Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
João Batista
Data de nascimento
26 de junho de 1941
História de vida
João Batista nasceu em Jerônimo Monteiro (ES), em 1941 (embora registrado como 1939 por questões políticas). Começou na sanfona aos 13 anos, aprendendo escondido de seu irmão. Migrou para o Rio de Janeiro, passando por Parada de Lucas, Engenheiro Pedreira e Paracambi, até se fixar em um bairro de Vassouras chamado Massambará, de onde herdou seu nome artístico. Trabalhou na lavoura por 15 anos enquanto iniciava sua vida nos bailes. Casou-se com Heloísa Trindade em 1971, com quem teve três filhos e viveu por 42 anos. Superou o alcoolismo há 20 anos, o que considera uma grande vitória pessoal. Aos 84 anos, é reconhecido como o "Luiz Gonzaga do Vale do Café".
A trajetória de João é marcada por um aprendizado totalmente prático, construído na convivência com o instrumento e na experiência direta com o público. Ele conta que começou “arranhando” instrumentos e, quando teve acesso à sanfona, já saiu tocando, desenvolvendo o toque no dia a dia, sem formação formal. Ainda jovem, passou a tocar em bailes e chegou a montar um trio, entrando de vez no circuito musical popular da época.
Ao longo da vida, foi construindo seu nome tocando em festas, rádios e eventos da região. Com o tempo, deixou de ser apenas mais um músico e passou a ser referência, especialmente no interior do estado do Rio de Janeiro. Sua circulação sempre esteve ligada a espaços populares — bailes, festas juninas e encontros locais — o que ajudou a consolidar sua relação direta com o público e com o forró.
Depois de se estabelecer na região do Vale do Café, sua atuação se intensificou, principalmente em cidades como Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e arredores. Mesmo com a idade avançada, continua tocando e participando de apresentações, mantendo um grupo ativo e sendo constantemente chamado para eventos, o que reforça sua permanência na cena cultural local.
Além da música, sua história também envolve momentos difíceis, como o período em que enfrentou o alcoolismo, superado há cerca de duas décadas. Esse processo é lembrado por ele como uma virada importante na vida pessoal, que impactou diretamente sua continuidade na música e nas apresentações.
Hoje, João Massambará é visto como uma figura central na tradição do forró na região, alguém que acumulou décadas de experiência, repertório e vivência. Sua história está ligada tanto ao trabalho duro na lavoura quanto à vida nos palcos, sempre sustentada pela prática constante da sanfona e pela presença contínua nos espaços populares onde o forró acontece.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
João Massambará atua dentro de uma rede construída a partir da convivência com outros músicos e da participação constante nos espaços culturais da região. Formam uma parceria produtiva de composição e articulação cultural. Mantêm contato com outros sanfoneiros da região (como o saudoso Zé Chico e Tião Caju) e participam ativamente de programas de rádio e eventos da Secretaria de Cultura.
Essa rede funciona principalmente na prática: músicos se encontram em eventos, bailes, festividades e encontros de sanfoneiros, onde trocam repertório, tocam juntos e fortalecem vínculos. João, por ter muitos anos de carreira, conhece grande parte desses músicos e acaba sendo um ponto de referência, articulando contatos e participações.
A produção do forró também acontece de forma coletiva. Para que os eventos ocorram, há organização conjunta — desde a formação dos grupos até a realização dos bailes, festas juninas e apresentações em cidades da região. Os músicos compartilham espaços, convites e oportunidades de tocar, o que garante circulação de todos dentro desse circuito.
Os benefícios dessa rede aparecem principalmente na forma de trabalho e visibilidade. Os músicos são chamados para eventos, indicam uns aos outros quando não podem tocar e mantêm uma agenda ativa a partir dessas trocas. Assim, a permanência do forró na região depende diretamente dessa articulação entre os próprios artistas, construída ao longo do tempo na convivência e nas apresentações.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
oão é sanfoneiro, intérprete e compositor. Sua relação com o forró está diretamente ligada ao uso da sanfona e à atuação nos bailes, festas e eventos onde a música é executada.
É através dessas apresentações que ele se insere no forró, tocando repertório tradicional e participando de grupos musicais da região. Sua atuação acontece principalmente como músico, sendo chamado para tocar em diferentes localidades e mantendo presença constante nas atividades ligadas ao forró no Vale do Café.
Data em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
iniciou a prática musical com a sanfona aos 13 anos de idade, por volta de 1954.
Aprendizado do bem
João construiu seu aprendizado no forró de forma prática, a partir da escuta e da experimentação com o instrumento. João é autodidata, inspirado pela audição de discos de vinil e rádio na infância. Foi ouvindo artistas como Luiz Gonzaga que começou a entender os ritmos e a sonoridade da sanfona.
O contato direto com o instrumento acontece ainda jovem, quando passa a tocar escondido a sanfona do irmão. A partir daí, começa a desenvolver sozinho o domínio do instrumento, “arranhando” e repetindo o que ouvia, até conseguir tocar com mais segurança. Esse processo foi todo construído na prática, sem orientação formal, a partir de tentativa, observação e repetição.
Com o tempo, o aprendizado se consolida nas apresentações. Tocando em bailes, rádios e eventos, ele vai ampliando o repertório e aperfeiçoando o toque, sempre ligado ao forró. É nesse caminho, escuta, prática e experiência, que ele forma sua maneira de tocar sanfona e se insere definitivamente na música.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
A atuação de João está diretamente ligada aos espaços onde o forró acontece no Vale do Café, especialmente em cidades como Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e região. É nesses locais, bailes, festas juninas, encontros de sanfoneiros e eventos culturais, que ele realiza suas apresentações e mantém ativa a prática do forró.
Essa relação com o lugar também está conectada à memória da própria região. A presença histórica de Luiz Gonzaga em Miguel Pereira e Paty do Alferes serve como pilar para a identidade artística da dupla e para projetos de educação patrimonial. Esse histórico reforça o valor simbólico do forró no território e ajuda a explicar a permanência dessa prática até hoje.
No caso de João, essa ligação é direta: sua atuação acontece nesses mesmos espaços onde o forró já tem tradição, e é ali que sua música circula, sendo reconhecida pelo público local. Assim, o bem cultural está integrado ao território, tanto pela continuidade histórica quanto pela prática atual mantida por ele e por outros músicos da região.
Transmissão de saberes
A transmissão dos saberes, no caso de João, acontece na convivência com outros músicos e nas situações em que ele está tocando. Ele participa de encontros de sanfoneiros na região, onde os músicos se reúnem, passam o dia tocando e trocando repertório, o que permite que quem está chegando observe e aprenda ali mesmo.
Como ele aprendeu tocando, esse mesmo caminho se mantém. Outros músicos acompanham, escutam e vão pegando o jeito da sanfona a partir do contato direto. Nos bailes, nas rádios e nas apresentações, esse conhecimento circula na prática, sem separação entre quem ensina e quem aprende.
Além disso, como João é muito conhecido na região, recebe visitas de pessoas interessadas em conhecê-lo e ouvir sua história. Nesses momentos, ele compartilha suas experiências, fala das influências do forró e da música nordestina e mostra como construiu sua trajetória, mantendo essa transmissão ligada à vivência e ao cotidiano da música.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Prêmios de incentivo à cultura, comendas de academias e recursos de editais (Lei Aldir Blanc).




