos: “porque, até mesmo, não temos mão de obra e temos pessoas capacitadas a certas demandas. Tivemos que ensinar o trabalho para que pudéssemos fazer o restauro do shopping alfândega”. Quando perguntado se tem alguma ligação com o ceci (centro de estudos avançados de conversão integrada), respondeu, “não, eu comecei na igreja do carmo de olinda com o hamilton. E aí fomos seguindo juntos , eu, o hamilton, o jorge, o elias. Mas com o ceci não... Assim, em termos de ser estudante, essas coisas, não. Houve uma oportunidade no ceci de [arquiteto jorge] tinoco... Uma oportunidade no ceci que o hamilton foi ministrar aula lá. Mas como o grupo era muito grande, aí eu fui para que déssemos suporte, uma ajuda”. Nesta ocasião, josenildo trabalhou como uma espécie de monitor das aulas de hamilton. Prosseguindo no assunto, explica como se dá o ensino atualmente, “agora, como nós passamos esse conhecimento para os nossos companheiros de hoje? Na obra, necessitávamos de pessoas que trabalhassem, mas não tínhamos tempo. Então, as pessoas dispostas a trabalhar conosco, nós perdíamos... Não, nós ganhamos algum tempo. Parávamos para ensinar como fazer. E como fazer, era o que a gente diz aqui, com a ‘mão na massa’. Já no trabalho lá, porque não tinha como ministrar a aula, para depois ele ir para lá [para a obra]. Então, a gente aprendeu no dia a dia, na lida mesmo. Indo buscar com pessoas que realmente estavam interessadas. Errava, a gente ia lá e consertava. Agora, tudo dentro do critério técnico, por quê? Porque, se saísse uma coisa errada, o iphan na fiscalização não ia deixar passar. Então, tinha que ser certo. Então, o iphan, quando chegasse [e] fiscalizasse, [estaria] tudo certo. E a própria firma, ou a empresa que estava nos contratando, se certificar que ali tinham realmente profissionais”. E reforça este ponto: “é o que eu te falei. é na prática mesmo, é no dia a dia, é no lida. Porque não tem escola, que ministra este tipo de coisa. E quando a gente tem obra, não tem tempo. Então tem que ministrar na obra mesmo. Aí sai um, vai repassando para o outro, que aprendeu, que viu”. E explica como se dá o recrutamento de pessoas para com ele trabalhar, bem como comenta que nas obras o ensino, “está sempre presente. Veja só, no nosso dia a dia necessitamos de pessoas que façam determinados trabalhos comuns. E quando chegamos na obra, no local de trabalho, começamos a ensinar as pessoas, no modo prático, entendeu? Você faz, faz assim, por esse e esse motivo, dessa forma, material é usado assim, dessa forma. E, por que desse material, para que serve esse material. Porque até mesmo mais tarde, no futuro, vão necessitar desse indivíduo habilitado. Por isso, o ensinar”. O entrevistado comenta ainda sobre como o conhecimento aprendido é repassado: “porque, na verdade, é um esforço nosso, não é? De formar essas pessoas, das pessoas aprenderem. O jorge ensinou, eu ensinei, o pouco que eu sabia. Hamilton me ensinou o que ele sabia. Muitas vezes o jorge tinoco dava umas orientações ou ao hamilton ou a mim ou ao jorge, dependendo do trabalho que vai fazer. E isso aí passava [adiante]”. Josenildo comenta ainda de uma proposta de ensino feita por ele e outros junto à prefeitura, mas que não rendeu frutos: “uma das propostas que fizemos era que a prefeitura, ela nos dava um salário e nós montávamos uma sala de aula onde o aluno teria uma bolsa, uma coisa mínima que pudesse ajudá-lo na passagem, estas coisas. E nós ficávamos responsáveis por aquele monumento, para fazer aquele trabalho... Mas não... [recebemos uma] resposta boa... Porque, veja só, quantos profissionais tem aqui, que são capacitados para fazer isso? Quantos monumentos estão caindo?”, questiona josenildo.

