Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Vinícius do Nascimento Madeira
Data de nascimento
1 de maio de 1973
História de vida
Vinícius do Nascimento Madeira, conhecido como Vini, é morador de Governador Portela, distrito de Miguel Pereira (RJ), e tem uma trajetória marcada pela convivência entre vida familiar, trabalho e música. Filho de Nilton Madeira e Leuza, perdeu a mãe aos 13 anos, experiência que marcou sua vida e aproximou ainda mais sua relação com o pai, de quem herdou parte importante de sua formação musical. O pai, violonista com técnica própria, foi sua principal referência nesse início e também o elo com uma história familiar profundamente ligada a Governador Portela, onde a família manteve casa e vínculos ao longo do tempo.
Embora se apresente como morador de Governador Portela, Vinícius nasceu no Hospital do Andaraí, no Rio de Janeiro, e viveu em bairros como Méier e Ilha do Governador antes de retornar à região da família. Foi no Rio que começou a tocar na noite, aos 19 anos, inicialmente no violão. Depois, ao perceber a ausência de percussão nos grupos com os quais convivia, passou a se dedicar a esse campo, aproximando-se cada vez mais do forró e da música nordestina. Essa passagem do violão para a percussão aconteceu de forma prática, ligada às necessidades dos grupos e ao convívio com outros músicos.
Sua entrada mais direta na zabumba e no forró ocorreu a partir da experiência com a banda Forró Nação, formada no Rio de Janeiro com músicos como Alejandro, Tony Knight e Paulo Boniek. Nesse período, começou tocando triângulo e, com a convivência com Paulo Boniek, foi desenvolvendo a prática da zabumba e consolidando sua atuação como percussionista. Ao longo do tempo, trabalhou como músico freelancer, acompanhando diferentes artistas e apresentações, e afirmou ter sustentado parte da vida e da criação do filho por meio da música.
Quando voltou para Governador Portela, já com o filho pequeno, passou a atuar com mais frequência na região de Miguel Pereira e arredores. Tocou em hotéis como o Montanhês e participou da consolidação das festas juninas desses espaços, unindo música e trabalho artístico. Além de se apresentar, colaborou na criação de cenários, barracas e bonecos para os arraiais, trabalho que ajudou a fortalecer esse circuito local e que, segundo ele, continuou sendo referência nos anos seguintes. Também menciona apresentações com músicos da região e a continuidade de sua atuação em eventos ligados ao forró e à cultura popular.
Atualmente, trabalha como agente comunitário de saúde na Prefeitura de Miguel Pereira, atividade que reduziu seu ritmo na música, embora não tenha rompido seu vínculo com ela. Continua tocando, estudando violão, compondo ocasionalmente e mantendo viva, no convívio familiar e comunitário, a prática musical que recebeu do pai e desenvolveu ao longo da vida. Sua trajetória mostra uma relação constante com o forró, com a música nordestina e com a vida cultural de Governador Portela e da região.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede de Vinícius do Nascimento Madeira acontece na articulação com músicos, produtores e hotéis da região. Sua entrada mais importante nesse circuito foi com a banda Forró Nação, formada com Alejandro, Tony Knight e Paulo Boniek, percussionista pernambucano que tocou com Alceu Valença e teve papel importante em sua aproximação com a zabumba. Depois disso, Vinícius passou a atuar como freelancer, acompanhando diferentes artistas e músicos no Rio de Janeiro e, mais tarde, em Miguel Pereira e arredores.
Na região, sua rede se fortaleceu a partir do contato com Osvaldo Chileno, que o indicou para tocar com Bartolomeu (Bartô) no Hotel Montanhês. Nesse espaço, além das apresentações musicais, passou a trabalhar com Leonel/Leonardo na produção das festas juninas, criando cenário, barracas e bonecos de Lampião e Maria Bonita. Esse trabalho se desdobrou para outros hotéis da mesma rede, como o Arcozelo Palace Hotel e o Hotel Guararapes, onde as festas seguem acontecendo entre junho e agosto. Vinícius cita ainda parcerias com Suzy, que continua tocando nesses eventos, e com João Maçambará, com quem já se apresentou várias vezes. Também menciona a atuação de Paulinho Maestro no CRAS de Governador Portela, dando aulas de sanfona e outros instrumentos, como uma iniciativa importante para manter essa rede cultural ativa.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Vinícius do Nascimento Madeira tem uma relação direta com a música nordestina, especialmente o forró, iniciada na juventude por influência do pai. Começou no violão e depois passou para a percussão, atuando em grupos, bandas e eventos. Ao longo da vida, participou de apresentações, trabalhos coletivos e atividades culturais, incluindo festas juninas na região de Governador Portela. Atualmente, mantém a prática de forma mais pontual e transmite seus conhecimentos em contextos familiares e comunitários.
Data em que iniciou a prática como detentor do bem cultural
Por volta dos 19 anos de idade.
Aprendizado do bem
Vinícius aprendeu o bem de forma prática, primeiro no convívio com o pai, Nilton Madeira, violonista com técnica própria, e depois na experiência direta com outros músicos e grupos. Começou tocando violão na noite aos 19 anos, mas passou para a percussão quando percebeu que faltava esse instrumento nos grupos de forró e música nordestina com os quais convivia. Sua entrada mais direta na zabumba aconteceu na banda Forró Nação, formada com Alejandro, Tony Knight e Paulo Boniek, percussionista pernambucano que tocou com Alceu Valença e lhe passou referências importantes do instrumento.
O aprendizado da zabumba foi acontecendo no ouvido, na observação e na prática. Vinícius afirma que foi “vendo as pessoas fazendo” e tocando junto que foi pegando os ritmos e as diferenças entre os toques. Antes de assumir a zabumba, começou no triângulo dentro da própria Forró Nação, e, na convivência com Paulo Boniek, foi desenvolvendo a mão para a percussão e entendendo melhor a estrutura rítmica do forró. Depois disso, seguiu tocando como freelancer com diferentes músicos, aprofundando esse aprendizado na prática das apresentações.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
O forró, na trajetória de Vinícius, está diretamente ligado a Governador Portela, Miguel Pereira e ao circuito de hotéis da região. É nesse território que ele vive, trabalha e mantém sua prática musical, especialmente nas apresentações e nas festas juninas. Sua atuação aparece ligada ao Hotel Montanhês, onde começou a tocar com Bartolomeu (Bartô) por indicação de Osvaldo Chileno, e também ao Arcozelo Palace Hotel e ao Hotel Guararapes, que realizam arraiais entre junho e agosto.
Essa relação com o lugar também aparece no vínculo de Vinícius com a história local de Governador Portela e com a memória musical da região. Ele associa sua trajetória à casa da família, mantida no local, à história do pai na antiga rede ferroviária e à presença de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha como referências importantes nesse território. Nos hotéis, o forró aparece como parte central das festas, com música ao vivo, decoração junina, barracas e elementos cenográficos produzidos por ele.
Transmissão de saberes
A transmissão de saberes, no caso de Vinícius, acontece principalmente no convívio e na prática. Ele afirma que passa esse repertório e essa vivência em festas de família, especialmente para as crianças, e relaciona esse gesto à herança musical que recebeu do pai, Nilton Madeira. Diz que é o único da família que toca com continuidade, mas que suas irmãs começaram a estudar violão mais tarde por influência dele, e que chegou a conseguir um violão pequeno para o neto de uma delas, com a intenção de manter essa história viva dentro da família.
Esse processo de transmissão também aparece na forma como ele entende o aprendizado musical: pela escuta, pela observação e pela experiência direta com outros músicos. Foi assim que ele próprio aprendeu percussão e zabumba, e é esse mesmo modo de relação com o bem que ele reproduz quando toca, convive e compartilha repertório com outras pessoas. Na região, ele cita ainda a atuação de Paulinho Maestro, que oferece aulas gratuitas de sanfona e outros instrumentos no CRAS de Governador Portela, como uma iniciativa importante de formação musical. Embora Vinícius não mencione ter alunos formais ou curso próprio, sua fala mostra que o conhecimento é transmitido no cotidiano, nas reuniões familiares, nas práticas coletivas e na circulação entre músicos e gerações.




