Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
Guilherme Corrêa Lopes
Data de nascimento
1 de janeiro de 1981
História de vida
Guilherme Corrêa Lopes nasceu no Rio de Janeiro e atua profissionalmente como músico desde os 18 anos, quando começou a trabalhar como pianista e tecladista. Sua formação inicial esteve mais ligada ao samba, ao choro e à bossa nova. O contato com a sanfona surgiu depois, a partir de uma demanda de trabalho em que precisou tocar teclado e fazer introduções no instrumento. A experiência despertou seu interesse pela sanfona e o levou a estudar com mais dedicação, primeiro por caminhos mais próximos da sua trajetória musical, como o choro, até ampliar esse repertório para outras linguagens.
Há cerca de oito anos, mudou-se para Miguel Pereira, onde passou a construir uma relação mais próxima com a cena cultural local. Foi nesse período que sua ligação com o forró se fortaleceu, especialmente a partir das apresentações na praça de Pati do Alferes e do trabalho com o grupo Caipura. O repertório, que no início era mais voltado para a moda de viola e a música rural brasileira, foi incorporando cada vez mais o forró, até se tornar uma parte importante da sua atuação. A partir dessa vivência, Guilherme aprofundou também seu contato com a obra de Luiz Gonzaga, processo que se ampliou com sua participação na peça O Menino que Virou Rei.
Entre suas principais referências na sanfona, destaca Sivuca, Dominguinhos e, mais recentemente, Mestrinho, músicos que reconhece como fundamentais para a construção do fraseado e da linguagem do instrumento. Além da atuação como instrumentista, também desenvolveu uma trajetória no ensino de música, dando aulas de piano e teclado e participando do projeto social Música nas Escolas, experiência que marcou sua relação com a formação musical. Atualmente, manifesta interesse em retomar esse trabalho na região, onde percebe tanto a presença de uma memória afetiva ligada à sanfona quanto a falta de oportunidades de aprendizado continuado.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Grupos representativos
Descrição da atuação em rede
A atuação em rede de Guilherme Lopes acontece principalmente a partir do grupo Caipura e das apresentações realizadas na praça de Pati do Alferes. Nesse trabalho, a organização do repertório e da formação musical é feita de forma coletiva. Guilherme destaca Walter, cantor do grupo e principal referência no repertório de moda de viola; Paulinho, violonista e cantor, que também levava músicas em ritmo de forró; e Paulo D’Ávila, músico do grupo que assumia a zabumba nas formações voltadas ao forró. Com essa articulação, o grupo foi ampliando o repertório e adaptando os instrumentos conforme a apresentação, passando de uma base mais ligada à música rural brasileira para uma formação com sanfona, zabumba, triângulo, percussão e coro.
Essa rede também envolve os espaços públicos e os apoios locais. Guilherme relata que o grupo tocou por cerca de cinco ou seis anos na praça central de Pati do Alferes, primeiro sem remuneração e depois com apoio da prefeitura. As apresentações frequentes fortaleceram o contato com o público da região e criaram um espaço contínuo de circulação da sanfona e do forró. Ele também menciona a participação na peça O Menino que Virou Rei, que reuniu músicos da região em uma experiência de troca artística e ampliação do repertório de Luiz Gonzaga.
Além dos grupos e apresentações, essa articulação envolve pessoas ligadas à produção cultural local. Guilherme cita Pedro, músico e responsável pelo espaço que está sendo reformado para voltar a funcionar como centro cultural em Miguel Pereira, e também Gil e Mary, casal ligado ao teatro de rua e a projetos culturais, que deve assumir a condução do espaço. Essa rede reúne músicos, espaços culturais, poder público e público local, e é por meio dessa construção coletiva que o forró e a sanfona seguem circulando na região.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
Guilherme atua no forró principalmente como sanfoneiro, integrando formações de trio e também o grupo Caaipura. Toca sanfona em repertório voltado ao forró e participa de apresentações com a formação tradicional de sanfona, zabumba e triângulo. Sua atuação no gênero se fortaleceu a partir do trabalho desenvolvido com o Caaipura, quando passou a ampliar de forma mais consistente seu repertório ligado ao universo de Luiz Gonzaga.
Aprendizado do bem
O aprendizado de Guilherme Lopes com a música começou antes da sanfona, a partir de sua atuação como pianista e tecladista. Quando surgiu um trabalho em que precisava tocar teclado e também fazer introduções na sanfona, ele alugou um instrumento e passou a ter seu primeiro contato prático com ela. Como já tocava teclado, teve facilidade inicial, mas o aprofundamento veio do estudo do próprio instrumento, especialmente da mão esquerda e dos botões. Nesse processo, começou por repertórios mais próximos da sua formação, como o choro, chegando a tocar sanfona em um regional, antes de incorporar de forma mais consistente o repertório de forró.
Seu aprendizado do forró e da linguagem da sanfona nordestina aconteceu de forma mais tardia, já em Miguel Pereira, a partir das apresentações com o grupo Caipura e do contato mais frequente com esse repertório. Guilherme afirma que foi nesse contexto que passou a tocar mais Luiz Gonzaga e a entender melhor a importância do compositor para a música brasileira e para o instrumento. Também destaca a experiência na peça O Menino que Virou Rei como um momento importante desse processo, porque ali precisou aprender um repertório mais amplo de Gonzaga e tocar na formação de trio com sanfona, zabumba e triângulo, o que exigiu maior domínio da linguagem do forró.
Entre as principais referências que orientaram esse aprendizado, Guilherme cita Sivuca e Dominguinhos, que escuta e estuda pela força do fraseado, da composição e da linguagem musical, e também Mestrinho, apontado por ele como uma referência mais recente. Além das influências vindas da escuta e da prática profissional, seu aprendizado também se deu na convivência com outros músicos da região, tanto no grupo Caipura quanto na montagem da peça, onde teve troca intensa com instrumentistas locais. Seu percurso mostra um aprendizado construído pela experiência de palco, pelo estudo individual e pela escuta atenta de sanfoneiros que se tornaram referência na sua formação.
Relação do bem cultural com o lugar
A relação do forró com o lugar aparece principalmente em Miguel Pereira e Paty do Alferes, onde Guilherme passou a desenvolver de forma mais intensa sua atuação com a sanfona e o repertório ligado ao gênero. Foi nessa região que o forró ganhou mais espaço na sua prática musical, especialmente a partir das apresentações do grupo Caaipura na praça central de Paty do Alferes, em uma experiência contínua de vários anos que aproximou o repertório do público local.
Esse vínculo também se apoia na memória cultural da região, marcada pela presença da sanfona em festas juninas, na Folia de Reis e nas lembranças familiares de muitos moradores. Guilherme identifica em Miguel Pereira e Paty do Alferes um interesse concreto pelo instrumento e pelo forró, tanto pela escuta quanto pela vontade de aprender, o que faz com que o bem cultural esteja ligado não só aos espaços de apresentação, mas também à vida cultural e afetiva dessas cidades.
Transmissão de saberes
Guilherme Lopes transmite saberes principalmente por meio do ensino de música, atividade que desenvolveu ao longo de sua trajetória como professor de piano e teclado. Ele deu aulas durante anos no Rio de Janeiro e atuou por quatro ou cinco anos no projeto social Música nas Escolas, patrocinado pela TIM, no qual trabalhou com crianças e adolescentes na formação musical em diferentes instrumentos, contribuindo para a criação de uma orquestra popular. Essa experiência consolidou sua prática como educador e sua atuação na formação de novos músicos.
Atualmente, Guilherme segue ligado a essa dimensão formativa e manifesta o interesse de retomar o ensino na região de Miguel Pereira, agora com foco também na sanfona. Esse desejo está diretamente relacionado à sua vivência nas apresentações públicas em Pati do Alferes, onde manteve contato frequente com pessoas interessadas no instrumento e na aprendizagem musical. Sua trajetória mostra que a transmissão de saberes, no seu caso, acontece tanto pela experiência acumulada no ensino formal quanto pela circulação de conhecimentos musicais no convívio com o público, com outros músicos e com a prática contínua do forró e da sanfona.




