Informações
Projeto relacionado
Equipe
Ana Clara Cunha Oliveira Dias | Edilberto Jose de Macedo Fonseca | Eduarda Manhães Santos | Elisabete Vicari | Gabriela Calafate | Ilana Musacchio | Joana Ramalho Ortigao Correa | José Augusto Camargo de Almeida | Julia Andrade | Julia Barros Silvera dos Santos | Lorena Fontes Ferreira | Maria Elisabeth Andrade Costa | Milena Barbosa | Raiane Alabaces | Alice Saint Martin da Cunha | Claudiane Dias de Carvalho
Nome completo
José Durval de Souza Pereira
História de vida
Durval Pereira nasceu e cresceu na zona rural da Paraíba. Trabalhando na roça com o pai, ainda na infância, escutava os programas de Rosil Cavalcanti e desenvolveu uma forte ligação com o forró por meio do rádio. Aos 18 anos, em busca de melhores condições de vida, mudou-se para o Rio de Janeiro. Inicialmente, trabalhou na construção civil e no comércio, conciliando estes empregos com apresentações musicais. O forró, que ainda não era sua principal fonte de renda, já ocupava um lugar central em sua vida: frequentando casas de forró, começou a tocar como percussionista, especialmente a zabumba. No circuito noturno, passou a integrar bandas fixas, o que funcionou como uma verdadeira vitrine para seu talento, permitindo que fosse visto por outros músicos e produtores. A partir dessa inserção, Durval começou a acompanhar artistas que se apresentavam sem banda própria, o que ampliou rapidamente sua rede de contatos. Nos anos seguintes, passou a ser chamado para gravações e substituições em estúdios. Esse processo o levou a trabalhar com nomes centrais do forró e da música brasileira, como Zé Calixto, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Dominguinhos e Oswaldinho do Acordeon. Com o tempo, Durval passou a viver exclusivamente da música, atuando em gravações, turnês nacionais e internacionais e, mais recentemente, integrando a banda de Elba Ramalho.
Identificação de gênero
Homem cisgênero
Localização
Atuação coletiva
Sim
Descrição da atuação em rede
O trabalho em rede de Durval envolve a circulação entre casas de forró, estúdios de gravação e projetos musicais. Um ponto decisivo em sua trajetória foi o convite para integrar a banda de Sivuca, com quem trabalhou por cerca de 16 anos, período que consolidou sua carreira profissional e permitiu dedicação exclusiva ao forró.
Bens culturais relacionados
Relação com o bem cultural
É zabumbeiro e consolidado músico profissional, atuando em gravações, turnês e acompanhando artistas consagrados pelo Brasil.
Aprendizado do bem
Aprendeu a tocar zabumba de forma prática e informal, no convívio com músicos mais experientes. Seu pai já tocava percussão, o que facilitou o contato inicial com os instrumentos. Posteriormente, sua principal escola foi a experiência direta com mestres do forró, especialmente Zé Calixto, com quem viajou e trabalhou intensamente - muitas vezes, tocando com instrumentos emprestados.
Lugar onde é praticado o bem cultural
as práticas culturais ocorrem em outros lugares
Relação do bem cultural com o lugar
Percebe que a cena do forró, no Rio de Janeiro, é marcada por contrastes territoriais. Segundo ele, os forrós localizados na Zona Sul e no Centro tendem a reunir maior público e valorização, enquanto na Zona Norte a adesão é mais difícil. Ele também avalia que o forró segue sendo um gênero pouco valorizado, em aspectos institucionais e midiáticos, apesar do esforço de músicos e produtores que mantêm a cena ativa.
Transmissão de saberes
A transmissão de saberes realizada por Durval ocorre principalmente por meio da prática musical e da convivência com outros músicos. Ele ensina ao tocar junto, gravar, viajar e compartilhar experiências em estúdios e palcos, funcionando como referência para músicos mais jovens. Seu conhecimento é transmitido de forma oral e prática, baseado na escuta, no ritmo e no estilo aprendido com mestres do forró, especialmente na forma tradicional de tocar zabumba, preservando modos de execução, repertórios e valores associados à música nordestina.
Incentivo financeiro à prática de bem cultural
Durval enfatiza que o forró “sempre pagou pouco”, sendo necessário décadas até conseguir viver exclusivamente da música. Essa dimensão econômica é marcada por instabilidade, necessidade de trabalhos paralelos, controle rigoroso dos gastos e aposentadoria por contribuição.





