Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Rogério dos Santos Cardoso
História de vida
Rogério teve sua base cultural iniciada em uma igreja evangélica, onde participou de corais e teatro. Aos 14 anos, ingressou em grupos de dança folclórica alemã em Petrópolis, onde permaneceu até 2001. Seu interesse pelo forró surgiu por volta de 1998, influenciado pelo movimento do forró universitário e por suas raízes familiares capixabas. Iniciou sua prática musical como triangulista autodidata após observar o Trio Ilha Grande. Em 2005, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde consolidou sua carreira com a formação do Trio Rapacuia em 2008, grupo que obteve reconhecimento em festivais nacionais. Além de músico, desenvolveu-se como luthier de triângulos e zabumbas e marceneiro, unindo o saber artesanal à performance musical. Atualmente, é professor no Bloco Caramuela e continua ativo no circuito de bailes e festivais.
No início da sua trajetória no forró, Rogério construiu seu aprendizado de forma muito ligada à prática. Frequentava bailes em Petrópolis e no Rio de Janeiro, acompanhava bandas e se aproximava de músicos, observando de perto como o forró era tocado. Esse contato direto com trios pé de serra foi fundamental para sua formação, tanto na música quanto na compreensão da dinâmica dos grupos.
A mudança para o Rio ampliou essa experiência. Ele passou a circular por diferentes espaços do forró, acompanhando apresentações durante a semana, participando de rodas e buscando aprender com músicos mais experientes. Esse período foi importante para consolidar seu repertório e fortalecer sua atuação como instrumentista.
Com a criação do Trio Rapacuia, sua trajetória ganha outro nível de visibilidade. O grupo surge de forma coletiva, a partir de encontros com outros músicos, e vai se estruturando aos poucos, com construção de repertório, entrada em festivais e participação constante em eventos. A partir daí, Rogério passa a atuar também na organização das atividades do grupo, lidando com produção, contatos e circulação dentro do circuito do forró.
Paralelamente à música, ele mantém sua atuação como artesão e luthier, produzindo instrumentos como triângulos e zabumbas. Esse trabalho não surge separado da música, mas como desdobramento dela, a partir da necessidade de ter seus próprios instrumentos e da experiência com trabalhos manuais que já fazia antes. Com o tempo, essa atividade também passa a fazer parte do seu cotidiano profissional.
Sua trajetória se constrói nesse movimento entre prática musical, circulação em diferentes espaços do forró e desenvolvimento de atividades paralelas que sustentam sua permanência no campo. Mesmo com as dificuldades financeiras do meio, segue mantendo atuação constante, tanto tocando quanto ensinando e participando de projetos ligados à cultura do forró.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
Rogério atua em rede a partir da sua participação em diferentes grupos e da circulação constante pelo circuito do forró. Atuou e atua em diversos grupos, como Trio Macaeira, Trio Rapacuia e Trio Maluvido, além de sua colaboração com o Bloco Caramuela. Rogério é um articulador central na rede do forró no Sudeste, colaborando com músicos renomados (como Meninão, Fernandão e George Marley), DJs e produtores culturais. Sua rede se estende por festivais em Itaúnas, Ilha Grande e Belo Horizonte, além de circular intensamente por casas de show tradicionais do Rio de Janeiro e Petrópolis.
Essa articulação acontece na prática, a partir da convivência com outros músicos e da participação constante em festivais e bailes. Rogério mantém relações construídas ao longo dos anos com sanfoneiros, zabumbeiros e triangulistas, formando grupos conforme os projetos e as oportunidades, além de organizar apresentações em parceria com produtores e casas de show.
Também participa da organização musical dos próprios grupos, ajudando a definir repertório, montar shows e viabilizar apresentações dentro desse circuito. Essa rede funciona de forma integrada, com troca de convites, indicações entre músicos e participação conjunta em eventos, o que garante a continuidade do forró e a circulação dos artistas no Sudeste.
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Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Atua como músico (triangulista e zabumbeiro), luthier na confecção de instrumentos, professor de percussão e pesquisador interessado nas sonoridades do forró tradicional. Sua atuação não se limita à execução musical: ele também desenvolve e aperfeiçoa instrumentos como triângulos e zabumbas, integrando o conhecimento técnico à prática artística.
Além de tocar, Rogério usa os instrumentos que ele mesmo produz no dia a dia dos shows e nas formações dos trios, o que conecta diretamente o fazer artesanal com a prática musical. Também dá aulas de percussão em projetos como o Bloco Caramuela, ensinando na prática o uso do triângulo e da zabumba.
Sua pesquisa acontece na escuta e na vivência com outros músicos, observando repertório, forma de tocar e sonoridades ligadas ao forró pé de serra, o que acaba influenciando tanto o jeito de tocar quanto a forma de construir os instrumentos.
Aprendizado do bem
Iniciou como autodidata no triângulo; no estudo da zabumba, teve como mestres Zé Zito e Zito Menezes. O conhecimento de lutheria e marcenaria foi herdado de influências familiares e aperfeiçoado em cursos técnicos.
Esse aprendizado se desenvolve na prática, a partir da convivência com músicos e da experiência em shows, festivais e encontros de forró. O que ele aprende com os instrumentos também é aplicado diretamente na produção e adaptação dos próprios instrumentos, juntando o fazer musical com o trabalho manual no dia a dia.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O forró, no caso de Rogério, está ligado diretamente aos lugares onde ele atua, especialmente Petrópolis, Rio de Janeiro e outros pontos do circuito no Sudeste. É nesses espaços, casas de show, festivais, bailes e eventos, que ele toca, ensaia com grupos e mantém suas atividades como músico.
O forró atua como um elemento de sociabilidade e preservação da identidade cultural nos espaços urbanos e serranos, transformando bailes e oficinas em pontos de resistência e fomento da cultura popular.
Essa relação acontece também nas oficinas e projetos em que ele participa, como no Bloco Caramuela, onde o aprendizado e a prática musical estão ligados ao próprio território. Além disso, a circulação constante por festivais como Itaúnas, Ilha Grande e eventos no Rio e em Minas reforça essa conexão, já que o trabalho dele se constrói justamente nesses espaços onde o forró acontece e se mantém ativo.
Transmissão de saberes
Participou da realização do “Balanço Pé de Serra”, uma oficina de percussão voltada para o forró, desenvolvida em Petrópolis. A atividade foi realizada por meio de edital e envolvia o ensino prático de instrumentos como triângulo e zabumba.
Nesse contexto, a transmissão do conhecimento acontece de forma direta, no contato com os participantes, ensinando a tocar e a entender o papel dos instrumentos dentro do forró. Fora isso, o aprendizado continua acontecendo na convivência com outros músicos, nos ensaios e nas apresentações.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Participação em editais públicos de fomento à cultura e geração de renda através da venda de instrumentos artesanais de sua própria fabricação.
Além disso, sua atuação financeira está ligada ao próprio trabalho no forró, combinando apresentações musicais com a produção e comercialização de triângulos e zabumbas. Esses instrumentos são vendidos para outros músicos e circulam dentro do próprio meio, o que gera renda de forma contínua.
Também participou de ações financiadas por edital, como a oficina “Balanço Pé de Serra”, voltada ao ensino de percussão, ampliando suas possibilidades de atuação para além dos shows. Dessa forma, sua sustentabilidade vem de um conjunto de atividades articuladas: música, ensino pontual e produção artesanal ligada ao forró.




