Informações
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Nome completo
Narciso
História de vida
De acordo com o relato de seu narciso, o seu início como servente de pedreiro lhe trazia a oportunidade de observar aqueles que já estava ali realizando a atividade, segundo o próprio entrevistado, não havia outro modo de ascender profissionalmente no ofício que não fosse aquele. Conta ainda que administrar uma obra e fazer um traço de massa aprendeu quando trabalhou durante anos no rio de janeiro. O entrevistado lembra que o conhecimento de carpintaria e marcenaria surgiu no dia a dia das obras que trabalhava, mas que na época em que vivia no interior da paraíba, aprendeu a escolher uma madeira para levantar uma casa de taipa, assim como pisar um barro para construí-la, além questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe ol 10 q60 27 de trabalhar fazendo consertos no convento e no engenho que morava perto em lagoa grande na paraíba. Antes de ser convidado para fazer o curso de restauro realizado pela fundarpe em 1976, mestre narciso já trabalhava em empresas privadas que executavam obras de restauro, quer dizer, já havia uma habilidade do mestre para o ofício e certa experiência. Neste sentido, entende-se que a origem da atividade se deve primeiro à sua experiência no interior da paraíba, em seguida quando foi trabalhar nos canteiros de obras de restauro, e mais na frente quando aprendeu tecnicamente os modos de construção tradicional através do curso voltado para restauro.
Localização
Aprendizado do bem
Em 1975, em recife, mestre narciso foi convidado por josé ferrão castelo branco para fazer um curso de mestre de obra de restauração, “foi o curso da fundarpe [1976], o estado patrocinou e ele [professor josé luis da mota menezes] que comandou, conseguiu os professores e nós fomos os alunos”. Um dos professores além do organizador, foi o mestre ferrão. Quanto à relação com mestre ferrão, seu narciso contou que se conheciam dos contatos estabelecidos em obras de restauro do iphan e de outros órgãos. No curso, que durou 40 dias, o professor josé luiz dava aula de tecnologia e josé ferrão de segurança, “mas não era de segurança de trabalho, era de segurança da obra, ele ensinava a gente a fazer da fundação à coberta, o cara já tinha uma prática. Não tiveram outros mais importantes do que esses dois, eu nunca pensei que eu tivesse direito de parar e ficar perto deles, e sentar, e ele conversar coisas boas para eu ouvir, e ficar gravando, anotar e guardar. A tecnologia de obra de restauro eu retirei todinha da minha cabeça e botei na maleta de ferramentas, porque eu fui trabalhar em uma obra nova, mas como eu era mestre de obra que tinha me criado em obra nova, peguei a prática no restauro e eles acreditavam que eu fazia o que me dissessem. Primeiro, eu aprendi a ler um projeto, que é uma coisa muito fácil, num lê um projeto quem não quer, agora está difícil porque está computadorizado, têm umas cascas de banana, mas dá pra saber, aprendi a ler um projeto, então toda batata quente botavam na minha mão”. Questionário de identificação: ofícios e modos de fazer pe pe ol 10 q60 27 sobre o aprendizado narciso diz, “eu não sabia de nada, o que eu aprendi foi muito mais na prática do que na escola, pois no meu tempo não tinha escola para nada, era de noite, e de dia era trabalhar para sobreviver, vivi da prática (...) cheguei a dar rasteira em mestre de obra afiado, com canudão debaixo do braço, de obra civil (...) cresci na área, mas lembrando sempre que o professor josé ferrão castelo branco, que era uma figura importante na restauração, ele disse que pensasse muito em trabalhar, ganhar dinheiro não”. O mestre conta que aprendeu a trabalhar na construção já adulto, antes vivia na roça, no entanto afirma “sabia pegar uma madeira para fazer uma casa, preparar um barreiro para fazer uma casa, porque antigamente a maioria das casas eram de taipa, em tempo de verão não tinha o que fazer, vamos fazer uma casa ali (...) cortando as madeiras nas medidas que eles davam, vou lhe dizer, não aprendi a fazer uma casa, a idéia de fazer uma casa foi depois que eu passei a ser um profissional”. Na construção, o entrevistado diz que começou como servente, depois foi subindo de função, “fui ajudando o pedreiro, fui ajudando o carpinteiro e eles foram se desenrolando para mim, até que cheguei ao ponto que estou com dificuldade e facilidade, por que veio crescendo a idade, veio crescendo a responsabilidade e veio crescendo o saber da história da construção”. O entrevistado, que nasceu no estado da paraíba, aos 20 anos de idade seguiu para o rio de janeiro em busca de melhores condições de vida e de trabalho, “lá perguntaram, ‘você trabalha de quê? Trabalho de nada, trabalho de servente, porque eu como servente tinha condições de observar o que o profissional fazia, trabalhei mais ou menos um ano e meio como servente, depois me deram a oportunidade de trabalhar como carpinteiro, eu só poderia aparecer se me colocassem de servente, se eles me conhecessem antes... Mas chegando da rua não, o resultado foi que eu consegui trabalhar de pedreiro, eu já tinha ferramenta que eu comprava quando aparecia para vender, quase todas eu tinha, as principais eu tinha”. Ainda sobre o aprendizado do restauro, mestre narciso conta que já na profissão de pedreiro, “na cidade [lagoa grande, perto de campina grande, estado da paraíba] que eu morava tinha um convento velho e eu fazia muitos consertos nele, eu não sabia de nada, mas eu via o povo mais velho, homens que trabalhavam diretinho dizer porque tinha que ser daquele jeito, a diferença é repetir o que está feito, se inventar atrapalha, fiz casas e trabalhei muito em engenhos”, aonde eu vi que se quebrou uma peça, aquele conjunto de emenda não deu resultado, eu mudava, isso antes de tudo, mas eu já tinha ido morar no rio de janeiro, no rio de janeiro eu aprendi a fazer um traço e administrar uma obra”. Do aprendizado de construção de casas de taipa, seu narciso conta que este se deu na prática, “a casa dos empregados dos engenhos era de taipa, porque era barro e areia, jogada dentro de um enquadrado de enxaimel e ripas e cobertas com palha de cana, algumas vezes cheguei a fazer, a gente se juntava para fazer, eu não ligava muito não porque aquilo era simples, o que me interessava era ver porque foi que aquela peça torou, porque foi que começou a cair água, porque aquela água estragou aquela coluna, o material era frágil (...), a matéria prima principal era madeira e cal, pegava na própria propriedade do engenho, o material eu tirava em casa mesmo”.
Transmissão de saberes
A experiência de ensino de mestre narciso resume-se aos ensinamentos das técnicas somente na prática, sendo assim relata, “ensinei a um bocado, e alguns pegaram a prática (...), uns cuidam, outros não cuidam”. Dos que trabalharam sob a administração de seu narciso, nenhum de fato virou mestre de obras, mas lembra “tem um rapaz que trabalhou comigo, era servente, e o botei para trabalhar as ferramentas, ele botou pra trabalhar, com muita força e muita coragem, e quando cansou de trabalhar na prefeitura foi embora pra são paulo, hoje ele é mestre de montagem de esquadria de alumínio, ele aprendeu comigo, aprendeu a fazer uma emenda de madeira, aprendeu a assentar uma porta, e aprendeu a fazer a distribuição do serviço que é preciso”. Sobre ensinar as atividades da área de restauro, seu narciso diz, “a gente tem que pegar um cabra e botar para fazer e dizer como faz até ele se fazer”.

